domingo, 28 de junho de 2015

O homem sem rosto

Título: O homem sem rosto
Autor: Hugh Pentecost
Páginas: 144

Jeremy Trail é o homem mais rico do mundo. Só há um problema: é difícil encontrar uma pessoa que o tenha visto. Um coronel aposentado desafia Julian Quist (proprietário da mais conceituada empresa de relações públicas) a encontrar alguém que tenha encontrado Trail pessoalmente. Por incrível que pareça, não será uma tarefa fácil.

Este é um dos poucos exemplares da coleção "Mistério" que ainda possuo. Quando a coleção foi lançada, eu possuía todos os exemplares mas, com o tempo, eles foram aos poucos desaparecendo... Geralmente são histórias
pequenas, do gênero policial com alguns toques de mistério ou suspense.

Trechos interessantes:

"-E por que o senhor acha que Trail iria utilizar o Alexandria para fins criminosos? - perguntou Quist.
-Ora, ninguém pode ser assim tão rico e ser honesto ao mesmo tempo - respondeu o coronel." (pág. 9)

"-Você já está comigo há bastante tempo, Dan, para saber que a curiosidade que sinto pelas pessoas é quase como uma doença em mim. Desde que me tornei um relações-públicas, tenho passado o tempo todo elaborando fachadas para pessoas e negociações, na maior parte das vezes falsas. E o que há por trás dessas fachadas é que me fascina, quer tenham sido criadas por mim ou não." (pág. 15/16)

"-Acho que foi Stephen Leacock quem descreveu um herói, como aquele que ataca em todas as direções ao mesmo tempo..." (pág. 51)

"Quist não pôde deixar de pensar que coisa extraordinária é o sistema nervoso humano. Quando se está dormindo e chega alguém conhecido a pessoa não acorda, mas se um estranho der um passo a metros de distância, a pessoa acorda imediatamente e se põe em alerta." (pág. 56)

"-Só uma taça de champanhe e cinco minutos de conversa... - insistiu ele. - Meus pensamentos são desrespeitosos, mas minha atitude será impecável e respeitadora, se você quiser." (pág. 89)

"Não adianta lutar contra um adversário que é mais forte; que você sabe que pode liquidar você. Por melhor que você seja, as categorias são diferentes e não pode haver luta." (pág. 138)

segunda-feira, 22 de junho de 2015

A incrível viagem de Shackleton

Título: A incrível viagem de Shackleton
Autor: Alfred Lansing
Páginas: 346

Em abril de 1914, Ernest Shackleton conduz um barco pelo Atlântico Sul, com o objetivo de cruzar o continente antártico. O barco fica preso num banco de gelo e acaba sendo destruído pelo gelo. 28 pessoas ficam, de repente, isoladas no meio do gelo.

O livro narra a aventura desse grupo de pessoas, sob o comando de Shackleton, em sobreviver em meio às tempestades, ausência de luz, isolamentos e, principalmente, as temperaturas absurdamente baixas. Após quase dois anos no mar, ninguém mais acreditava que algum deles retornasse vivo.

Trechos interessantes:

"A Antártida e a segurança financeira acabaram por se tornar mais ou menos sinônimos no pensamento de Shackleton. Ele achava que o sucesso nesse campo - algum maravilhoso rasgo de ousadia, um feito que pudesse conquistar a fantasia de todo mundo - iria abrir-lhe as portas da fama e da riqueza." (pág. 27)

"Apesar de todos os seus pontos cegos e de todas as suas inadequações, Shackleton mereceu esta homenagem:
Para a liderança científica, o melhor é Scott; para viajar depressa e com eficiência, Amundsen; mas quando você está numa situação perdida, quando parece que não há mais saída, ponha-se de joelhos e peça a Deus que seu chefe seja Shackleton." (pág. 28)

"Em todo o mundo não há desolação mais completa que a da noite polar. É uma volta à Idade do Gelo - sem calor, sem vida, sem movimento. Só quem já passou por isso pode avaliar plenamente o que significa ficar sem o sol dias e semanas a fio. Poucos homens desacostumados são capazes de combater os efeitos dessa provação, e ela já levou muitas pessoas à loucura." (pág. 58)

"Cada noite de sábado, antes que os homens se recolhessem, uma ração de grogue era distribuída a todos os tripulantes, seguida do brinde: 'Às nossas namoradas e mulheres.' Invariavelmente um coro de vozes acrescentava: 'E que elas nunca se encontrem'." (pág. 64)

"A adaptabilidade da criatura humana é tamanha que na verdade às vezes eles precisavam lembrar a si mesmos que estavam vivendo em circunstâncias desesperadas." (pág. 97)

"Li em algum lugar que um homem só precisa estar aquecido e com a barriga cheia para ser feliz, e estou começando a achar que é quase verdade. Sem preocupações, sem trens, sem cartas para responder, sem usar colarinho - mas eu não sei qual de nós deixaria de sair correndo se tivesse a oportunidade de voltar amanhã!" (pág. 116)

"O melhor que podiam esperar era que a dor nos pés continuasse, porque se a dor parasse, por mais que o desejassem, isso significaria que os pés estavam ficando congelados. Depois de algum tempo, eles precisavam de uma concentração extrema para continuar a mexer os dedos dos pés - seria tão fácil parar!" (pág. 208)

"Por menores que sejam as chances, ninguém aposta sua última possibilidade de sobrevivência em alguma coisa e depois fica acreditando que não vai dar certo." (pág. 246)

"Ao contrário da terra, onde a coragem e a simples vontade de resistir são muitas vezes decisivas para a sobrevivência, a luta contra o mar é um ato de combate físico, e não há como furtar-se a ele. É uma batalha que se trava contra um inimigo incansável, em que o homem nunca chega a ser o vencedor; o máximo que pode ambicionar é simplesmente não sair derrotado." (pág. 275)

"Quatro veteranos comandantes noruegueses, de cabelos brancos, se adiantaram. Seu porta-voz, falando norueguês, traduzido por Sorlle, disse que navegavam pelo Atlântico havia 40 anos e que queriam apertar as mãos dos homens que conseguiram trazer um barco aberto de 22 pés da ilha Elephant até a Geórgia do Sul, através da passagem de Drake.
[...]
Não houve nenhuma formalidade nem discursos. Não tinham medalhas ou condecorações a entregar - só sua sincera admiração por um feito que talvez só eles fossem capazes de apreciar plenamente. E sua sinceridade deu à cena uma solenidade simples, mas profundamente comovente." (pág. 338)

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Um pouco de seu sangue e outras histórias

Título: Um pouco de seu sangue e outras histórias
Autor: Alfred Hitchcock
Páginas: 216

A primeira história (Um pouco de seu sangue) ocupa a metade do livro e é um misto de narrativa e excertos de correspondências. Achei muito longa para o tipo de história constante nas demais coletâneas do autor. Também não a achei das mais interessantes.

A outra metade do livro é composta por oito histórias, estas sim, fiéis ao estilo consagrado. Particularmente gostei de duas delas: 'Os veranistas' e 'Refém'. Mas há outras também, agradáveis de se ler.

Trechos interessantes:

"Provavelmente só casou com ela porque era a única moça das suas conhecidas que podia conversar com ele. Não havia mesmo nada mais entre os dois que valesse a pena de casar. Solidão. As pessoas se sentem sozinhas e por isso se enforcam e vão viver sozinhas uma com a outra." (pág. 9)

"A coisa mais atilada que já se disse sobre a mentira é esta que o melhor de tudo é dizer a verdade porque quem diz a verdade nunca precisa se lembrar do que disse." (pág. 26)

"Eu já disse isto e vou dizer de novo, no fim das contas o que um homem precisa mesmo é só encher a barriga e deixar que os outros pensem por ele, ninguém precisa pensar se não quer. E se isso não é o retrato escarrado do exército não sei o que seja." (pág. 47)

"Dei graças por poder falar com ela longe daquela ruína sombria e barulhenta que eles chamam casa. A palavra 'mesquinho' tem vários matizes de sentido; tudo naquela casa, nos seus habitantes e nas imediações corresponde a cada um desses matizes." (pág. 99)

"-Bem o cremos, Sr.Cochrane - retrucou o garoto de olhos de coruja, sem abandonar as suas maneiras corteses. -Sabemos que o senhor não é responsável, diretamente. Mas indiretamente, é responsável, e foi por isso que o tomamos como refém. Acontece, Sr.Cochrane, que o senhor agora é rico, goza a sua vida em segurança e a lei nada pode contra o senhor. São exemplos como o seu que inspiram os novatos no crime a raptar gente e o mais que segue." (pág. 178)

quinta-feira, 11 de junho de 2015

101 lugares para não conhecer antes de morrer

Título: 101 lugares para não conhecer antes de morrer
Autor: Catherine Price
Páginas: 286

Embalado na onda de lista de coisas a fazer, filmes a ver, livros a ler, lugares a conhecer, resolvi partir para o outro lado: lugares para não conhecer. Imaginei que seria uma relação de locais que, por um motivo ou outro, não valeria a pena visitar.

