quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Encontre seu santuário


Título: Encontre seu santuário
Autor: Abade Christopher Jamison
Páginas: 160

O livro é como um bálsamo nessa nossa vida agitada. O autor procura mostrar através de vivências diárias do monastério que a vida pode ser melhor aproveitada se utilizarmos mais a quietude e o silêncio.

Apesar do termo monastério não ser tão comum aqui pra nós, temos uma visão, no mínimo superficial, sobre o assunto. As experiências apresentadas no livro nos fazem refletir sobre o nosso papel nesse mundo caótico e, no fundo, constatamos que o progresso pode fazer bem para a humanidade, mas não para o ser humano.

Trechos interessantes:

Entrei para a ordem achando que poderia salvar o mundo; permaneci no monastério porque ele se tornou o lugar onde descobri minha própria necessidade de ser salvo. Antes que eu mesmo pudesse oferecer abrigo e proteção aos outros, eu precisava encontrá-los em mim mesmo. (pág. 13)

As pessoas agem e falam como se "estar ocupado" fosse uma força além de seu próprio controle, como se em algum lugar da história um espírito maligno da ocupação tivesse invadido o planeta.
Mas houve uma época, os bons tempos de antigamente, quando as pessoas tinham tempo e a vida andava a passos mais lentos. A sociedade moderna, porém, mudou tudo isso e estamos presos a um modelo de vida de uma correria contínua de tirar o fôlego. "As pessoas não têm mais tempo como antes". (pág.19)

Nos mercados tradicionais, os antigos vendedores vendiam os mesmos produtos da mesma maneira, no mesmo lugar e ao mesmo tempo; mas no mercado moderno tudo é maior e melhor do que da última vez e está sempre à disposição, onde e quando você desejar.
Hoje, em qualquer lugar e a qualquer hora, você pode comprar a última versão de tudo. Teoricamente, o consumidor poderia dizer "agora basta" e parar de consumir, mas o mercado certamente trabalha para certificar-se de que o cliente jamais diga isso. (pág. 21)

Mesmo no contexto mais suave de um supermercado ou elevador, a música enlatada está presente, no fundo, para manter o barulho à distância. Mais positivamente, a música clássica é usada em salas de aula para acalmar a atmosfera e ajudar o estudante a se concentrar. Na essência, o tipo errado de ruído nos incomoda, e o certo, ajuda-nos. (pág.36)

Nossa cultura nos diz para nos certificarmos de que nossas crianças façam exercícios físicos e nós nos empenhamos em ajudá-las a praticar esportes desde cedo. Poderíamos, com coragem e determinação, fazer a mesma coisa por sua saúde espiritual, ensinando-as a valorizar o ato de permanecer em silêncio, tranquilas. (pág. 43)

"E saibamos que não é pela multiplicidade de palavras que seremos atendidos mas, sim, pela pureza de coração e pelas lágrimas de compunção. A prece, portanto, deve ser breve e pura. (pág. 55/56)

Assim, ofereço-lhe este pensamento de São João Crisóstomo, o grande arcebispo de Constantinopla, do século IV: "'não sou', você dirá, 'um dos monges, mas tenho esposa e filhos, e os trabalhos domésticos'. Isso é o que arruína com tudo, a sua suposição de que a leitura das Escrituras é apenas para monges, enquanto você precisa mais dela do que eles. Aqueles que são colocados no mundo e são feridos diariamente têm mais necessidade de remédio". (pág. 61)

As pessoas usam a linguagem da liberdade, mas são escravas de regras ocultas. Não há nada de errado em obedecermos a boas leis nem tampouco com o exercício da livre escolha. O perigo está em dizer uma coisa e fazer outra. Quando pessoas dizem estar obedecendo a regras, mas as quebram, chamamos isso de hipocrisia, uma acusação em geral endereçada a pessoas religiosas. Quando pessoas dizem ser livres, mas de fato obedecem a regras não-escritas, nós não temos uma expressão para isso. Não existe uma expressão porque é uma ocorrência moderna, algo que as pessoas demoram a reconhecer. Essa característica sem nome da vida moderna é perigosa, pois as pessoas não desconfiam que estejam sendo escravas da agenda de outros, e, portanto, dessa maneira não veem necessidade de fugir delas. Aparentemente, a liberdade do consumidor pode cegar as pessoas, causando dependência. (pág. 67/68)

Os objetos de desejo atuais são ídolos e deuses da vida moderna. E o deus sobre o qual o coração humano está apoiado é o seu próprio eu; como disseram uma vez a respeito de um rico empresário: "é um homem que se fez por si e venera seu criador". Essa descrição se encaixaria na maioria de nós, não apenas em empresários ricos. (pág. 128)

A habilidade de morrer bem é um dom seriamente subestimado na sociedade ocidental; tendo observado-a de perto, acredito que seja uma das coisas mais encorajadoras que se possa presenciar. Sim, é triste perder um irmão, e nós certamente pranteamos sua morte. Mas em seu bem morrer, eles nos deixam um grande presente de adeus. (pág. 138)

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