sábado, 4 de agosto de 2012

Você está sendo vigiado

Título: Você está sendo vigiado
Autor: Gregg Hurwitz
Páginas: 262

Livro para ser lido de um só fôlego, tal é o ritmo alucinante da história. Patrick Davis é um roteirista de um filme intitulado justamente "Você está sendo vigiado" e, de repente, descobre que ele próprio está sendo vigiado. Inicia aí uma situação surrealista, cheia de reviravoltas, surpresas e mistérios que permeiam os dramas policiais.
Paralelamente à história da espionagem há os problemas de relacionamento de Patrick e Ariana, acrescentando um novo ingrediente à trama. Seguramente, para os amantes do gênero é um livro excelente pois a leitura prende a atenção, apesar da história mirabolante. A leitura é agradável e isso é o que interessa.

Trechos interessantes:

"Nunca desista, é o que dizem.
Siga seus sonhos.
Mas há outro provérbio que talvez seja mais adequado.
Cuidado com o que deseja." (pág. 16)

"Siga seus sonhos. Mas ninguém fala no que precisamos deixar pelo caminho. Os sacrifícios. As inúmeras maneiras pelas quais a vida pode ir pelo ralo enquanto esperamos o sol nascer." (pág. 18)

"Não consegui me lembrar da última vez que me senti tão bem-disposto. Em vez de Vidas em jogo, eu era protagonista de A corrente do bem." (pág. 107)

"-Antigamente você precisava ser famoso para ser famoso. Mas agora? O real é falso e o falso é real! Que atração é essa por monitorar tudo e colocar uma câmera em todos os lugares?" (pág. 128)

"-Você sabe como se cozinha um sapo, Patrick?
-Sei - respondi. - Se jogar o animal na água quente, ele pula para fora. Então você coloca o sapo dentro da água fria e cozinha em fogo baixo. Ele não percebe que está sendo cozido." (pág. 202)

"Eu tinha lido em algum lugar que um elefante pode ficar preso por um barbante sem saber que pode se desvencilhar dele. Isso acontece porque o animal simplesmente acredita que está preso." (pág. 207)

"Falam do amor como se ele se resumisse a dançar de rosto colado, fazer amor até de manhã e dar joias de presente. Mas esse sentimento pode muito bem significar ver a esposa sentada no chão da cozinha em posição de lótus depois de uma corrida, procurando uma frigideira dentro do armário." (pág. 210)

"Minha vida já não é mais como um filme. Minha vida é... minha!" (pág. 260)

terça-feira, 31 de julho de 2012

13 histórias de vida ou morte

Título: 13 histórias de vida ou morte
Autor: Alfred Hitchcock
Páginas: 222

Fechando o mês com a leitura de mais uma coletânea de Hitchcock. São 13 histórias seguindo o padrão habitual: mortes, mistérios, suspense e mais tantos itens similares.

Depois da leitura de várias dessas coletâneas, fica difícil achar alguma história com algum toque de originalidade. Mas, como aprecio o gênero, isso não me desestimula. Deste livro destaco as seguintes: "Pelo dinheiro recebido", "Quem irá sentir a falta de Arthur?" e "Amor com amor se paga".

Trechos interessantes:

"Era um caso típico, pensei, amargurado. Era o tipo de precipitação que leva a polícia a encarar os assaltantes armados como os mais perigosos de todos os criminosos. Todos eles são assassinos em potencial." (pág. 14)

"Há sempre algumas pessoas mórbidas, em cada multidão, que ficam à espreita até o último momento, na esperança de ver um cadáver." (pág. 20)

"Ficaria surpresa se descobrisse como os homens de coração mole podem se transformar em tigres, quando seus entes queridos são ameaçados." (pág. 29)

"-Acontece que o solteiro é um homem encantador. Ele pode se dar a esse luxo. Não tem qualquer compromisso. Está a salvo das pequenas e constantes brigas, que são parte integrante até dos casamentos mais firmes. Sempre se apresenta no melhor de sua forma. Quando está cansado ou entediado, ele simplesmente se retira. Tem condições de comprar flores para a anfitriã, porque não precisa pagar pela carne e batatas. Pode desculpar os pequenos defeitos dela, porque não precisa aturá-los durante todos os dias da semana..." (pág. 40)

"Brady pegou o chapéu e meteu-o na cabeça, um veterano calejado de muitos anos. Se a observação é ambígua, escolham a que melhor lhes aprouver." (pág. 96)

"-Quando a gente sente que há um animal perigoso escondido nas moitas, não se manda uma matilha de cães a ladrarem para cercá-lo." (pág. 133)

"Cerca de dois meses antes, Sam Hammond errara ao fazer uma curva, na estrada antiga. O velho carvalho com o qual o carro se chocara havia sobrevivido. Mas, Sam não tivera a mesma sorte." (pág. 178)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A alma de Anna Klane

Título: A alma de Anna Klane
Autor: Terrel Miedaner
Páginas: 212

Anatol Klane é um físico e inventor que tem, além da filha Anna - dotada de extrema inteligência - , um supremo desejo: provar a existência da alma humana. Para tanto, ele recorre a um procedimento que contraria toda a ordem lógica das coisas.
O livro é, no mínimo, perturbador. Questões filosóficas, éticas e religiosas são discutidas em suas diversas variantes. A ideia do livro não é criticar nem apoiar a atitude de Anatol, mas deixar a questão para que cada um a interprete a seu modo.