Tudo bem, alguns até que são. Mas há alguns 'locais' que são ridículos, como o local onde são criados os spams ou o quarto do seu chefe ou ainda Roma antiga em 64 d.C. Tudo bem que era para ter uma pitada de humor, mas aí também já é demais. Dos 101 lugares eu diria que quase a metade são 'sem noção' como os já citados.

Trechos interessantes:

"Uma viagem deve ser encarada como uma aventura, não uma tarefa a cumprir. Afinal, se for para passar as férias se preocupando com listas de afazeres, não faz nenhum sentido sair de casa." (pág. 19)

"Criado em 2002 pela Ordem Jogye de Budismo Coreano - a maior ordem budista da Coreia -, o programa [passar a noite em um templo coreano] tem como objetivo permitir que os visitantes 'conheçam um estilo de vida rígido e passem pelo treinamento mental e a experiência cultural da milenar tradição budista coreana'. Em outras palavras, é uma chance para fazer um test-drive da vida monacal." (pág. 51)

"Certas coisas me levam a indagar como a humanidade conseguiu sobreviver tanto tempo. Vejam a Corrida do Queijo, por exemplo, um festival anual onde centenas de pessoas se reúnem no Cooper's Hill, perto de Gloucester, na Inglaterra, só para correr atrás de um queijo colina abaixo. Ossos são quebrados. Articulações são deslocadas. Competidores são levados embora de maca. Isso seria até compreensível se houvesse algum grande prêmio em jogo, mas, nesta competição em particular, os participantes arriscam suas próprias vidas e membros apenas pela glória de levar para casa um queijo redondo Double Gloucester de três quilos." (pág. 59)

"A sua opinião sobre os ônibus de Samoa provavelmente irá depender de uma variável muito importante: se você se incomoda ou não com a proximidade de estranhos. E, quando eu digo proximidade, não estou falando de ficar com a sua cara enfiada no sovaco de alguém na hora do rush, estou falando de sentar no colo dos outros mesmo." (pág. 76)

"Se os gafanhotos são como psicopatas vorazes, as cigarras lembram mais um bando de universitários - desleixados, barulhentos e doidos por sexo." (pág. 80)

"Construído em vários estágios entre os anos 3000 e 1600 a.C., Stonehenge é um dos grandes mistérios do mundo antigo. Seria um templo? Um observatório astrológico? Um túmulo? Ninguém sabe ao certo, mas sabemos o seguinte: as pedras do monumento pesam mais de 50 toneladas cada e algumas vieram de lugares a quase 400 quilômetros de distância. E tudo isso foi erguido em uma época onde uma pá feita com a omoplata de uma vaca era a tecnologia de ponta. Então, seja lá qual fosse o objetivo original de Stonehenge, deveria ser algo bem importante." (pág. 174)

domingo, 7 de junho de 2015

A síndrome E

Título: A síndrome E
Autor: Franck Thilliez
Páginas: 368

Ao assistir a um filme antigo, Ludovic fica cego e liga para sua ex-namorada e detetive de polícia, Lucie. Ela envia o filme para especialistas e descobre que, dentro do filme, há outro filme oculto, com mensagens subliminares. A partir daí segue uma trama de espionagem que percorre a França, o Canadá e o Egito.

O livro é repleto de ação e típico do gênero, fazendo com que o leitor se interesse cada vez mais pela narrativa. Só uma mente perturbada poderia ser responsável pelas atrocidades mencionadas no livro. Para os amantes do gênero, uma boa leitura.

Trechos interessantes:

"-Tendemos a achar que é o olho que vê, mas ele é apenas uma ferramenta, só isso, um poço de luz. Leia esse texto, compreenderá.
Lucie pegou o cartão impresso que ele lhe estendia:
'Eset txeto etsá auqi para msotrar que nssoo cérbero não tdrauz exatamnte o que nssoo olho vê. Mas que, iflnueciado plea exeprinêcia, ele recohle globalemnte as palavars, sem se perocupar com a ordem das lertas.'" (pág. 41)

"É quando nos afastamos das coisas mais simples que nos damos conta para sempre de que elas não são assim tão sem graça." (pág. 74)

"-Como pode notar, o pedestre é soberano - observou Nahed, recuperando o sorriso. - O pedestre que está dentro de um carro, naturalmente.
Sem buzina, impossível avançar no Cairo. E sem uma boa audição, impossível atravessar." (pág. 108)

"Os assassinos de Claude Poignet não haviam escapado ao princípio de Locard, que dizia: 'Qualquer um, ou qualquer coisa, que esteja presente no local de um crime leva consigo algo desse local e deixa alguma coisa para trás quando parte.' Ninguém é infalível ou invisível, nem mesmo o mais consumado dos canalhas." (pág. 176)

"-Todos passamos por isso. As crianças existem para nos lembrar que nem sempre as prioridades são as que julgamos como tais. Mesmo às vezes sendo difícil, elas reorganizam nossa existência.
-Quantos filhos o senhor tem?
-Mais que o necessário." (pág. 196)

"Perguntaram a três pessoas, um alemão, um francês e um egípcio, qual seria a nacionalidade de Adão e Eva. O alemão respondeu: 'Adão e Eva têm uma saúde boa e levam uma vida higiênica; devem ser alemães!' O francês afirmou: 'Adão e Eva possuem corpos sublimes e eróticos: só podem ser franceses!' Mas foi o egípcio que deu o veredito: 'Adão e Eva andam nus como minhocas, não tem dinheiro sequer para comprar sapatos, e, ainda assim, estão convencidos de que vivem no Paraíso: são egípcios!'" (pág. 198)

"No fundo, ela queria se convencer de que havia esperança, de que todas as terras calcinadas terminam por regenerar-se, um verão ou outro. Aquele homem provavelmente vivera tudo que há de pior, teria, dia após dia, empurrado com seu bastão uma bolha de vida que se destruía incessantemente a cada nova incursão no domínio do Mal." (pág. 352/353)

"Não nos confunda com a ralé que povoa suas ruas. Somos cientistas, pensadores, tomadores de decisão, fazemos o mundo avançar. E todo avanço exige sacrifícios, de todos os tipos. Sempre foi assim, por que teria de mudar?" (pág. 357)

sábado, 30 de maio de 2015

A culpa é da mãe

Título: A culpa é da mãe
Autor: Elizabeth Monteiro
Páginas: 280

Criar filhos nunca foi uma tarefa fácil e muitas das vezes ficamos indecisos em que postura adotar perante uma situação complicada. Claro que não há uma receita de bolo a ser seguida e que funcione igualmente com todos, mas, se desde cedo a família sempre foi unida e todos tratados com respeito e consideração, menos chance de ocorrer estas situações.

O livro mostra isso, através de casos pessoais da autora ou de seus pacientes, que o diálogo e respeito são fundamentais para uma família coesa e 'perfeita'. Muitos casos descritos são hilários e certamente você se identificará com alguns deles. No fim, a culpa é mesmo da mãe (no bom sentido, é claro).

