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sábado, 17 de agosto de 2013

Não matem as flores

Título: Não matem as flores
Autor: Johannes Mario Simmel
Páginas: 626

Cansado de sua vida, sua esposa, sua rotina, o famoso advogado Charles Duhamel resolve abandonar sua vida e começar outra. Aproveitando um acidente de avião (no qual é dado como morto) utiliza-se de documentos falsos e transforma-se em outra pessoa. Agora, com o nome de Peter Kent, volta novamente a sentir alegria pela vida. Encontra a companheira ideal e tudo se encaminha para um futuro promissor.

Mas sua esposa, convencida de que ele não morreu no acidente aéreo, resolve mover céus e terra para provar que o marido ainda está vivo, com um nome falso em algum lugar. Satisfeito com sua nova vida, Peter não tem nenhuma intenção de retornar à antiga. Conseguirá Charles/Peter ocultar para sempre a sua existência?

Trechos interessantes:

"Tive de pensar na frase do filósofo Ernest Bloch, que escreveu: 'O ser humano precisa pelo menos de uma pequena visão de algo apaziguador que lhe traga alegria.' Simplesmente tem de ter alguma coisa, ou não conseguirá viver." (pág. 17)

"E pensei que não era a morte que resolvia todas as coisas. Não, era a vida que punha um fim em tudo, a grande felicidade e o grande amor. E fiquei muito triste." (pág. 32)

"-Deus! Deus do céu!Faça passar logo! Me deixe viver! Sim, agora eu rezava para um Deus em quem não acreditava. Quem pode entender isso? Pessoas com a minha doença entendem. Num acesso de angina pectoris acredita-se em Deus." (pág. 127)

"O minuto era o seguinte: na velha Rússia (talvez ainda hoje, quem sabe?) era costume, especialmente no campo, todos ficarem quietos um minuto na casa quando alguém iniciava uma grande viagem. Nesse minuto os outros pensavam nele, rezando para que nada de mal lhe acontecesse, para que ele não ficasse doente e sua viagem fosse bem-sucedida, e também os que não rezavam lhe desejavam isso." (pág. 151)

"Quando me contou sua história disse que sua pena elevada fora correta, pois matara um ser humano. E objetei que o homem se salvara. 'Por sorte', disse, 'senão seriam dois.' Referia-se ao outro, o falso Hans Taler, a quem raptara da prisão de Kufstein com seus amigos e tivera de matar. Disse-lhe que se não tivesse feito isso talvez tivessem sido assassinadas mil pessoas, e ele respondeu: 'É verdade. Mas matei uma pessoa. E quem mata um ser humano destrói um mundo inteiro'." (pág. 184)

"...e então me ocorreu uma frase que lera certa vez num livro: 'Se cada pessoa do mundo quisesse fazer feliz só uma única outra pessoa, o mundo todo seria feliz'." (pág. 193)

"-É uma coisa tão perversa - disse ela. - Pensamos na Polônia, e temos medo e compaixão. E no Chile e em El Salvador ninguém pensa, e ninguém tem medo, e ninguém sente compaixão, embora lá aconteçam coisas horríveis, nessas ditaduras.
-É porque a Polônia é perto, e El Salvador e Chile ficam tão longe - disse eu. - Mas que mundo é este, em que se tem compaixão e medo segundo a geografia?" (pág. 252)

"Pensando no que fiz, tenho horror de mim mesmo. Um grande escritor escreveu que o ser humano é um abismo." (pág. 296)

"Andreia era louca por saladas. Tirava o avental colorido de cozinha antes de começar a comer, e alegrava-se como uma criança quando eu dizia que tudo estava saborosíssimo. Acho que se devia dizer isso muitas vezes a uma mulher que além das outras tarefas ainda se dá o trabalho de cozinhar. Mulheres recebem tão pouco reconhecimento pelos seus inúmeros afazeres domésticos." (pág. 330)

"-E tem mais uma coisa, muito importante. Além do medo ainda temos a angústia. Uma diferença gigantesca! Pode ler em qualquer dicionário: medo é uma sensação que nasce de uma ameaça real, ou perigo real. Angústia nasce de ameaças e perigos indefinidos. Quem tem medo pode se defender, mas não quem tem angústia, por não saber do quê e contra quê. A angústia faz ficar doente. Quem tem neurose de angústia tem de ir ao psiquiatra." (pág. 346/347)

"Alguma coisa de todas as pessoas permanece na Terra. A figura da pessoa desaparece, mas tudo o que ela teve de bom, de melhor, continua no mundo. Por isso, na verdade cada pessoa é um mundo inteiro." (pág. 388/389)

"O famoso psicólogo Bruno Bettelheim disse: 'O ser humano não pode se preocupar com tantas coisas ao mesmo tempo, por isso um medo facilmente substitui o outro'." (pág. 510)

"Oelschlegel levantou-se e foi até uma grande seringueira num canto da sala. Pegou um regadorzinho de plástico vermelho e começou a regar cuidadosamente a árvore. Via-se que a amava. Talvez não tivesse mais nada para amar. Qualquer pessoa precisa ter uma coisa para amar. O juiz de instrução criminal Dr. Hans Oelschlegel amava uma seringueira." (pág. 578)

"De quanta coisa vamos nos lembrar, meu bem, de quanta coisa! Pois o que é o amor, senão lembrança?" (pág. 626)

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Deus protege os que amam

Título: Deus protege os que amam
Autor: Johannes Mario Simmel
Páginas: 240

Este livro não me agradou tanto como outros de Simmel que tenho lido. Achei a história um tanto simplista, com o desenrolar e o desfecho totalmente previsível.