Trechos interessantes:

"...o problema é que uma operação pode salvar a vida do meu corpo, mas comprometer a minha própria vida interior." (pág. 9)

"O doutor abanou a cabeça de um lado para o outro, espantado de ver um homem aparentemente inteligente e educado ter um receio medieval." (pág. 13)

"-Qualquer sistema social que confere aos pais o poder de decidir sobre a vida e a morte de seus próprios filhos é francamente medieval. Inteiramente saído da idade das trevas!" (pág. 27)

"-O senhor teme a morte porque o senhor acredita em sua finalidade. Eu, que não tenho as suas convicções religiosas, não compartilho seu medo." (pág. 38)

"Ele sentou-se diante da moça e esperou que o extraordinário conforto de sua sala exercesse algum efeito relaxante em sua visitante inesperada." (pág. 64)

"-Pensar não é função de cérebro nenhum. Seu, meu, de animais, o que queira." (pág. 66)

"Seu subconsciente é um mecanismo automático que também não liga nem um pouco para quem o dirige. Uma pessoa hipnotizada é simplesmente alguém que deu as chaves do seu subconsciente a outro motorista. De um ponto de vista ideal, esse motorista é um bom mecânico, um profissional como eu, que correrá apenas pelos caminhos certos. Mas infelizmente, nem sempre é assim. Há motoristas de todos os tipos." (pág. 97)

"Obviamente a inteligência não pode ser tomada como critério único na nossa sociedade, para decidir se alguém possui ou não um legítimo direito à vida." (pág. 117)

"Na realidade, você só não gosta de matar porque o animal resiste à morte. Ele grita, luta, parece triste, e como que lhe pede que não o mate. E é na realidade a sua mente e não o seu corpo biológico que ouve a súplica do animal." (pág. 185)

sábado, 21 de julho de 2012

O rei branco

Título: O rei branco
Autor: Gyorgy Dragomán
Páginas: 256

O regime totalitário na visão de um menino de 12 anos. Dzsáta vê a polícia do Estado levar seu pai, mas não sabe para onde nem o motivo. Com o passar do tempo vai tomando consciência da situação e, em meio a problemas na escola, com a mãe, com o avô e tudo mais, aguarda ansioso pelo dia em que o pai vai retornar.

A história é interessante, mesmo sendo povoada de nomes impronunciáveis, mas... o que não me agradou foi o fato do livro ser todo narrado em primeira pessoa. Não há um diálogo no livro inteiro, os trechos são do tipo "eu disse isso, então ele disse aquilo e aí eu falei assim...". Isso, sem dúvida, pode ter o seu valor literário, mas torna a leitura muito enfadonha.

Trechos interessantes:

"...fiquei lá sentado martelando o canivete e pensando em como deveria ser ruim ser cego, viver em uma escuridão permanente, enxergar apenas por meio de uma bengala, e no instante em que eu estava pensando isso alguém tapou meus olhos por trás." (pág. 52)

"Eu acenei com a cabeça, mas não disse nada, o importante é que enquanto não nos fazem perguntas não devemos dizer nada porque isso só cria problemas..." (pág. 77)

"...e então a comandante dos Pioneiros fez que sim e disse que meus pensamentos eram patrióticos e faziam o Estado progredir no caminho da paz..." (pág. 86)

"...e disse que eu deveria ser um bom rapaz e deveria esperar pela minha mãe e não deveria tocar em nada, e, principalamente, não deveria tentar roubar nada, pois pagaria por isso, em seguida disse de novo que conhecia bem as crianças, sabia que eram todas pequenas ladras em quem não se podia confiar por um instante sequer, de modo que era para eu me cuidar, pois no lugar de onde aqueles objetos vinham se costumava furar os olhos dos ladrões." (pág. 143)

"...fiquei ali sentando olhando uma coisa atrás da outra, e tentei imaginar como seria se não a tivesse, se eu a procuraria ou se desejaria brincar com ela, os Matchbox, por exemplo, há um ano pelo menos não os tirava da gaveta, tirar pó eu também não tirava havia muito tempo, conhecia de cor a maioria das histórias em quadrinhos e só as olhava muito raramente, mas não conseguia imaginar o que sentiria se, digamos, abrisse a gaveta dos Matchbox e a visse completamente vazia ou se olhasse para a estante e visse que não havia nela nenhuma história em quadrinhos." (pág. 151)

"Máriusz olhou diretamente para o túnel de castanha na prateleira, apontou para ele com a mão, perguntou o que era aquilo, e aí eu não aguentei, não consegui ficar calado, disse que não era nada, não era do interesse dele, mas ao falar tive certeza de que não adiantaria, pois minha mãe olhou para mim e sorriu um sorriso severo, frio, e disse filhinho parece que você recebeu um convidado..." (pág. 180)

"...minha mãe ia saber que tinha brigado de novo, embora tivesse lhe prometido que nunca mais brigaria. Picareta disse que no mundo de hoje não poderíamos prometer uma coisa dessas." (pág. 211)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Germinal

Título: Germinal
Autor: Émile Zola
Páginas: 254

A vida cruel e sofredora dos trabalhadores das minas de carvão da França no século XIX é o principal tema abordado no livro. Trabalhando em condições sub-humanas e ganhando o que mal dá para a sobrevivência, os mineiros são forçados (após ameaça de reduzirem ainda mais os salários) a iniciarem uma greve. Mas a greve se prolonga mais que o planejado e a fome e o desespero se instalam de vez na vida dos trabalhadores.

A história em si é interessante, ainda mais quando a tradução usa de vocabulário simples, facilitando o entendimento. O autor viveu na pele a dura realidade dos mineiros e conseguiu transmitir isso aos leitores. Um livro amplamente recomendado.