Trechos interessantes:

"É importante pontuar que os filhos dependem muito mais das atitudes dos pais do que de seus sermões ou críticas. É preciso acreditar em seu potencial, em seus esforços, aprender com os erros para poder educar seus filhos. Seguir o modelo dos outros não é bom. Você precisa acreditar em seus valores e crenças. Deixar se guiar por eles. Seja você e deixe que o outro seja ele mesmo." (pág. 14)

"Alguém já disse que 'a maravilha da maternidade não está no fato de as mães gerarem filhos, mas no fato de filhos gerarem mães'. Só depois de muita guerra para crescer, adquirir confiança em si, amadurecer e individuar-se é que a filha deixa de se infantilizar perante a mãe e, nesse momento fabuloso, ela pode ver sua mãe como uma mulher." (pág. 42)

"Algumas mulheres perdem totalmente a identidade quando se tornam mães. Abandonam o que antes faziam e gostavam. Algumas passam a vestir-se de maneira diferente, deixam de ser as companheiras de seus namorados ou maridos, passam a exercer o papel de mãe 36 horas por dia. Chegam a ser mães de seus próprios maridos. O pior é que ficam chatas demais..." (pág. 61)

"As crianças não param, isso é uma verdade, principalmente quando se sentem presas ou percebem que não podemos lhes dar atenção. Elas acham que são as donas do mundo e nasceram para ser admiradas e servidas. O pior, ou o melhor de tudo é que isso é sinal de saúde em uma criança, pois a criança muito quietinha não sinaliza estar saudável. Desistiu de lutar para ser ela mesma." (pág. 79)

"Você não é Deus para julgar nem criticar ninguém. Olhe para si antes de julgar qualquer pessoa. Cultive sempre uma postura receptiva e carinhosa, multiplique os momentos de intimidade e prazer com sua família. Isso promove o equilíbrio emocional e a socialização de todos." (pág. 89/90)

"Quando morremos, ficamos sob a terra. 'O que os olhos não veem o coração não sente.' Mas quando idosos ficamos muitas vezes vagando como mortos entre os vivos e a velhice é muito ameaçadora em um mundo onde só existe lugar para beleza e perfeição. Por isso, a velhice é tão temida e nossos velhinhos são rejeitados." (pág. 94)

"Os filhos mais velhos costumam usar os mais novos de cobaias em suas experiências e ainda como dublê, escudo, arma, álibi... Em contrapartida, os mais novos também manipulam certas situações, porque sabem que os mais velhos são acusados de maltratá-los e, às vezes, os provocam só para que os pais briguem com eles. Por isso é que digo que em briga de filhos não se toma partido, não se mete a colher. Eles brigam para provocar você. Quando você não está, ninguém briga, porque eles sabem que você não está ali para defender e proteger a nenhum deles. É só você chegar e começa a confusão..." (pág. 111)

"É muito difícil julgar briga de filho,porque você acaba tomando partido e geralmente não testemunhou o acontecido. E quando toma partido favorece um filho e desfavorece outro. [...]
O importante é deixar claro que está proibido toda e qualquer agressão física. Aliás, é bom que você também pare de usar esse tipo de recurso para mostrar a sua força e poder. Isso é abuso, uma atitude que só serve para descarregar sua raiva e mostrar sua autoridade. Você é uma autoridade. Não precisa usar de autoritarismo nem de violência para afirmá-la ou autoafirmar-se." (pág. 112)

"Jean-Paul Sartre, filósofo francês, já dizia: 'Não importa o que fizeram a você. O que importa é o que você vai fazer daquilo que lhe fizeram'." (pág. 124)

"O seu filho precisa saber que metade da humanidade morre de fome, não tem onde morar e é totalmente desamparada no que diz respeito à saúde e à educação, enquanto uma pequena parcela da população mundial consome de tudo, esbanja e cultiva o supérfluo. E é exatamente essa minoria, que consome de forma alienada, que leva os nossos jovens a querer ter o status para substituir o vazio do ser." (pág. 146)

"Será que você sabe ouvir? Escuta seus filhos? Ou é do tipo que logo vai falando que já sabe o que aconteceu e que com você a coisa era pior... O fato é que a maioria das pessoas não consegue ter paciência para escutar e compreender. Elas ouvem com a intenção de responder." (pág. 163)

"A minha eternidade se dá por meio do meu trabalho, daquilo que deixo para a humanidade, desde as árvores que plantei em meu sítio até os livros que escrevi. Portanto, contemplo este entardecer de minha vida com extrema serenidade. Sei que quando a grande noite chegar cerrarei meus olhos tranquilamente, com um sorriso na alma." (pág. 171)

"Precisamos educar as crianças para a vida: falar da morte é preparar para a vida. Montaigne dizia que, 'como não sabemos onde ela nos espera, é melhor esperá-la em todo lugar'." (pág. 191)

"Como educar financeiramente? Acredito que nós damos a nossos filhos aquilo que temos. Isto é, se temos apenas a visão material da vida, se temos só amarguras, preconceitos, desconfianças, é isso que daremos a nossos filhos. De fato, devemos ensiná-los, desde cedo, a noção do valor e da função do dinheiro, para que cresçam com mais responsabilidade." (pág. 205)

"Amar é admirar o outro, é gostar de fazer coisas junto. Não é desejar ter o outro o tempo inteiro ao nosso lado, à nossa disposição." (pág. 216)

"Antes querer o nada, do que nada querer. (Nietzsche)" (pág. 261)

quarta-feira, 27 de maio de 2015

A matemática nos tribunais

Título: A matemática nos tribunais
Autor: Leila Schneps e Coralie Colmez
Páginas: 286

A matemática sempre me fascinou. Enquanto a maioria detesta problemas, corro atrás deles e, na medida do possível, tento encontrar as soluções. Por isso, ao ver o livro em questão na estante de uma livraria, não tive dúvidas: comprei-o imediatamente na certeza de que desfrutaria de bons momentos.

O livro apresenta dez casos de tribunais onde a matemática teve a sua participação. Geralmente ela não teve uma participação decisiva no resultado em si, mas mostra muitos equívocos na forma como ela é apresentada, notadamente nas áreas de probabilidade e estatística. Há pequenas sutilezas que devem ser observadas e quem gosta de matemática certamente achará o conteúdo relevante.

Trechos interessantes:

"Uma vez que o evento já ocorreu, não se pode calcular retroativamente a probabilidade de ele ter ocorrido, e depois desconfiar que a probabilidade do acontecido é pequena demais." (pág. 29)

"Casada com um homem negro numa época de racismo feroz, Janet, de dezenove anos, deve ter experimentado repetidas vezes a censura da sociedade. Ignorante, pertencente à classe operária e pobre, ela não estava acostumada a lutar por seus direitos. Talvez pressentisse que, culpados ou inocentes, não havia chance alguma de que um julgamento resultasse em absolvição." (pág. 42)

"...se dois eventos são independentes, então a probabilidade de que ambos ocorram é obtida multiplicando-se as probabilidades de cada evento acontecer sozinho." (pág. 45)

"A probabilidade de um homem ter barba e bigode com toda certeza não é igual à probabilidade de um homem ter bigode multiplicada pela probabilidade de um homem ter barba, pois as barbas não acompanhadas de bigode são muito raras." (pág. 50)

"...o paradoxo de Simpson [cada grupo melhorou, contudo o resultado geral é idêntico] pode ser facilmente manipulado de maneira a iludir. Como disse o empregado de uma importante companhia de gás a um matemático amigo nosso: 'Tive de apresentar os resultados econômicos da empresa no ano passado, então perguntei-lhes se queriam uma apresentação mostrando que ganhamos dinheiro ou que perdemos dinheiro'." (pág. 131)

"Por que tão poucas moças optam por estudar matemática e engenharia? Essa questão tem ocupado muitos estudiosos da sociedade, e inúmeros fatores diferentes têm levado a culpa, abrangendo a psicologia do indivíduo, atitudes sociais profundamente arraigadas e até diferenças na fisiologia e nos métodos de educar as crianças." (pág. 146)

"Nossos hábitos diários de trabalho, com quantidade relativamente pequenas, pequenas distâncias e pequenos tamanhos, criam uma espécie de bloqueio mental contra números gigantes. A falta de experiência nos impede de ter um tipo de compreensão realística, não familiar, do significado dos números que medem as grandes quantidades que muitas vezes encontramos. Construímos nossas imagens mentais em torno do que estamos acostumados, e isso pode levar a grandes surpresas ao lidar com coisas ou quantidades extremamente grandes." (pág. 176)

"Cuidado com os investimentos com crescimento exponencial - eles não podem dar certo!" (pág. 198)

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Perfeitos

Título: Perfeitos
Autor: Scott Westerfeld
Páginas: 382

Segundo livro da série. O grande sonho de Tally se realizou: ela agora é perfeita. Agora é só seguir em frente, de festa em festa, curtindo o fato de ser perfeita e estar rodeada de pessoas felizes e perfeitas.

Mas, de repente, tudo parece monótono demais e ela passa a se questionar se a vida antes de tornar perfeita era mesmo ruim. Um 'enfumaçado' entra em cena e ela resolve partir para Nova Fumaça. Mas os Especiais não estão satisfeitos e vão tentar impedi-la.

