domingo, 21 de outubro de 2018

Caixa de pássaros



Título: Caixa de pássaros
Autor: Josh Malerman
Páginas: 268

Terror não está entre os meus estilos favoritos de livros. Gosto de suspense, mas não de terror. Mas mesmo assim, li a Caixa de pássaros e achei-o um terror bem light. Faz parte do terror psicológico já que as partes mais horrendas são apenas imaginadas.

Num futuro não muito distante uma criatura (?) aterroriza quem a vê, levando a pessoa a praticar ações impensáveis, contra ela própria e contra os outros. A solução encontrada pela população remanescente é viver de olhos fechados, para não correr o risco de se defrontar com o que possa estar causando o terror. Malorie tem dois filhos e vive nesse mundo de trevas (numa casa com mais alguns amigos) e procura uma saída para que seus filhos possam ter uma vida normal.

Trechos interessantes:

“Já tinha vinte e quatro anos quando conseguiu perceber, usando apenas a audição, a diferença entre uma gota de chuva e uma batida na janela. Malorie fora criada com foco na visão. Será que isso fazia dela a professora errada? Quando carregava folhas para dentro de casa e dizia às crianças, vendadas, para identificarem a diferença entre pisar em uma e amassar outra com uma das mãos, será que essas eram as lições certas a ensinar? “ (pág. 23)

“—Tenho que explicar algumas coisas a você — começa Tom. — Em primeiro lugar, esta casa não pertence a nenhum de nós. O proprietário morreu. Conto essa história para você depois. Não temos internet. Não funciona desde que chegamos aqui. Temos quase certeza de que as pessoas que controlam as torres de transmissão pararam de trabalhar. Ou estão mortas. Não recebemos mais cartas nem jornais. Você conferiu seu celular nos últimos dias? Os nossos pifaram umas três semanas atrás. Mas temos um telefone fixo funcionando, o que é uma tremenda sorte. Só não sei para quem poderíamos ligar. “ (pág. 46)

“Ela lembra que o livro sobre bebês de Olympia lhe ensinou muitas coisas. Mas havia uma frase em Enfim... um Bebê! que causava mais impacto:
Seu bebe é mais inteligente do que você pensa. “ (pág. 85)

“Mais gravetos se quebram. A coisa se move devagar. Malorie pensa na casa que abandonaram. Estavam seguros lá. Por que saíram? Será que o lugar para onde estão indo é mais seguro? Como poderia ser? Num mundo onde não podemos abrir os olhos, uma venda não é tudo que temos para nos defender?
Saímos de lá porque algumas pessoas decidem esperar as notícias chegarem e outras correm atrás delas.” (pág. 93)

“—Vocês devem cegar os bebês — disse. — No instante em que nascerem.
Parecia que ele tinha pensado naquilo por muito tempo e decidido contar a decisão a elas.
Ele se sentou com as duas à mesa e se justificou. Enquanto Don falava, Olympia ia ficando mais distante. Achou que era maluquice. E, pior, considerou uma crueldade.
No entanto, Malorie não pensou o mesmo. No fundo, entendia o que Don queria dizer. Cada momento do seu futuro papel de mãe seria centrado em proteger os olhos do filho. Quanto mais poderia ser feito se aquela preocupação tivesse um fim? A seriedade que Don manteve ao dizer aquilo transmitia algo mais do que crueldade para Malorie. Isso abria a porta para todo um reino de possibilidades assustadoras, coisas que talvez tivessem de ser feitas, decisões que ela talvez precisasse tomar, mas que ninguém do velho mundo poderia estar realmente preparado para suportar. E a sugestão, por mais horrível que fosse nunca desapareceu por completo da mente dela.”  (pág. 113)

“Jules tira um pouco de carne da mochila de lona, arranca um pedaço e joga para o cachorro. De início, o animal se aproxima devagar. Então o devora.
—Será que é manso? — pergunta Tom, baixinho.
—Descobri — responde Jules — que um cachorro rapidamente se torna amigo das pessoas que o alimentam.”  (pág. 130)

“Esta casa se revelou mais frutífera do que a anterior. Os dois recolheram algumas latas, papel, dois pares de botas de criança, duas jaquetas pequenas e um resistente balde de plástico antes de cair no sono. Mas não encontraram uma lista telefônica. Nos tempos modernos em que todo mundo tem um celular no bolso, a lista telefônica, pelo que parece, entrou em extinção. “ (pág. 135)

“Enquanto os outros se dispersam em silêncio pela casa, ela entender a severidade do que fizeram.
Parece que Gary está em todos os cantos lá fora.
Ele foi banido. Excluído.
Expulso.
O que é pior?, pergunta a si mesma. Tê-lo aqui, onde poderíamos ficar de olho nele, ou tê-lo lá fora, onde não temos como fazer isso?”  (pág. 208)

Um comentário:

Arthur Claro disse...

Me parece ser bom este livro, vou anotar para procurar em breve.

Arthur Claro
http://www.arthur-claro.blogspot.com