Trechos interessantes:

"Apague a vela, não preciso ver a cor dos meus pensamentos." (pág. 21)

"Mas os mineiros, no fundo de suas tocas de toupeira, sob o peso da terra, sem o ar nos pulmões, continuavam a cavar." (pág. 29)

"Por que ele iria interferir? Quando as moças dizem não, é porque gostam de apanhar antes." (pág. 45)

"Se o salário cai, os operários morrem, e a procura de novos trabalhadores faz aumentar o salário. Se o salário sobe muito, a oferta de mão-de-obra faz o salário baixar... É o equilíbrio das barrigas vazias, a condenação à fome eterna." (pág. 52)

"Com o passar do tempo Étienne começou a entender melhor as novas ideias que fervilhavam em sua mente. Havia uma série de perguntas a ser respondidas: por que alguns eram tão pobres e outros tão ricos? Por que os ricos exploravam os pobres, que nunca tinham vez? A primeira etapa foi tentar compreender sua própria ignorância." (pág. 57/58)

"Mais quinze dias de greve e estaria falido. E, na certeza do seu desastre, não sentia mais raiva dos grevistas de Montsou; a culpa era geral, secular. Eram brutos, sim, mas brutos que não sabiam ler e morriam de fome." (pág. 131)

"Quem era o idiota que punha a felicidade do mundo na distribuição da riqueza? Não, o único bem era não ser, ou, sendo, ser a árvore, ser a pedra, menos ainda, ser o grão de areia que não sangra ao ser pisoteado." (pág. 140)

"Como seria fácil a revolução triunfar se o exército passasse para o lado do povo! Bastava que o operário e o camponês, nas casernas, se lembrassem da sua origem. Esse era o perigo supremo, que fazia os burgueses tremerem de medo, só de imaginar que os soldados pudessem aderir à luta do povo." (pág. 151)

"Enquanto tiverem alguma posse, nunca serão dignos de felicidade; seu ódio aos burgueses é apenas o desejo de ser como eles." (pág. 159)

"...e aqueles dois homens que se desprezavam, o operário revoltado e o chefe cético, se atiraram nos braços um do outro e choraram e soluçaram muito, resumindo a emoção profunda de toda a humanidade." (pág. 228)

domingo, 15 de julho de 2012

O outro lado da meia-noite

Título: O outro lado da meia-noite
Autor: Sidney Sheldon
Páginas: 416

O livro - um misto de romance, aventura e policial - discorre sobre o triângulo amoroso formado por Noelle Page, Larry Douglas e Catherine Alexander, passando por vários lugares, mas principalmente a França, os Estados Unidos e a Grécia. Noelle nasceu pobre mas, logo cedo, descobriu que, através de certos favores, pode-se conseguir qualquer coisa dos homens e, de galho em galho, chega a amante do maior magnata grego.

Catherine teve uma vida, digamos, mais recatada, até casar-se com Larry achando que seu sonho está realizado. Já Larry é o famoso garanhão que só quer saber de se dar bem com as mulheres. Antes de se casar, Larry envolve-se com Noelle, sendo este o estopim para a corrida de gato e rato que consome boa parte do livro.

Como os demais livros de Sheldon, a história é agradável e prende a leitura, fazendo com que tenhamos pressa em chegar ao final do livro.

Trechos interessantes:

"Os jovens são jovens demais para enfrentar a adolescência." (pág. 25)

"Ele falou sem parar durante a meia hora seguinte, discutindo, ameaçando, bajulando, mas, quando Noelle terminou de arrumar as coisas e partiu, Sorel ainda não compreendia por que a perdera, pois não sabia que jamais a possuíra realmente." (pág. 98)

"Parecia-lhe estúpido que, numa época esclarecida como aquela, as pessoas ainda acreditassem poder resolver suas desavenças, assassinando-se umas às outras." (pág. 119)

"É interessante, pensou ela, como as coisas que os outros fazem parecem tão horríveis, e no entanto, quando somos nós que as fazemos,parecem tão certas." (pág. 150)

"-Os britânicos são uma raça estranha - disse ele. - Em tempo de paz, são impossíveis de se lidar, mas em crise são magníficos. Um marinheiro inglês só é verdadeiramente feliz quando seu navio está afundando." (pág. 197)

"Você é inteligente, educada, bondosa e sexy, disse a si própria. Por que razão um macho normal, de sangue nas veias, haveria de estar morrendo de vontade de abandoná-la para poder ir à guerra e ver se consegue levar um tiro?" (pág. 206)

"Catherine tinha vontade de gritar: Diga-me qual é a surpresa, diga-me o que estamos comemorando. Mas nada falou, lembrando-se de um velho ditado húngaro: 'Só um idiota apressa as más notícias'." (pág. 207)

"Para ter sucesso, precisa-se de amigos. Para ter muito sucesso, precisa-se de inimigos." (pág. 215)

"Em qualquer outra cidade, pensou Catherine, um lugar como este seria favela. Aqui é um monumento." (pág. 276)

"A Grécia era uma maravilha de ineficiência organizada, tinha-se de relaxar e divertir-se. Ninguém tinha pressa, e se se perguntava a alguém onde ficava um lugar, era provável que a pessoa fosse levá-la para lá." (pág. 282)

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Jogando por pizza

Título: Jogando por pizza
Autor: John Grisham
Páginas: 288

O livro narra a história de Rick Dockery, um jogador de futebol americano que, após diversas trapalhadas jogando nos Estados Unidos e sem chances nos times americanos, resolve se aventurar pelo continente europeu. Defendendo a equipe do Parma e tentando se adaptar à língua, aos costumes e à cultura de maneira geral, luta para que sua equipe chegue ao "Super Bowl" do campeonato italiano.

História simples, sem muita variação e sem nenhuma pretensão. Para mim foi bastante cansativo devido ao excesso de termos específicos do futebol americano, do qual sou um completo ignorante.