Trechos interessantes:

"Lembra-te de que as coisas mais belas do mundo são também as mais inúteis. [John Ruskin, As pedras de Veneza, I]" pág. (7)

"Aquele era o ponto mais importante de ser aceito num grupo: saber que tinha amigos, independentemente do que fizesse." (pág. 54)

"Naturalmente, depois que você alcança um objetivo, as coisas nunca são como o imaginado." (pág. 89)

"Largados à própria sorte, os seres humanos são uma praga. Eles se multiplicam sem controle, consomem todos os recursos naturais, destroem tudo em que botam as mãos." (pág. 144)

"-Tally, na cidade, todo mundo é manipulado. A finalidade de tudo que nos ensinam é nos deixar com medo de mudanças. Venho tentando explicar isso ao David: que, desde o dia em que nascemos, vivemos numa máquina que só serve para nos manter sob controle." (pág. 352)

sábado, 16 de maio de 2015

Cinco dias em Paris

Título: Cinco dias em Paris
Autor: Danielle Steel
Páginas: 254

Diretor de um laboratório farmacêutico vai a Paris para acompanhar um medicamento em teste e encontra a esposa de um senador, que sofre com a perda de um filho. O que começou como uma amizade transforma-se em paixão e mudará completamente o rumo de suas vidas.

Um romance estilo água com açúcar, característico do gênero, com um final totalmente previsível. É o tipo de romance que não se deve esperar grandes acontecimentos, mas somente uma história bem desenvolvida.

Trechos interessantes:

"Paris era uma cidade especial para ele, o auge de tudo com o que sempre sonhara e nem ao menos sabia que desejava. Ao longo dos anos ele trabalhara muito duro pelo que tinha, mesmo que uma parte do que conseguira parecesse ter chegado com facilidade a suas mãos. Mas Peter sabia melhor do que ninguém que não fora bem assim. Na vida, nada era de graça. Você trabalhava pelo que desejava ou então terminava de mãos vazias." (pág. 18)

"Sou como aquelas árvores artificiais, que eles levam para o palco. Não é preciso alimentá-las nem regá-las, basta apenas que se dê um jeito nelas para que tenham boa aparência quando for necessário um pequeno detalhe para enfeitar o cenário onde vai se desenrolar o espetáculo." (pág. 80)

"Acho que por fim ele se apaixonou pela política. Essa coisa que chamam de ambição política é feita de material intoxicante e comecei a perceber que ela exige mais de uma pessoa do que uma criança e parece oferecer mais excitação e paixão do que qualquer mulher. A política devora todos aqueles que dela se aproximam e é impossível amá-la e sobreviver. Simplesmente não se consegue. Sei disso. Por fim, ela consome tudo que se tem por dentro, todo amor, bondade e decência, destruindo tudo que se era antes e deixando apenas um político no lugar. Não é mais do que uma troca." (pág. 81)

"Ele não queria que aquilo acontecesse, estivera determinado a voltar e retomar tudo no ponto em que deixara, mas isso simplesmente não aconteceu. Era como abrir uma janela, ver uma paisagem e depois voltar para casa de novo." (pág. 202)

domingo, 26 de abril de 2015

Guia de uma ciclista em Kashgar

Título: Guia de uma ciclista em Kashgar
Autor: Suzanne Joinson
Páginas: 270

Três mulheres religiosas decidem partir da Europa para terras distantes na Ásia e levar seus ensinamentos. E resolvem fazer isso de bicicleta! A história registra os percalços enfrentados pelas mulheres no decorrer dessa jornada. Culturas diferentes, línguas diferentes, discriminações, isolamentos e vários outros fatores fazem parte desta aventura.

O final não é o que se pode chamar de 'final feliz' mas, tendo em vista as agruras sofridas, já era esperado alguma coisa do gênero. Paralelamente à história das ciclistas é contada uma história nos tempos atuais e, ao final do livro, as duas histórias se interligarão. O livro fala pouco de bicicletas, mas muito de diferentes culturas e acho que isso é válido.

Trechos interessantes:

"Fomos levadas para uma hospedaria muçulmana porque somos consideradas azaradas demais para sermos abrigadas pelos chineses." (pág. 21)

"Dificuldades a superar: Há a dificuldade de montar, a dificuldade de guiar, a dificuldade de pedalar; e depois há a dificuldade geral de fazer todas essas coisas ao mesmo tempo." (pág. 33)

"A própria Millicent nos ensinara que esse é um lugar onde, antes de entrar em uma casa, devemos lavar as mãos três vezes em água despejada pelo anfitrião; onde mandam que nos levantemos, com as mãos juntas, palmas para cima, como que segurando o Corão, e então que passemos as mãos pelo rosto num gesto religioso de bênçãos; onde os salamaleques são sérios e os homens mais velhos acariciam barbas em sinal de cortesia." (pág. 67)

"O conhecimento permanece dormente nos ossos até ter oportunidade de florescer de novo." (pág. 118)

"A primeira lição de vida: bens materiais não têm valor algum. As pessoas passam a vida querendo carros maiores, casas maiores, televisões maiores, Frieda, e onde chegam com isso? Qual é o valor disso? A resposta é nada! Em lugar algum! Olhe o mar, o céu, e veja: somos o mesmo que eles." (pág. 132)

"Possibilidades: Há sempre novidades e possibilidades de entusiasmo, pois é incomum que em uma viagem de bicicleta tudo ocorra conforme esperado ou planejado." (pág. 156)

"Sua mãe perdera coisas que uma mãe não deve perder, como as primeiras manchas de sangue nas calcinhas da filha, ou ela voltando de um baile da escola com um gosto de coração partido na boca." (pág. 211)

"A arte de andar de bicicleta: A regra para as subidas recomendada universalmente é: 'Não se preocupe com os morros. Continue pedalando'." (pág. 236)

sexta-feira, 3 de abril de 2015

O mundo misterioso de Agatha Christie

Título: O mundo misterioso de Agatha Christie
Autor: Jeffrey Feinman
Páginas: 140

O livro procura explicar por que Agatha Christie é considerada a rainha do crime. Seus livros e suas peças são detalhados, um pouco de sua vida pessoal é mostrada e também é feito um paralelo com os principais detetives da literatura policial.

Em suma, é um livro muito antigo, mas traz algumas curiosidades e detalhes sobre a maior escritora de livros policiais de todos os tempos. Para os fãs de Agatha Christie, vale uma espiada.

Trechos interessantes:

"Educação demais tende à especialização - a pessoa se torna mais interessada em receber do que em dar. Poucas pessoas se estimulam com as coisas que dizem. Em geral, só os homens." (pág. 19)

"'Quando chegou a hora de minha irmã ir para a escola', relembra Agatha Christie, 'minha mãe estava na fase de acreditar que as crianças devem receber a melhor educação. Então, minha irmã foi para o que é hoje o Roedean College. Porém, quando chegou minha vez, as opiniões de minha mãe haviam mudado. Agora, acreditava com paixão que a educação era desastrosa para o cérebro da criança, prejudicando-lhe a visão. Logo, nunca fui para a escola, de forma alguma'." (pág. 25)

"'Meu marido encontrou uma mulher mais jovem', diria Agatha Christie muitos anos mais tarde. 'Bem, você não escreve seu próprio destino, o destino vem até você'." (pág. 38)

"É maravilhoso ser casada com um arqueólogo - quanto mais velha você fica, mais interesse ele tem em você." (pág. 39)

"Um jovem ator muito famoso declarou: 'Se Mrs. Christie me oferecesse um papel numa nova peça, eu não aceitaria - não viveria tanto tempo quanto a peça ficaria em cartaz'." (pág. 61)

"Em 1962, na hora dos aplausos, o ator principal gritou para a plateia: 'Já vamos entrar no nosso décimo ano. Se vocês contarem aos amigos quem cometeu o crime, talvez nós sejamos obrigados a encerrar dentro de dois anos. 'Uma senhora, que estava assistindo a A Ratoeira pela primeira vez, disse: 'Dez anos e ninguém me disse quem cometeu o crime. Não seria esportivo agora, não é? Os ingleses são leais. Se nos dizem para não contar, a gente não conta'." (pág. 62)

"Na realidade, o grande Holmes tem apenas um interesse. Seu conhecimento bastante variado e multifacetado é unicamente dirigido para o crime. Quando Watson expressa surpresa sobre a falta de conhecimento de Holmes sobre a Terra e seu lugar no Universo, Holmes responde que, agora que já sabe, fará o possível para esquecer. 'A mente, meu caro Watson, é como um sótão. Somente muita mobília servirá. Aquilo que não acrescenta nada à minha habilidade para solucionar um crime, deve ser jogado fora'." (pág. 72/73)

segunda-feira, 16 de março de 2015

Os filhos do imperador

Título: Os filhos do imperador
Autor: Claire Messud
Páginas: 478

Os Thwaite são uma família importante: o pai, um renomado escritor de fama mundial; a mãe, sempre envolvida com obras sociais; a filha, uma riquinha mimada que começou a escrever um livro mas nunca termina.