Paul Holland é um jornalista que vive perambulando pelo mundo em busca de reportagens, mas que encontrou em Sibylle, uma mulher que mora na Alemanha, a razão de sua vida. Ele vai ao Brasil a trabalho e, ao retornar, descobre que Sibylle desapareceu. Ao tentar localizá-la, descobre que ela não era a simples pessoa que ele imaginava. E por aí vai...

É um bom livro, mas nem de longe se compara à qualidade dos outros de Simmel.

Trechos interessantes:

"-Frankfurt am Main, Parkstrasse, 12.
Um bom endereço, como qualquer outro. Parkstrasse 12 era o endereço do hotel Astoria, onde tinha um apartamento alugado por todo o ano. Nele eu tinha uma fotografia de Sibylle. Um guarda-roupa cheio. Alguns livros e uns manuscritos velhos. Na verdade tudo o que possuía no mundo. Não era muito. De resto, era muito pouco." (pág. 26)

"Enquanto isso eu pensava: por acaso o amor entre duas pessoas era mais forte que o ódio de Mao Tsé-tung, Foster Dulles e Bulganin? Existe amor a longo prazo neste século? E existe justiça para gatos, mudos e judeus?" (pág. 30)

"-Conheci o doutor Ehrlich no ano passado em uma conferência. Disse uma frase que nunca mais esquecerei.
-Que frase?
-Querer bem é mais importante que amar." (pág. 90)

"Os empregados usavam libré e os crupiês vestiam-se de maneira impecável. Também em Salzburgo partia-se do princípio de que o jogador perde seu dinheiro mais alegremente num ambiente mais luxuoso." (pág. 108)

"De todos os jogadores, contou-me certa vez um velho crupiê, os que estão mais em perigo são aqueles que temem alguma coisa, como a vida, a velhice, uma posição econômica insegura, doenças e morte. Os homens que estão perto dos cinquenta e as mulheres por volta dos quarenta temem a chegada do fim da plenitude da vida. São essas pessoas que numa sala de jogo se perguntam: 'Para que a prudência? Para que dar importância ao dinheiro? Para quem conservá-lo? Não importa mais'. Os cassinos vivem desses jogadores e não dos turistas temerosos e tampouco dos jogadores empedernidos que deixam milhões nas bancas mas levam outros milhões." (pág. 110/111)

"O incompreensível se torna mais lógico, mais suportável, mais tangível também, quando sai da nossa mente e o vemos escrito sobre o papel. Um pesadelo que contamos de manhã não nos amedronta mais; chega mesmo a parecer divertido e absurdo." (pág. 114)

"[...]Talvez ele tivesse acreditado por mais tempo em Stálin do que eu em Sibylle: isso era provável. Mais tempo, sim, porém mais do que eu, não. Não se pode amar mais ou menos. Só se pode amar, ou não." (pág. 143)

"Ao que parece, a distância que há entre o ódio e o amor é muito curta. Mas só se pode amar ou odiar aquilo em que se acredita. O próprio ódio pressupõe uma crença." (pág. 144)

"Os homens abandonam as mulheres, e as mulheres enganam os maridos. As relações normais entre os sexos estão degenerando. Eles já não tem muito que se dizer. A culpa talvez caiba às grandes invenções do século XX, à evolução da física ou à política, que agora penetra na vida privada dos indivíduos. Os homens transformam o mundo. As mulheres deixam de ser interessantes. Além disso, há muitas. As mulheres não são mais um problema, nem quando se corre atrás delas nem quando se as abandona. A bomba de hidrogênio é um problema, o Canal de Suez é outro, e também a coexistência pacífica. As mulheres já não são mais um problema. Ou a gente as aceita, ou a gente as deixa de lado, como melhor convier." (pág. 206)

"Naquela noite rezei. Pensei comigo mesmo que era vergonhoso e indigno fazer as pazes com Deus em um momento onde não se encontrava saída para a minha situação, mas pensei também: 'Se Deus existe, há de ser uma vitória para Ele que eu implore Sua ajuda exatamente agora que meu raciocínio não pode me ajudar'." (pág. 220)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Ninguém é uma ilha



Título: Ninguém é uma ilha
Autor: Johannes Mario Simmel
Páginas: 604

Sylvia Moran, uma grande atriz do cinema, tem tudo o que deseja: uma filha maravilhosa, o amante e companheiro sempre a seu lado, legião de fãs por todo o mundo, ou seja, tem sucesso, grana e fama.
Às vésperas de iniciar o filme que será o maior de sua carreira, participa de uma festa beneficente em prol de crianças excepcionais e faz um discurso maravilhoso. Por trás das câmaras mostra sua verdadeira face: tem horror aos excepcionais e acha que nem deveriam ser considerados gente.
O seu mundo começa a cair quando sua filha, considerada a "garota mais linda do mundo", contrai um tipo de meningite e se torna uma criança excepcional. Para não prejudicar sua carreira ela tem agora que esconder a filha, aparentar uma vida normal e conviver com aquilo que ela considerava repugnante.
O enredo em si, apesar de muito bem desenvolvido, serve apenas como um ingrediente para o objetivo principal que é discutir o problema das crianças excepcionais e da eutanásia. Se não conhece a história, leia pois vale a pena.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

É proibido chorar


Título: É proibido chorar
Autor: Johannes Mario Simmel
Páginas: 160

Literatura infanto-juvenil. Maria Langer, uma jovem de 12 anos é acusada de roubar 1800 marcos do colégio onde estuda. Ela havia dado o dinheiro a um homem com a esperança de que ele pudesse trazer seu pai que estava desparecido na guerra. O livro narra as peripécias de Maria e seus amigos, tentando recuperar o dinheiro de volta e esclarecer a situação perante o diretor do colégio.