Trechos interessantes:

"Os americanos sempre passavam por um breve período de choque cultural. A língua, os carros, as ruas estreitas, apartamentos pequenos, o confinamento das cidades." (pág. 44)

"As arquibancadas comportam três mil pessoas, mas quase nunca todos os ingressos são vendidos. Na verdade, isso nunca acontece. A entrada é franca." (pág. 47)

"-O que um garoto negro da Colorado State está fazendo em Parma, Itália?
-Jogando futebol americano, à espera de um telefonema. A mesma coisa que você." (pág. 51)

"Os italianos ao seu redor falavam mais do que comiam. Um burburinho suave dominava a trattoria. O ato de jantar sem dúvida envolvia comida saborosa, mas também era um evento social." (pág. 64)

"-A filosofia do supermercado não se aplica por aqui - comentou Sam. - As donas de casa planejam seu dia a partir da compra de alimentos frescos." (pág. 80)

"Não era mais um pistoleiro de aluguel, um atirador trazido do Velho Oeste para dirigir o ataque e ganhar os jogos." (pág. 221)

"E, com isso, eles passaram por outro pequeno marco, deram mais um passo em direção à vida comum. Do flerte a sexo sem compromisso, depois um estágio mais intenso. De rápidos e-mails a conversas longas pelo telefone. De um romance a distância a brincarem de casinha. De um futuro próximo incerto a uma posteridade que poderia ser partilhada. E, agora, um acordo de exclusividade. Monogamia. Tudo sacramentado com um gelato de pistache." (pág. 251)

domingo, 1 de julho de 2012

Guia politicamente incorreto da América Latina

Título: Guia politicamente incorreto da América Latina
Autor: Leandro Narloch e Duda Teixeira
Páginas: 336

Esqueça tudo o que você aprendeu nos livros de História. A realidade é bem mais sutil e instigante. Várias personalidades históricas são abordadas neste livro, mostrando que muita coisa acontece (e não é mostrada) para que se passem por "mocinhos" à luz da História. Fidel Castro, Che Guevara, Perón, Allende, Bolívar e outros são aqui desmascarados e expostos ao crivo popular.

Muitos são considerados heróis mas, após a leitura do livro, vê-se que para atingir esse ponto, ainda falta muita coisa.

Comprei o livro por acaso e, agora, me veio a curiosidade de ler o guia da História do Brasil. Deve ser igualmente interessante...

Trechos interessantes:


"Eu [Fidel] não concordo com o comunismo.Nós somos democráticos. Somos contra todo tipo de ditadores. É por isso que somos contra o comunismo". (pág. 35)

"Em 1963, [Che] ajudou a aprovar a maior inimiga dos jovens: a lei do serviço militar obrigatório. Ironicamente, o próprio Che tentou escapar do serviço militar da Argentina, em 1946, quando completou 18 anos". (pág. 43)

"Outro traço do comunismo que passa perto dos incas é a prática de mudar a história. Em Cuba, na China do século 21, na União Soviética de Stálin ou em qualquer governo comunista do século 20, o passado foi uma mercadoria política a ser alterada sem hesitação." (pág. 94)

"Na Bolívia, a folha de coca tornou-se objeto de culto oficial. O artigo 384 da Constituição é apoteótico: 'o Estado protege a coca originária e ancestral como patrimônio cultural, recurso natural renovável da biodiversidade da Bolívia, e como fator de coesão social'." (pág. 96)

"É difícil encontrar, entre todos os continentes, entre todas as épocas, uma civilização mais obcecada por cerimoniais de morte que os astecas." (pág. 98)

"É como se a trajetória de um país inteiro ao longo dos séculos pudesse ser resumida à vida de um único homem." (pág. 131)

"...o que Bolívar realmente almejava era erigir toda a América do Sul como uma única república federativa, tendo nele próprio seu ditador." (pág. 141)

"A única coisa a fazer na América é ir embora." (pág. 148)

"...o argentino, individualmente, não é inferior a ninguém, mas, coletivamente, é como se não existisse." (pág. 197)

"...a Argentina é um país com um grande passado pela frente." (pág. 197)

"Quando Perón e sua trupe retornaram a Buenos Aires, nova eleições foram convocadas e - adivinhe? - os argentinos tornaram a votar em peso no homem. Ele ganhou, assim, outra chance para destruir seu país." (pág. 225)

"Eu [Allende] não sou presidente de todos os chilenos, mas apenas dos que apoiam a Unidade Popular." (pág. 270)

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Os Bruzundangas

Título: Os Bruzundangas
Autor: Lima Barreto
Páginas: 128

Os Bruzundangas é uma coleção de crônicas publicadas pelo autor em 1917 e 1918 e que depois, em 1922, se condensaram em um livro. O autor usa estas crônicas para falar de um país imaginário, a Bruzundanga, descrevendo as coisas absurdas e sem sentido que por lá acontecem. É uma sátira mordaz sobre a sociedade brasileira da época.
O interessante é que, ainda hoje, ao lermos as crônicas daquela época, verificamos que muitas coisas ainda continuam sem sentido, não se diferenciando muito da Bruzundanga. Excetuando-se a linguagem rebuscada da época, pode-se dizer que aquelas crônicas se ajustam perfeitamente ao país de hoje.

Alguns trechos interessantes:

"A glória das letras só as tem, quem a elas se dá inteiramente." (pág. 21)

"Um doutor de lá que era até lente da Escola dos Engenheiros, apesar de ter outros empregos rendosos, quis ser inspetor da carteira cambial do banco da Bruzundanga. Conseguiu e, ao dia seguinte de sua nomeação, quando se tratou de afixar a taxa do câmbio, vendo que, na véspera havia sido de 15 3/16, o sábio doutor mandou que o fizesse no valor de 15 3/32. Um empregado objetou:
- Vossa Excelência quer fazer descer o câmbio?
- Como descer? Faça o que estou mandando! Sou doutor em matemática." (pág. 37)

"Os seus políticos são o pessoal mais medíocre que há. Apegam-se a velharias, a coisas estranhas à terra que dirigem, para achar solução às dificuldades do governo.
A primeira coisa que um político de lá pensa, quando se guinda às altas posições, é supor que é de carne e sangue diferente do resto da população." (pág. 42)

"O povo da Bruzundanga é doce e crente,mais supersticioso do que crente, e entre as suas superstições  está esta do ouro. Ele nunca o viu, ele nunca sentiu o seu brilho fascinador; mas todo o bruzundanguense está certo de que possui no seu quintal um filão de ouro." (pág. 46)

"São assim como nós que temos grande admiração pelo Barão do Rio Branco por ter adjudicado ao Brasil não sei quantos milhares de quilômetros quadrados de terras, embora, em geral, nenhum de nós, tenha de seu nem os sete palmos de terra para deitarmos o cadáver." (pág. 54)