Contracenando com esse grupo há um amigo gay, uma amiga gostosa, o namorado da filha (tentando a todo custo lançar uma revista) e o sobrinho que vem para a cidade grande tentando fugir do anonimato. Todas estas vidas serão alteradas com os acontecimentos do 11 de setembro.

Trechos interessantes:

"'Eu nunca pedi para minha filha se tornar escritora', disse ele. 'Muito pelo contrário. Acho que, se você é capaz de fazer outra coisa, faça. Porque é uma vida estimulante, mas incerta. Mas eu a fiz entender que integridade é tudo, tudo o que temos. E, se você tem uma voz, um dom, é moralmente obrigado a exercê-lo'." (pág. 63)

"Ele sabia como despertar o desejo dos outros - por ele mesmo -, e, nos vários momentos mais sombrios, ele explorava essa capacidade, pois o fazia se sentir melhor e porque tinha esse poder. Mas ele não conseguia saber onde o desejo (de outras pessoas) se transformava em riqueza (para ele)." (pág. 75)

"Virou as páginas do livro, encontrou o que estava procurando, a frase marcada com tinta fluorescente. 'Os grandes gênios têm as menores biografias. Seus primos não sabem dizer nada sobre ele, que vivem para seus escritos, e então suas vidas pública e pessoal são triviais e comuns'." (pág. 108)

"-E você sabe que não acredito em presságios. Você também não deveria. Nenhum ateu que se preza deve acreditar em presságios." (pág. 146)

"Na adolescência, o terror maior nunca foi ser atacado pelos que batiam nos gays, nem mesmo ser pego pela polícia, mas encontrar um rosto conhecido, uma porta de carro que se abrisse e revelasse um amigo do seu pai ou um membro da igreja; ou um erro de cálculo que fizesse seu pai passar de carro para buscá-lo no multiplex logo ao lado, flagrando o adolescente enrolado e comprometido sob a fraca luz da rua. O maior medo sempre foi que mamãe e papai descobrissem; o maior trunfo sempre foi o fato de que essa vida secreta se manteve por tanto tempo desconhecida deles." (pág. 162)

"-Você está completamente certo. Precisa lê-los - disse o tio. - Isso é o significado de ser civilizado. Romances, história, filosofia, ciência, tudo isso. Você se expõe ao máximo possível, absorve, esquece grande parte, mas no meio do processo isso muda você.
-Mas você não se esquece das coisas.
-Claro que sim. Escrever ajuda. Quando se escreve sobre algo, quando se pensa realmente sobre um assunto, você o conhece de uma forma diferente." pág. 205)

"É narcisismo amar um muro e ressentir-se por ele não corresponder ao sentimento. É perverso. Amor é mútuo, floresce com a reciprocidade. Não se pode ter amor de verdade sem afeto em retorno. Do contrário, é apenas obsessão e projeção. É infantil." (pág. 308)

"-É a mesma coisa quando alguém morre, acho - disse Marina. -Você sabe, assim, do nada. Num minuto a pessoa está aqui, e no outro não está mais, e você não tem como digerir isso. É surreal." (pág. 397)

quarta-feira, 4 de março de 2015

Alfred Hitchcock e seus filmes

Título: Alfred Hitchcock e seus filmes
Autor: Bodo Frundt
Páginas: 240

Hitchcock é o meu diretor preferido. Assisti a todos os seus filmes que pude encontrar e sempre procuro saber o processo de construção dessas histórias. Esta é a proposta do livro: analisar seus filmes, atores envolvidos, processos de criação e demais aspectos relevantes.

Ao analisarmos sua trajetória, vemos que Hitchcock sempre procurou a perfeição em seus filmes e o título de "mestre do suspense" além de perfeitamente merecido, foi devido a muito trabalho e dedicação. Ele, que tinha como marca registrada fazer uma pontinha em seus filmes, tem hoje o reconhecimento de atores e diretores, pela sua importância na história do cinema mundial.

Trechos interessantes:

"O mundo de Alfred Hitchcock, tal como se apresenta em suas melhores obras, não é consequência do fluxo ininterrupto de um gênio, e sim o resultado de uma observação constante que permeia todos os seus filmes." (pág. 21)

"O próprio Hitchcock, ao preparar a segunda versão desta obra [O homem que sabia demais], nos Estados Unidos, declara: 'A primeira versão é obra de um talentoso amador, enquanto a segunda é obra de profissional'." (pág. 60)

"'Quando faço um filme, a história não é importante; o que importa é como eu vou contá-la.' E mais: 'Num filme de espionagem, por exemplo, o que o espião busca é o de menos: vale mais o como ele procura'." (pág. 61)

"A arte de fazer cinema sempre foi desprezada pelos intelectuais. Era assim na França e seria do mesmo jeito na Inglaterra. Nenhum inglês que se considerasse alguém de valor se deixaria flagrar indo ao cinema, em hipótese alguma. Veja bem, os ingleses têm consciência de classe..." (pág. 79)

"Os poetas trabalham com os maiores males da humanidade: eles são responsáveis pelas ilusões do Homem." (pág. 103)

"Sem muita especulação, pode-se dizer que Interlúdio foi uma declaração de amor cinematográfica para Ingrid Bergman." (pág. 109)

"Hitchcock sempre se preocupou em descrever nossa vida como uma pequena cela, parte de uma prisão maior. É como se fugíssemos de uma casa em chamas e nos deparássemos com o mundo incendiado." (pág. 184)

sábado, 21 de fevereiro de 2015

A cama desfeita

Título: A cama desfeita
Autor: Françoise Sagan
Páginas: 210

Édouard é um escritor de teatro que possui uma paixão doentia por Béatrice, atriz de teatro. Cinco anos depois de tê-lo abandonado, Béatrice volta a atenção para Édouard, já que, agora, ele está tendo sucesso como escritor.

A paixão dele por ela beira ao ridículo: ele quer estar 24 horas por dia ao lado dela, para ele a única mulher que existe é ela e assim por diante; ela, por sua vez, o suporta como qualquer outro, aliás, ela o trai com qualquer um e encara isso como uma coisa normal. Apesar da história ser maçante, os diálogos são muito bem elaborados. De uma relação como essa, o final do livro é bem comportado para o meu gosto.

Trechos interessantes:

"Deveria ter pensado que mesmo assim, quando alguém diz 'Te amo' indica apenas o seu desejo imediato, o seu próprio, nunca o do outro, e que, apaixonado do jeito que ele estava e sendo o seu amor permanente qualquer encontro não poderia deixar de ser um adiamento e qualquer data uma afronta, um sofrimento - a desgraça, em suma." (pág. 16)

"Era um dia sinistro, um lugar sinistro, mas sabia que por nada deste mundo quereria estar em outro lugar. 'Esse é um dos maiores charmes da paixão', pensou 'jamais perguntar: que estou fazendo aqui? mas, pelo contrário: como continuar aqui?'" (pág. 40)

"-Talvez eu seja um boboca - disse -, mole e covarde, mas não me importo. Existe uma coisa que você entende, Nicolas, a meu respeito: do momento que for Béatrice a fazê-lo, sou tão completamente indiferente a ser destruído que isso me torna indestrutível. Sou indiferente a que mil pessoas me desprezem desde que Béatrice me beije." (pág. 46)

"Se eu tivesse vivido sempre no futuro (certas pessoas só vivem bem no passado), seguramente estaria desesperado, mas nunca vivi senão no presente." (pág. 80)

"Cada um quer, quando caminha, que alguém se volte para trás para vê-lo, quando não dorme, que alguém se inquiete, e, quando cede ao riso ou às lágrimas, que alguém o entenda. E, se estiver feliz, que alguém o inveje. E talvez seja por esse motivo que todo rompimento, todo divórcio, é sempre doloroso. Não é o ser amado, o complemento ou a diferença, o senhor ou o objeto, que faz falta: é o 'outro', a testemunha, esse microfone e essa câmara fotográfica perpetuamente assestados. Aquele ou aquela que com desejo (ou com ódio, pouco importa) via levantar-se, vestir-se, fumar, sair, o outro, que o escutava assobiar, bocejar ou ficar calado (mesmo que não o estivesse olhando ou escutando). E, de repente, ninguém!" (pág. 122)

"Agora precisava dormir, voltar a dormir, já estava dormindo. Era preciso, não para manter o equilíbrio - noção das mais ridículas para um moribundo -, mas para esquecer a certeza incessante e cruel, para esquecer a aparelhagem de farmacêutico, para esquecer que se encaminhava para o esquecimento. Podia dormir. Agora havia mil moléculas químicas e mil policiais que velavam por ele, pelo seu corpo, pelo seu calor e sua impunidade, mil vigias que iriam impedir que chegasse até ele a ninfômana, a estrangeira delirante que é a dor física." (pág. 137/138)

"-Engraçado como é doloroso tomar uma decisão quando se sabe que será a última. Com saúde, não se hesita um momento em fazer um filho, ou em matar um homem na guerra... E, quando nos sabemos perdidos, não nos decidimos a largar esse feixe de ossos inúteis..." (pág. 159)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Seis anos depois

Título: Seis anos depois
Autor: Harlan Coben
Páginas: 268

Jake, um professor universitário em um retiro para escritores, conhece Natalie e se apaixona. Aparentemente a paixão é correspondida e, por isso, Jake estranha quando, de repente, Natalie decide se casar com um antigo namorado. Jake vai ao casamento e ouve de Natalie para não mais procurá-la. Ele mantém a promessa por seis anos até ler num jornal sobre a morte do marido de Natalie.

A partir daí a história segue em ritmo acelerado, com várias ações se desenrolando, numa verdadeira corrida de gato e rato. A história segue o mesmo padrão de outras do autor: um suspense policial, cheio de mistério e muitas reviravoltas no transcorrer da narrativa. Se você é fã do gênero, boa leitura.

Trechos interessantes:

"Quando era criança, meu pai me contou uma charada achando que eu fosse gostar. 'Pai e filho sofrem um acidente de carro. O pai morre. O garoto é levado às pressas para o hospital. Quem está de plantão diz: 'Não posso operar esse menino. Ele é meu filho'. Como pode ser?' É isso que quero dizer com os caminhos do cérebro. Para a geração do meu pai essa charada devia ser difícil, mas, para as pessoas da minha idade, a resposta - quem estava de plantão era a mãe do garoto - era tão óbvia que me lembro de soltar uma gargalhada." (pág. 25)

"Gosto de dirigir. Gosto da solidão e da música. Apesar dos meus receios anteriores em relação à solidão tecnológica, todos precisamos nos desconectar com mais frequência. Percebo que pareço um velho ranzinza, reclamando que, sempre que vejo uma mesa de jovens 'amigos', estão todos trocando mensagens com pessoas que não estão presentes. Sempre procurando algo que talvez seja melhor, uma perpétua busca pela grama digital mais verde, numa tentativa de sentir o cheiro das rosas distantes, apesar de ter outras bem ali na frente. Mas poucas vezes me sinto mais em paz, mais em harmonia, mais zen, se preferirem, do que nas ocasiões em que me forço a me desconectar." (pág. 59)

"Como todos sabem, a mente nos prega peças e tendemos a ver o que queremos." (pág. 128)

"Todo mundo já leu sobre a maneira como certos animais e seres marinhos podem detectar o perigo. Eles conseguem sentir ameaças e até desastres naturais iminentes, quase como se tivessem um radar de sobrevivência ou tentáculos invisíveis que se esticam e sondam o ambiente. Em algum momento, é claro, o homem primitivo deve ter tido essa habilidade também. Ainda temos esse instinto de sobrevivência. Pode estar inativo ou atrofiado por falta de uso. Mas a verdade é que o homem de Neandertal instintivo está sempre aí, oculto sob nossas roupas sociais." (pág. 133)

"O medo podia ser controlado. Havia aprendido a fazer isso durante os anos como segurança  de bar. Qualquer pessoa com um mínimo de humanidade se assusta diante da violência. Somos assim. O segredo é se dominar, não deixar que esse temor o paralise ou enfraqueça. A experiência ajuda." (pág. 184)

"Adorava aquele cara. Tirando o meu pai, ele era a coisa mais próxima que tive de um exemplo a seguir. Mas o professor deixava claro que a aposentadoria era um fim. Sempre tinha detestado os tipos acadêmicos que se agarravam aos empregos, professores e administradores mais velhos que permaneciam na ativa, com o prazo de validade vencido, como esportistas que não querem encarar o inevitável. Depois de ter deixado nosso estabelecimento sagrado, o professor Hume não apreciava a ideia de voltar. Não aceitava viver de nostalgia ou dos louros passados. Mesmo aos 80 anos, Malcolm Hume era um cara que olhava para a frente. Para ele, o passado era apenas o passado." (pág. 209)

"-Você sabe o que é ter esperança, Jake?
-Acho que sim, respondi.
-É a coisa mais cruel do mundo. A morte é melhor. Quando se morre, a dor para. Mas a esperança põe a pessoa lá em cima e depois solta, deixando que caia no chão duro. Protege nosso coração com as mãos e depois esmaga com um soco. Várias e várias vezes. Nunca para. É isso que a esperança faz." (pág. 228)

"-[...] Você já leu Oscar Wilde?
Fiz uma careta.
-Já.
-Ele tem uma frase maravilhosa: 'Perder um dos pais pode ser considerado uma infelicidade; mas perder os dois parece descaso.'
-Está em A importância de ser prudente - falei, porque sou um acadêmico e não consigo me controlar." (pág. 240

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Um lugar na janela

Título: Um lugar na janela
Autor: Martha Medeiros
Páginas:192

O livro apresenta os relatos de viagem da autora entremeados com algumas opiniões sobre determinados aspectos do local, da cultura, dos habitantes, da culinária ou de qualquer item relevante. Li o livro na minha viagem à Austrália. Já que seriam muitas horas de voo, aproveitaria para ler alguma coisa relacionada a viagens. Foi interessante.

Já que não tenho condições de conhecer todos os lugares que gostaria, pelo menos posso me deliciar com as aventuras contadas por aqueles que lá estiveram. Muitas vezes o comodismo nos impede de vivenciar novas experiências. Quem sabe uma leitura assim possa despertar um novo ânimo! Curta a leitura e as viagens.

Trechos interessantes:

"Viajar sempre esteve no meu DNA.
Atravessar fronteiras era um desejo meu desde menina, incluindo as fronteiras mentais, não apenas as geográficas. Conhecer, descobrir, avançar, aprender: verbos que de certa forma me definem, todos relacionados com o exercício da liberdade. Tive uma infância alegre e saudável, mas, pequena ainda, já ensaiava a resposta que daria quando me perguntassem o que queria ser quando crescesse: adulta." (pág. 9)

"A liberdade é uma ilusão, eu sei. Ninguém é inteiramente livre, a não ser que não possua vínculos. Como qualquer pessoa saudável, não abro mão de laços afetivos, a vida seria muito árida sem amor. Desertos são fascinantes, mas não os emocionais, então tenho uma relação de profundo apego à minha família, aos meus amigos e ao meu coração, que de tempos em tempos bate forte por alguém, e essa turma estimula o meu crescimento, mas para crescer juntos é preciso facilitar o encontro, o que me faz ter um endereço fixo." (pág. 10)

"Se para você é um suplício abandonar seu sofá, seu carro, seu travesseiro e o Fantástico aos domingos, não viaje. Se você é do tipo que não consegue se maravilhar com o que está vendo porque está mais preocupado com os mosquitos, os remédios, as gorjetas, o fuso horário e em checar os e-mails do trabalho, não viaje. Se você não faz ideia em que ponto do mapa fica o local para onde está indo, não tem a mínima curiosidade sobre a cultura do lugar, até desconhece o idioma falado, não viaje. Se você está fazendo as malas sob coação, pois sua mulher o ameaçou com o divórcio, faz bem em ter juízo, vá com ela. Mas, fora algum outro caso assim extremo, não viaje. Não é obrigatório. Não assegura uma vaga no céu. Viajar é para quem tem espírito desbravador, mas se você não tem, não tem." (pág. 12/13)