"Na Bruzundanga não existe absolutamente força armada. Há, porém, cento e setenta e cinco generais e oitenta e sete almirantes. Além disto, há quatro ou cinco milheiros de oficiais, tanto de terra como de mar, que se ocupam em fazer ofícios nas repartições." (pág. 62)

"Um senhor que conheci, fez-se uma celebridade em astronomia, com auxílio dos saraus que lhe eram oferecidos pelos amigos. Ele tinha em casa um óculo de bordo, montado sobre uma tripeça, que, por sua vez, se alcandorava em um mangrulho erguido na sua chácara." (pág. 83)

sábado, 7 de abril de 2012

O diário de Nina

Título: O diário de Nina
Autor: Nina Lugovskaia
Páginas: 414

Considerei o livro uma propaganda enganosa: o destaque da capa ("o terror stalinista nos cadernos de uma menina soviética") está presente em, se muito, dez páginas do livro. O restante é apenas o conteúdo normal do diário de uma adolescente: garotos, escola, namoro, problemas familiares, etc.
Achei também que, ser detida, processa e encaminhada a um campo de prisioneiro, somente por algumas frases escritas contra o regime é, no mínimo, um absurdo. Mas, claro, estou analisando isso do ponto de vista de hoje, naquela época as coisas eram bem diferentes...

Trechos interessantes:

"Fico amargurada e ofendida ao constatar que meu ídolo começa a cair do trono sobre o qual foi colocado pela minha imaginação, unida à sua beleza." (pág. 49)

"Aquilo que habitualmente me tormenta, contudo, isso eu não digo a ninguém. Para quê? Alguns têm o péssimo hábito de espalhar tudo o que sabem." (pág. 54)

"'É próprio do homem ter esperança.' Penso que é verdade, não há homem que viva sem ter esperança, ela não nos abandona nem mesmo nos momentos mais terríveis da vida." (pág. 66)

"De início sofria terrivelmente, acontecia-me ter vontade de contar muitas coisas e de vez em quando eu o fazia, mas ninguém me escutava com atenção. Pelo contrário, com frequência eu percebia que aquilo que mais me importava não interessava nem um pouco aos outros." (pág. 80)

"Como é cruel a natureza, e como escarnece de nós! Ela me dotou de paixão, constância, uma rara e extraordinária paciência e até de uma certa força de vontade, mas depois se esqueceu de me dar o essencial: talento." (pág. 91)

"Os homens jamais verão o tempo em que no mundo todos serão iguais, quando um não terá o direito de coagir e ofender o outro, quando não existirão fortes que decidem tudo e fracos que não têm direitos." (pág. 95/96)

"Aquele sonho era belo justamente por ser sonho, eu me habituara a ele, gostava dele, mas... quando surgiu a possibilidade concreta de realizá-lo, eu me apavorei, sentia que isso não devia acontecer." (pág. 115)

"...até a beleza comporta sofrimentos, mas o que são eles comparados à felicidade que a beleza traz?" (pág. 135)

"...a vida fica tão aborrecida quando não há emoções!" (pág. 192)

"...mas em toda pessoa existem lados positivos, e ela também os tinha. Estava alegre, conversadeira, e com ela não me senti embaraçada. Em geral, nesse tipo de situação as pessoas se tornam melhores e mais solidárias, já que o mal nasce do ócio." (pág. 302)

"Aprendi a considerar com serenidade os meus defeitos, portanto aprendi a não me dar por vencida, porque me enfurecer e virar bicho significa admitir que a luta é desigual." (pág. 308)

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Rebuliço no pomar de goiabeiras

Título: Rebuliço no pomar de goiabeiras
Autor: Kiran Desai
Páginas: 220

Um olhar sobre a Índia e seus costumes, esta é a tônica deste livro. Assistir a um filme ou ler um livro de uma cultura diferente sempre é um pouco estranho. Apesar da evidente diferença, instintivamente fico tentado a comparar os hábitos e costumes aos quais estou acostumado.
A história em si é, no mínimo, curiosa: Sampath é um jovem que, na família e no trabalho, não tem muito futuro. Vai mal na escola, não para em nenhum emprego e em casa é um desajustado. Quando todos pensam que ele está fadado a ser um transtorno, eis que ele sobre numa goiabeira e, de repente, passa a ser um guru famoso adorado por todos. E quando tudo está indo bem surge um bando de macacos para tumultuar o "templo" do jovem guru.

Trechos interessantes:

"Boletins com tantos F vermelhos que a letra parecia ter-se multiplicado com abandono, desregradamente, pela ausência de competição do resto do alfabeto." (pág. 28/29)

"-Mas o mundo é redondo - disse Ammaji, satisfeita com sua própria inteligência - Espere e verá! Mesmo que pareça que está indo para baixo, ele sairá do outro lado. Sim, no topo do mundo. Está apenas tomando a estrada mais longa." (pág. 31)

"Macacos subiam em árvores. Besouros viviam em árvores. [...] Mas para alguém viajar uma longa distância simplesmente para se sentar em uma árvore era absurdo. Permanecer sentado ali por alguns dias era ainda mais ridículo." (pág. 60)

"A garota deveria ter passado em todos os exames no primeiro grau, mas esvutaria respeitosamente as preleções dos futuros parentes sobre diversos temas em que eles próprios haviam sido reprovados na escola secundária." (pág. 62)

"Refratário aos encantos de Pinky como sempre, ele havia prosseguido seu caminho, a sua vida sólida como uma rocha e não perturbada pelo amor. Quando a hora certa chegasse, encontraria a garota certa sem a dilaceração do romance." (pág. 117)

"Gostava muito de teorias. Bastava alguma coisa chamar a sua atenção e, independentemente de ser ou não um problema, ele elaborava imediatamente uma hipótese, complementada pelos passos a serem dados e as conclusões possíveis." (pág. 141/142)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Nada de novo no front

Título: Nada de novo no front
Autor: Erich Maria Remarque
Páginas: 232

Magnífico livro que nos mostra o quão sem sentido é a guerra. Narrado em primeira pessoa, mostra a I Guerra Mundial sob o ponto de vista de um jovem de 19 anos, que deixa para trás família, amigos e tudo o futuro que sonhava para ingressar na linha de frente da batalha, onde não vê o menor propósito.
Paul Baumer vê os companheiros de regimento como sua nova família e sofre ao ver o que a guerra faz com cada um deles. Um livro franco, sincero e honesto, apresentando a guerra não como um ato heróico e cheio de bravuras, mas como uma estupidez sem sentidos.