"Comentei, no início desses relatos, que sair por aí sempre foi terapêutico para mim e que esses dois meses na Europa me serviram como uma análise psicanalítica profunda. Até então, não conhecia quase nada da vida. Nem geograficamente, nem de mim mesma. Inquilina dos meus pais, só ao sair de casa para viajar é que descobri que alguns medos que eu pensava possuir eram herdados, não existiam de fato. Eu era muito mais destemida do que eu supunha." (pág. 40)

"Istambul é grande, como já foi dito. São dois continentes numa cidade só." (pág. 61)

"É uma experiência [extravio de bagagem] que nos faz avaliar o que realmente tem importância na vida. Eu não sofria pelo vestido que talvez nunca mais visse ou pelo sapato que havia usado só uma vez, e sim pelo sumiço de uma caderneta de anotações onde já havia registrado boa parte da viagem. E lamentava nunca mais colocar no dedo um anel pelo qual joalheiro nenhum daria um centavo, mas que para mim valia como se fosse um diamante da Tiffany. O anel havia sido da minha avó." (pág. 80)

"O snorkel, os pés de pato e eu não nos entendemos de imediato, mas, depois de receber rápidas instruções, consegui me ajeitar com o equipamento e deu até para ver alguns peixinhos coloridos. Foi meu batismo no mergulho. Sei que não se pode chamar de mergulho o simples ato de enfiar dois centímetros de rosto dentro d'água, mas meu conceito de mergulho é bem simplificado: é quando consigo, imersa, ficar com os olhos abertos." (pág. 89/90)

"Eu não tenho a menor paciência para esse jogo de cartas marcadas, em que um pede um valor absurdo, o outro oferece um valor humilhante, até atingir um empate conciliatório. Prefiro a paz de um preço fixo. Fazer compra em terra de mercadores me deixou tão pirada que teve um dia em que um cara disse que não me venderia um castiçal por menos de 80 dirham, que é a moeda local, e eu já tonta com aquele assunto disse: '80 dirham? Abuso. Dou 100, é minha última oferta'." (pág. 102)

"A primeira saída do hotel foi para reconhecimento, e isso fica mais claro nas esquinas, quando todos se acumulam aguardando o sinal abrir - ninguém ousa atravessar sem que o sinal abra, mesmo que Buda em pessoa venha avisar que nenhum carro passará por ali nos próximos 20 minutos. Não importa, espera-se. Então, quando o sinal abre, aquela massa espessa se move como se fosse uma nuvem de gafanhotos." (pág. 127)

"A estação de metrô de Shibuya é um conhecido ponto de encontro dos japoneses, principalmente em volta da estátua do Hashiko, famoso cão que ficou conhecido como símbolo de fidelidade por esperar seu dono todas as noites em frente à estação, depois de sua morte, por 10 anos consecutivos." (pág. 131)

"O Japão fica longe. São intermináveis horas de voo. E 12 de fuso horário. Quando é 6h da manhã no Brasil, são 6h da tarde lá. E estão na nossa frente também em vários outros aspectos. Na educação, na organização, na seriedade com que cumprem seus compromissos, no respeito às leis, na limpeza de suas cidades, na segurança urbana, na preservação de seu patrimônio histórico e cultural e na paciência com que aguardam sua vez, sem promover jeitinhos e sem fazer muito barulho. É uma sociedade avançada tecnologicamente, mas o destaque vai para a compostura da população. Infelizmente, no Brasil, compostura costuma ser mal comparada com rigidez. Pena." (pág. 135)

"Me julgando descolada naquele sobe e desce no meio do mato, aconteceu: na reta final, quando já nem havia obstáculos, cometi a bobeada derradeira, pisei em falso, me desequilibrei e dei de cara numa pedra, abrindo o supercílio e herdando alguns hematomas pelo corpo. Nada que precisasse de ambulância (ainda bem, pois não vi nenhuma em um raio de mil quilômetros), e secretamente concordei com o comentário da minha filha, quando mais tarde escrevi para ela contando o episódio: 'Muito bem, mãe, estou orgulhosa de ti - aventuras precisam deixar alguma marca'." (pág. 157)

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Correr ou morrer

Título: Correr ou morrer
Autor: James Dashner
Páginas: 426

Ouvi falar do livro que era a sensação do momento, que virou filme super comentado, etc, então resolvi que era hora de partir para a leitura. Terminada a leitura, achei que foi excessivo o número de páginas para contar a história que não é tão original assim. Ela me lembrou o filme "Cubo".

Um grupo de garotos preso num labirinto, sem saber por que e nem como foram parar ali, tentando encontrar a saída. No final da história o autor deixa o campo aberto para as continuações que já foram, inclusive, lançadas. No fim, não sei, acho que ficou faltando alguma coisa. Gostei mais do Cubo.

Trechos interessantes:

"Thomas olhou ao redor uma vez mais, a sensação do lugar completamente diferente agora que todos os muros estavam unidos sem possibilidade de saída. Tentou imaginar o propósito de uma coisa daquelas e não soube dizer que palpite seria pior - que eles estavam presos dentro ou que estavam protegidos de algo de fora." (pág. 32/33)

"-O que fizemos de diferente?
-Sei lá. É difícil perguntar a um morto o que ele fez de errado." (pág. 160)

"-Thomas, ando meio esquisito, cara. É estranho alguém sentir-se triste e com saudade de casa, sem ter a menor ideia de para onde acha que poderia voltar, sabe? Tudo o que sei é que não quero ficar aqui. Quero voltar para a minha família. Não importa onde seja, nem de onde me tiraram. Quero me lembrar." (pág.218/219)

"Pela primeira vez, ele sentiu algo por Chuck que o deixou com tanta raiva que lhe deu vontade de matar alguém. O garoto deveria estar na escola, em um lar, brincando com garotos da vizinhança. Ele merecia ir para casa à noite para estar com a família que o amava, que se preocupava com ele. Uma mãe que o mandasse tomar banho todos os dias e um pai que o ajudasse na lição de casa." (pág. 220)

"-Não existe saída. Só mais da mesma coisa. Um muro depois de um muro depois de um muro. Sólido." (pág. 245)

"'Foi realmente uma coisa muito idiota, Tom. Muito, muito idiota'.
'Eu precisava fazer', respondeu ele.
'Bem que eu te odiei bastante nos últimos dois dias. Você precisava se ver. A sua pele, as suas veias...'
'Você me odiou?' Sentiu-se emocionado por ela se preocupar tanto com ele.
Ela fez uma pausa.
'Esse é só o meu jeito de dizer que teria matado você se você morresse'." (pág. 337)

"-Vamos conseguir - falou ela em voz baixa.
Ouvi-la dizer aquilo só o deixou ainda mais preocupado.
-Mas que droga, estou com medo.
-Mas que droga, você é humano. Então tem de estar com medo." (pág. 361)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Bazinga!

Título: Bazinga!
Autor: Toni de la Torre
Páginas: 224

Um dos melhores seriados que já assisti, foi "The Big Bang Theory". Trata-se de um humor fino, com estilo e não aquele humor escrachado que beira ao ridículo. Um bando de nerds às voltas com projetos científicos e ao mesmo tempo brincadeiras infantis, se sentem deslocados com a vizinha gostosa que se mudou para o apartamento em frente.

Desse bando de nerds, sem dúvida, Sheldon é um caso à parte. Tem um mundo próprio, se considera o melhor de todos, não tem vida social e não perde nenhuma oportunidade em alfinetar quem quer que seja, demonstrando seu conhecimento e muitas vezes, sem que o outro se aperceba da situação. O livro é como se Sheldon tentasse se explicar aos demais. Não que ele precise, é claro.