Trechos interessantes:

"A guerra não seria tão insuportável se a gente pudesse dormir mais." (pág. 8)

"Com o passar do tempo, acostumamo-nos a muitas coisas..." (pág. 12)

"Aprendemos que um botão bem polido é mais importante do que quatro livros de Schopenhauer." (pág. 24)

"Se ele ao menos abrisse a boca e gritasse! Mas chora apenas, com a cabeça virada para o lado. Não fala de sua mãe, nem dos irmãos; não diz nada; agora, tudo ficou para trás: está só, com a sua pequena vida de dezenove anos, e chora porque ela o abandona." (pág. 31)

"-Ouçam o que eu digo: vamos perder a guerra porque batemos continência bem demais." (pág. 38)

"De toda aquela arenga, pouco ou quase nada sabemos. Também não nos serviu para nada. Mas na escola ninguém nos ensinou a acender um cigarro na chuva ou na tempestade de vento, nem a preparar uma fogueira com madeira molhada, nem que é melhor enfiar uma baioneta na barriga, porque lá ela não fica presa como nas costelas." (pág. 74)

"Há alguns anos, ter-nos-íamos desprezado terrivelmente. Agora, estamos bastante satisfeitos. É tudo uma questão de hábito, até mesmo o front." (pág. 115)

"Nunca fomos dados a grandes demonstrações de carinho na nossa família; isso não é comum entre gente pobre, que tem de trabalhar muito, sempre sob o peso das preocupações. Não gostam de repetir o que já sabem. Quando minha mãe me chama de 'meu garoto', isto significa tanto quanto as expressões mais efusivas ditas por qualquer outra pessoa." (pág. 131)

"-Pensando bem, é curioso. - continua Kropp - Estamos aqui para defender a nossa pátria. Mas os franceses também estão aqui para defender a deles. Quem tem razão?" (pág. 164)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Histórias para noites sem luar

Título: Histórias para noites sem luar
Autor: Alfred Hitchcock
Páginas: 214

Do total de 12 contos deste livro, nada menos que 6 são histórias de ficção, fato raro para um livro desta categoria. Geralmente há uma ou outra história de ficção, mas nunca a metade... E, apesar de haver tantas, não houve nenhuma que me chamasse a atenção. Claro, algumas são boas, mas não são ótimas como eu estava esperando.
Gostei mais da outra metade do livro, as histórias "normais", onde destaco principalmente "Uma noite na cobertura" e "O assalto".

Trechos interessantes:

"Seria necessária toda uma vida de autoridade para manifestar tanta autoridade na voz áspera, profunda, musicalmente controlada." (pág. 90/91)

"Houve uma troca de olhar entre as duas mulheres, um instante que perdurou... e esse instante foi intemporal. Foi uma pausa extraordinária, em que ocorreu um longo diálogo silencioso, no espaço de um segundo." (pág. 93)

"Duas cabeças se viraram e olhos pretos fitaram olhos azuis. Os azuis estavam transbordando de lágrimas por derramar." (pág. 113)

"Era uma vista difícil de se resistir; as luzes da cidade, como estrelas presas à terra, sempre haviam atraído e excitado Brander." (pág. 175)

domingo, 25 de dezembro de 2011

Farinha órfã

Título: Farinha órfã
Autor: José Mauro de Vasconcelos
Páginas: 130

Para encerrar o ano nada como a releitura de um livro de José Mauro, um dos meus escritores favoritos, que usa uma linguagem simples e fala de coisas da minha terra.
Este livro é composto por seis contos onde a tônica principal é a solidão. São histórias de gente simples que, por um motivo ou outro, se encontram à margem da vida e nada mais lhes resta senão aceitar a solidão e o esquecimento.
Um livro pequeno mas que nos convida a muitas reflexões.

Trechos interessantes:

"Farinha órfã é o mesmo que solidão." (pág. 6)

"Adão Jesus puxou mais a velhice das suas costas e empurrou a vida pra frente." (pág. 12)

"Que adiantava reclamar? Não era Deus que tirava o seu presente. E sim a maldade dos homens." (pág. 26)

"Olhávamo-nos desconfiados. Eu com nojo de existir. Ele com medo de me ter criado. Duas condenações se defrontando." (pág. 55)

"Deus me fez e Deus me disse: não use camisa xadrez para que o peito não prenda liberdade nem amor." (pág. 85)

domingo, 18 de dezembro de 2011

O misterioso caso de Styles

Título: O misterioso caso de Styles
Autor: Agatha Christie
Páginas: 200

Releitura de mais um fantástico livro de Agatha Christie.
Mesmo que não goste do estilo, acho que todos deveriam ler pelo menos um livro da rainha do crime. É o mínimo que se pode fazer a esta simpática senhora que dedicou a vida a engendrar as tramas mais complicadas da literatura policial. Cada livro tem sua peculiaridade e este não foge à regra.
Há tempos que já deixei de tentar descobrir quem é o criminoso, agora apenas saboreio a história.
A história? É comum à maioria dos seus livros: uma rica senhora é assassinada e todos os envolvidos têm motivos e oportunidade para cometer o crime. Resta descobrir quem foi. Parece fácil, mas em se tratando de Agatha Christie, nada é fácil.

Trechos interessantes:

"...pode-se morar numa grande casa e não se ter conforto algum." (pág. 45)

"Um homem metódico era, na conceituação de Poirot, o louvor mais elevado que se podia conceder a um indivíduo." (pág. 58)

"É mulher dotada de cabeça e também de coração, Hastings. Embora o bom Deus não lhe tenha dado beleza alguma!" (pág. 72)

"A explicação mais simples é sempre a mais provável." (pág. 82)

"Se o fato não se ajustar à teoria, deixa-se a teoria de lado." (pág. 84)

"Sempre é sabedoria suspeitar de todos, até que se possa provar logicamente, e para sua própria satisfação, que eles estão inocentes." (pág. 117)

"Dois são bastantes para um segredo." (pág. 127)

"Todo assassino é provavelmente velho amigo de alguém." (pág. 159)

sábado, 17 de dezembro de 2011

O Rei de Ferro

Título: O rei de ferro
Autor: Maurice Druon
Páginas: 284

O livro nos fala sobre a corte do rei francês Felipe IV (conhecido como Felipe, o Belo), retratando o início da Guerra dos Cem Anos. O rei Felipe, em sua perseguição à Ordem dos Templários, condena à morte na fogueira um grupo de cavaleiros da Ordem e, durante a execução, o chefe templário lança uma maldição sobre o rei e toda a corte francesa.
A família real se vê envolvida em promiscuidade, adultério, corrupção, vingança e toda sorte de acontecimentos que desestruturam a corte francesa, acentuando a maldição dos Templários.
Pessoalmente, pensei que o livro fosse monótono e desinteressante mas, para minha surpresa, estava enganado. O livro é agradável de se ler e há também o lado histórico que facilita o entendimento e prende a atenção. Sem dúvida, uma boa opção de leitura.

Trechos interessantes:

"Vossas cunhadas poderão usar a coroa, mas nunca serão rainhas. E é por isso que sempre vos tratarão como inimiga." (pág. 20)

"-Obrigado, Senhor meu Deus, por me terdes deixado o ódio. É a única coisa que ainda me sustenta..." (pág. 31)

"As dificuldades, que dão sabor a um amor nascente, tornam-se intoleráveis a um amor de três anos, e muitas vezes a paixão morre exatamente em consequência do que a fez nascer." (Pág. 65)

"Os companheiros de viagem separaram-se calorosamente, felicitando-se um ao outro pelo prazer de sua amizade nascente e prometendo rever-se bem depressa, em Paris. São coisas que se dizem, em viagem, mas que não se fazem..." (Pág. 128)

"Por causa daquele vestido que seguia na frente, entre os prados verdejantes, a primavera acabara de romper para Guccio, que três dias antes em nada reparara." (Pág. 151)

"Eu não vos casei com um homem - disse ele - mas com um rei." (Pág. 164)

"'Sabe-se sempre quem se golpeia', pensava ele, 'mas não se sabe nunca, do alto do trono, se o bem que se quis fazer foi feito, e a quem.'" (Pág. 263)

"Todos os homens acreditam um pouco que o mundo nasceu com eles e sofrem, no momento de partir, por deixar o universo inacabado." (Pág. 272)

sábado, 10 de dezembro de 2011

Quando vier o amanhã

Título: Quando vier o amanhã
Autor: Peter O'Connor
Páginas: 120

Livro pequeno, história simples, leitura fácil. Avô, à beira da morte, sonha em ver o eclipse total do sol e convence sua neta a levá-lo.
A historinha, perfeitamente previsível, é somente uma maneira do autor incutir na mente do leitor, palavras de fé, esperança, determinação e força de vontade.
Resumindo: não desista dos seus sonhos. Como disse, uma história singela.

Trechos interessantes:

"No final, todos nós morremos - disse ele gentilmente - o que faz a diferença é o quanto foi válida a vida e não o quanto foi longa." (pág. 15)

"Todos nós temos apenas uma vida e gastá-la em qualquer coisa que não seja a nossa verdadeira paixão é uma grande tragédia." (pág. 23)

"Eu tive uma boa vida. Eu não me arrependo de nada que fiz e tampouco você deveria se arrepender." (pág. 95)

"Nem tudo acontece como nós gostaríamos que fosse, então temos que tirar proveito, ao máximo, da situação." (pág. 97)

"Eu nunca me esqueço de que para as coisas mudarem, nós devemos mudar." (pág. 98)

"Se você se encontrar deixando para o dia seguinte as coisas que você quer fazer, lembre-se, o amanhã nunca vem." (pág. 119)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Histórias para ler no cemitério

Título: Histórias para ler no cemitério
Autor: Alfred Hitchcock
Páginas: 142

Mais uma coletânea do mestre do suspense, apresentando 13 histórias, como a maioria das coletâneas do autor. Um dos contos, no entanto, foge às características dos demais e ocupa o espaço de 4 contos normais. A história está dentro dos padrões do gênero, mas a disparidade de tamanho com relação aos outros contos não é do meu agrado.
Algumas histórias são boas, mas apenas quatro delas me impressionaram: "A senhoria", "Escalada social", "O Homem no poço" e "As lagostas".
Para os amantes do gênero, um prato feito.