Trechos interessantes:

"Ninguém tem o direito de dizer ao outro que ele é diferente, por um motivo muito simples: todos somos. E eu acrescentaria: ainda bem!" (pág. 14)

"Muitas pessoas passam o dia olhando para seu umbigo e pretendem que os demais façam o mesmo, contando seus dilemas e dando voltas no mesmo lugar várias vezes. Talvez Sheldon tenha razão. Talvez nós damos demasiada importância a cada minúcia do que acontece conosco." (pág. 44)

"Ramona: Dr. Cooper, preciso dizer que seus amigos o impedem de avançar.
Sheldon: Prefiro pensar que eu os estou ajudando a avançar." (pág. 62)

"Você sabe que eu sou um cara muito inteligente. Não acha que se estivesse errado eu saberia?" (pág. 78)

"A necessidade de encontrar outro ser humano para compartilhar a vida sempre me intrigou. Na certa porque sou tão interessante sozinho." (pág. 107)

"Howard decide furar a noite de Halo para sair com Christy (1x07), algo que Sheldon não entende, pois segundo ele Halo é melhor que sexo. 'Até onde sei, sexo não ganhou um upgrade que inclua gráficos de alta definição e sistemas melhorados de armas', argumenta." (pág. 142)

"Navalha de Occam
Princípio metodológico e filosófico atribuído a William de Occam, segundo o qual 'se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenômeno, a mais simples é a melhor' [pluralitas non est ponenda sine necessitate]. Isso implica que, quando duas teorias competem entre si, a mais simples tem mais probabilidade de ser a correta." (pág. 160/161)

"Princípio antrópico
Princípio que estabelece que qualquer teoria válida sobre o Universo deve ser compatível com a existência do ser humano (a palavra antrópico vem do grego anthropos, que significa homem). O enunciado clássico desse princípio diz que 'o mundo é necessariamente como é porque há seres que se perguntam por que é assim'. Ou como Sheldon a expõe: 'Se quisermos explicar por que nosso Universo existe da forma como existe, a resposta é que deve ter qualidades que permitem o crescimento de criaturas inteligentes que são capazes de fazer a pergunta'." (pág. 165)

"Trilema de Munchhausen
Argumento filosófico que mostra a suposta impossibilidade de demonstrar a certeza de uma afirmação mesmo em campos tão rigorosos como a lógica e a matemática. O trilema consiste em que só temos três formas de efetuar a demonstração, todas elas inaceitáveis: (1) o argumento circular: demonstramos A a partir de B, mas então necessitamos demonstrar B a partir de C, e assim sucessivamente, até que em algum momento acabaremos voltando a A; (2) o argumento regressivo: quando nunca regressamos a A, e o processo se repete até o infinito; e (3) o argumento axiomático, que se baseia em verdades básicas aceitas como certas por consenso. O nome do trilema é uma ironia dirigida ao barão de Munchhausen que supostamente teria escapado de um lamaçal puxando o próprio cabelo." (pág. 189)

"Penny: Posso fazer uma pergunta?
Sheldon: Pela sua educação em faculdades comunitárias, eu a encorajo a fazer o máximo de perguntas possível." (pág. 197)

"Penny, sei que você acha que está sendo generosa, mas a base de dar presente é a reciprocidade. Você não me deu um presente. Você me deu uma obrigação." (pág. 199)

"Certo, Leonard, sei que você teme me desapontar, mas quero que se sinta melhor sabendo que minhas expectativas em relação a você são muito baixas." (pág. 209)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

As sete irmãs

Título: As sete irmãs
Autor: Lucinda Riley
Páginas: 558

As filhas de Pa Salt (todas adotivas), tiveram seus nomes retirados das estrelas mais brilhantes do aglomerado chamado Plêiades. O livro começa com a morte de Pa Salt e a reunião de todas as filhas. O pai deixou a cada uma as coordenadas de onde elas nascerem para, se quiserem, procurar suas origens.

Este livro narra a trajetória de Maia, filha mais velha, se aventurando por terras estranhas para desvendar sua origem. O fato curioso é que a história dela é ambientada no Brasil, na época da construção do Cristo Redentor. Achei interessante o fato de mostrar aspectos reais da história pois, segundo a autora, foi objeto de pesquisa.

Trechos interessantes:

"Até algumas horas atrás, Pa Salt era onipotente, onipresente. Uma força da natureza que nos mantinha a salvo no ar: capazes de voar, mas igualmente sentindo sua proteção o tempo todo.
Pa costumava se referir a nós como suas maçãs douradas. Maduras e perfeitamente redondas, esperando para serem colhidas. E, agora, o galho foi chacoalhado e todas nós fomos derrubadas no chão, sem uma mão firme para nos pegar enquanto caíamos." (pág. 36)

"Apesar da certeza de que um homem como Pa poderia ter enchido nossa casa com obras de arte de valor inestimável e antiguidades únicas se assim desejasse, na realidade não tínhamos muitos artefatos valiosos. Sempre senti que ele possuía aversão a pertences materiais sem vida de qualquer valor." (pág. 50)

"Cometer erros é parte da condição de ser humano, uma vez que é assim que aprendemos e crescemos." (pág. 79)

"-Vamos visitar a casa outra vez. Acho que devo acompanhá-la. Isso pode ajudar você a ter um pouco mais de credibilidade quando ela ouvir meu nome.
Não pude evitar um sorriso diante da convicção de Floriano de que a mulher saberia quem ele era. Os europeus, mais reservados, nunca queriam ser considerados arrogantes, e faziam o possível para parecer sinceramente humildes. Os sul-americanos, por sua vez, tinham uma franqueza natural e desmedida ao celebrar suas realizações." (pág. 124)

"Ainda bem que também sou escritor, porque a Senhora Wikipédia e seus amigos usurparam minha profissão. Minhas memórias, quando eu estiver velho, não terão valor: estará tudo na internet, para todos verem." (pág. 128)

"-Dividi meu maior segredo com você - Margarida respirou fundo. - E fiz isso esperando apenas que alguma coisa de bom possa surgir do desespero e da tristeza profunda que sofri." (pág. 254)

"O problema com os artistas é que eles são apaixonados apenas pela ideia de estar apaixonados. E isso nunca leva a lugar nenhum, não importa o tamanho de sua paixão." (pág. 255)

"-[...]Achei sua filha um encanto.
-Sempre me preocupo em mimá-la demais, dou muita atenção para compensar o fato de que não tem uma mãe. - Floriano suspirou. - Seja qual for o etos moderno sobre essas coisas, os homens não nasceram com os mesmos instintos maternos que as mulheres. Mas fiz o possível para aprender - acrescentou." (pág. 309)

"-Todos nós acreditamos que nosso próprio erro é o pior, porque nós o cometemos." (pág. 492)

"Desejo tantas coisas para o seu futuro... Acima de tudo, desejo que encontre o amor. É a única coisa na vida que torna a dor de viver suportável." (pág. 529)

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Máximas e mínimas do Barão de Itararé

Título: Máximas e mínimas do Barão de Itararé
Autor: Afonso Félix de Sousa (org.)
Páginas: 188

Nada melhor que encerrar o ano dando boas gargalhadas. Para isto lancei mão do livro que apresenta os ditos e a sabedoria popular de Apparicio Torelly, mais conhecido como Barão de Itararé.

Apparicio era gaúcho, mas se destacou no Rio de Janeiro onde fundou e manteve por algum tempo um semanário, chamado A Manha, que satirizava a política e a sociedade brasileiras. Suas frases, quase sempre de cunho humorístico, são conhecidas até hoje pela maioria do povo brasileiro. Boas risadas e boa leitura.

Trecos interessantes:

"'Os vivos são sempre e cada vez mais governados pelos mortos' - dizia Comte. Itararé não se conforma e responde: 'Os vivos são sempre e cada vez mais governados pelos mais vivos'." (pág. 21)

"De onde menos se espera, daí é que não sai nada." (pág. 27)

"Quando o queijo e a goiabada se encontram na mesa do pobre, devemos suspeitar dos três: do queijo, da goiabada e do pobre." (pág. 29)

"O rapaz ia casar-se e, sendo católico, foi confessar-se. Tendo contado vários pecados, o padre, ao fim de tudo, o absolveu.
-Mas, Padre Júlio, não me dá nenhuma penitência? - estranhou o jovem.
-Pra que, meu caro. Você já vai casar-se..." (pág. 57)

"Depois do governo ge-gê,o Brasil terá um governo ga-gá." (pág. 65)

"-Como ia dizendo, meus senhores, o banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro..." (pág. 74)

"Sabendo levá-la, a vida é bem melhor do que a morte." (pág. 115)

"O trabalho nobilita o homem, mas depois que o homem se sente nobre não quer mais trabalhar." (pág. 123)

"O automóvel particular é o maior abacaxi para atrapalhar a vida dum cidadão. Se o dono do carro tem chofer, nunca poderá sair à hora que quiser, pois o cinesíforo nunca está na hora em que se precisa do automóvel. Se é o dono quem guia a caranguejola, então a coisa é muito pior, pois a vítima nunca encontra um lugar vago para colocar o seu carro. O remédio será soltar o veículo em qualquer lugar distante e caminhar a pé até o lugar onde se desejaria estacionar." (pág. 143)