Trechos interessantes:

"Não há nada mais irritante do que uma coisa que fica pairando à margem da memória, recusando-se a surgir em foco." (pág. 32)

"Como um corolário lógico da afeição de O'Leary pela auto-estrada havia sua aversão por aqueles que abusavam dos privilégios. E os piores eram os que tinham a mania de ultrapassar a velocidade  máxima permitida." (pág. 54)

"Bogan sabia que aqueles sorrisos nada significavam e sentiu o coração bater mais depressa de raiva. Eram apenas como um osso jogado a um cão faminto, nada mais além disso." (pág. 67/68)

"Não se assustara com o que vira, mas tudo tinha que ser feito com dignidade, até mesmo candidatar-se a um emprego." (pág. 93)

"Quero enfrentar algo de que tenho corrido durante todos esses anos, compreender que, agora, todos aqueles acontecimentos já não tem mais qualquer significado." (pág. 95)

"Todos nós estamos envolvidos nos destinos uns dos outros. Um homem simplesmente não pode ficar de braços cruzados, vendo outro destruir-se." (pág. 103)

domingo, 6 de novembro de 2011

Como me tornei estúpido

Título: Como me tornei estúpido
Autor: Martin Page
Páginas: 158

Antoine é um rapaz inteligente e com poucos amigos e acredita que o grande problema de sua vida é ser inteligente. Segundo ele as pessoas estúpidas têm mais privilégios e resolve então se tornar estúpido para aproveitar as chances da vida.
Depois de várias tentativas, consegue o seu objetivo mas perde os poucos amigos que tinha e vê que todo o seu esforço não valeu a pena.
Mesmo sendo interessante a ideia, não consegui capturar a essência do livro: para um trabalho de humor faltaram partes engraçadas; para um trabalho sério há excesso de situações inusitadas. No fim das contas, acho que o estúpido sou eu mesmo.

Trechos interessantes:

"Ele seria alcoólatra, ou seja, alguém que tem uma doença socialmente reconhecida. Os alcoólatras são compreendidos, são cuidados, têm uma consideração médica, humana. Ao passo que ninguém pensa em compadecer-se das pessoas inteligentes." (pág. 15)

"Ele queria tornar-se alcoólatra inteligentemente, de maneira construtiva e culta, conhecer os segredos do veneno que o salvaria." (pág. 17)

"O alcoolismo é uma atividade que requer certa dedicação,é preciso consagrara ele muitas horas por dia. Requer uma disciplina, digamos, olímpica. Eu não acredito que você tenha capacidade para isso, rapaz." (pág. 21)

"...é o álcool que decide se você é apto para tornar-se um bêbado." (pág. 22)

"Rodolphe podia esperar obter o grau de mestre dentro de dois anos, passar a professor universitário dentro de sete anos e morrer completamente esquecido uns sessenta anos depois, deixando uma obra que influenciará gerações e gerações de traças." (pág. 33)

"Antes, eu queria suicidar-me por desespero, agora a principal causa do meu desespero é que eu não consigo suicidar-me." (pág. 36)

"Além disso, o suicídio é a minha vocação; desde quando eu era criança, é a minha paixão. Com que cara vou ficar se morrer aos noventa anos de causa natural?" (pág. 37)

"Um câncer achou que o meu corpo seria uma bela ilha paradisíaca e ali ele passa as suas férias, com os pés no oceano do meu sangue, bronzeando-se sob o sol do meu coração..." (pág. 47)

"Penso que ser inteligente é pior que ser asno, porque o asno não se dá conta disso, ao passo que qualquer inteligente, ainda que humilde e modesto, o sabe forçosamente." (pág. 56)

"...você quer dizer que foi estúpido por tentar ser tão inteligente, que você se enganou e que tornar-se um pouco estúpido é que será inteligente..." (pág. 69)

"A vida é um animal que se alimenta de cheques e cartões de crédito." (pág. 103)


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Era uma vez um corredor

Título: Era uma vez um corredor
Autor: John L. Parker Jr.
Páginas: 246

Os livros com título específico têm um público definido: no caso deste, os amantes do atletismo. Não há como negar, mesmo se tratando de uma boa história, consistente, com pitadas de humor, com uma narrativa linear e tudo mais, quem não tem uma noção, por mínima que seja, do atletismo, ficará perdido entre tantos nomes e personagens ligados a este esporte.
Um jovem corredor tem como sonho fazer o percurso de uma milha num tempo abaixo de 4 minutos, algo impensável para o ser humano comum. Mas isto não é uma coisa fácil. A carga de treinamento é absurda, levando o atleta a questionar a finalidade de tudo isso. Quem tem paixão pelo atletismo, mesmo sendo um "atleta" de fim de semana, como é o meu caso, consegue entender cada sacrifício suportado pelo personagem (quilômetros de sacrifício), cada segundo conquistado, cada suor derramado. Para a maioria das pessoas tudo isso é sem sentido.
Resumindo: se você se interessa por atletismo, sem dúvida é uma ótima escolha, caso contrário, achará o livro muito entediante.

Trechos interessantes:

"Em alguns círculos, quatro anos é muito tempo; mas, contados em tempo real [...] não o é, de modo algum." (pág. 10)

"É possível lembrar, disse a si mesmo, mas não se pode reviver a experiência. Temos de nos contentar com as sombras." (pág. 11)

"Anos depois, esse curioso objetivo seria alcançado do modo como metas difíceis ou impossíveis costumam ser atingidas por homens de muito poder e poucos escrúpulos, ou seja, por baixo do pano." (pág. 14)

"Ele ficou sentado em silêncio durante cinco minutos olhando para aquela pequena e triste mensagem amarela, depois calçou seus tênis e saiu para correr, chorando como uma criança." (pág. 30)

"Correr vinte e quatro escaldantes quilômetros numa praia longa e plana só parece um esporte agradável para quem nunca o experimentou na prática. Além disso, o oceano é infinito demais; o caminho dá a impressão de que nunca vai acabar." (pág. 46)

"Deve existir alguém capaz de se sentir realizado por ser o melhor gerente de hortifrutigranjeiros que um supermercado já teve. O que é ótimo. Isso dá às pessoas a sensação de que valem alguma coisa num mundo lotado, no qual todos se sentem apenas parte do cenário. Mas a maioria das pessoas é poupada de qualquer vislumbre angustiante da própria mediocridade." (pág. 61)

"Queriam já estar na corrida. Queriam ter terminado. A disputa em si era suportável,pois era para isso que tinham treinado. A espera, no entanto, era uma experiência infernal." (pág. 96)

"A guerra é prejudicial a crianças e outras criaturas vivas." (pág. 158)