sábado, 27 de dezembro de 2014

Aléxandros - As areias de Amon

Título: Aléxandros - As areias de Amon
Autor: Valerio Massimo Manfredi
Páginas: 350

Este livro é a segunda parte da história de Alexandre. Nele são apresentadas as suas façanhas no campo de batalha. Estratégias de guerra, alianças, traições, espionagens, contra-ataques, enfim todas as artimanhas que permeiam as épicas batalhas.

Não deve ser fácil comandar um exército de cem mil homens, que passa anos e anos se deslocando por terras cada vez mais longínquas, com o objetivo de aumentar seu reino. Além das batalhas em si, ainda há o problema de alimentação para homens e animais, tratar dos feridos, montar e desmontar as máquinas de guerra em cada cidade que desejam conquistar. Em suma, é uma tarefa gigantesca. Somente lendo o livro para se ter uma ideia.

Trechos interessantes:

"-Tudo isso não tem a menor importância, bem sabes disso - replicou Calístenes. - Em Esparta, no templo dos Dióscuros, mostram o ovo do qual teriam nascido os dois gêmeos irmãos de Helena, mas eu pessoalmente acho mais provável que se trate de um ovo de avestruz, um pássaro líbico com a altura de um cavalo. Os nossos santuários estão cheios deste tipo de relíquias. O importante é o que as pessoas querem crer, e elas precisam crer, precisam sonhar." (pág. 12/13)

"-É neste trecho de mar, no mero espaço que podemos abarcar com o olhar, que se decidiu a sorte das guerras persas: aquela ilhota perto da cidade é Lade, e foi lá que a frota dos rebeldes foi aniquilada pelos persas.
-Agora Calístenes vai dar uma aula de história, como se já não nos bastassem aquelas do seu tio, em Mésia - comentou Heféstion.
-Calado! - silenciou-o Alexandre. - Se não conheces o passado, não podes entender o presente." (pág. 85)

"-Eu não preciso de descanso nenhum - disse - e ainda tenho condições para ensinar a qualquer um aqui dentro, exceto o rei - mas dava para entender claramente que queria dizer 'inclusive o rei' - como segurar uma espada. E se me for permitido decidir eu mesmo a este respeito, só há uma maneira de mandar-me de volta à pátria antes do cumprimento da campanha, qualquer que seja a sua meta final: reduzido a cinzas e dentro de uma urna funerária." (pág. 101)

"-Pego aquilo de que preciso onde consigo encontrá-lo, e de qualquer maneira é meu dever descobrir tudo o que há para se descobrir: eu mesmo decidirei o que ocultar, o que contar e como contá-lo. Esta é a grande vantagem dos historiadores." (pág. 146)

"-Parece que o seu humor mudou - observou Ptolomeu.
-Com efeito - admitiu Seleuco. - Talvez tenha lembrado o que sempre dizia Aristóteles: 'Ou há uma solução para o problema, e então não há com o que se preocupar, ou não há solução, e então tampouco há com o que se preocupar'." (pág. 221)

"Desfilaram no grande rio diante das pirâmides que brilhavam como diamantes sob o sol a pique e diante da gigantesca esfinge, ali deitada havia milênios para cuidar do sono dos grandes reis.
-Segundo Heródoto, trinta mil homens levaram trinta anos para erguê-la - explicou Aristóxeno.
-Achas que é verdade? - perguntou Alexandre.
-Creio que sim, embora neste país se contem mais histórias do que em qualquer outra parte do mundo, simplesmente porque aconteceram muitas coisas, com o passar dos séculos." (pág. 335)

"Alexandre ficara calado até aquele momento, continuava andando absorto, como se estivesse seguindo uma voz misteriosa. Todos olharam para ele, já cientes de que estavam sendo conduzidos por um ser sobre-humano que podia sobreviver a ferimentos que teriam matado qualquer outro, que podia fazer chover no deserto e talvez até fazer crescer flores nele, se assim quisesse." (pág. 345)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O guardião de memórias

Título: O guardião de memórias
Autor: Kim Edwards
Páginas: 362

David é um médico renomado que venceu na vida por seus próprios méritos, mas constantemente atormentado pela morte da irmã, quando eram crianças. Norah, esposa de David, está grávida e o próprio David irá realizar o parto. Nasce Paul, uma criança saudável e depois uma menina com síndrome de Down. David pede à enfermeira para doar a menina a uma instituição (alegando que ela teria pouco tempo de vida e iria sobrecarregar a esposa) e diz a Norah que a menina havia morrido no parto.

Mas a enfermeira se recusa a entregar a criança à instituição e passa a criá-la como sua filha. Apesar de todas as dificuldades a menina vai se desenvolvendo enquanto David luta com a consciência sobre contar ou não o fato à mãe e Norah, desde o início se sente abalada com a notícia da morte da menina. Com o passar dos anos, por mais que David se esforce para apagar esse episódio de sua vida, sua família vai cada vez mais se desestruturando.

Trechos interessantes:

"Norah olhou para o rosto pequenino do filho, surpresa, como sempre, ao ouvir seu nome. O menino ainda não crescera o bastante para assimilá-lo, ainda o usava como uma pulseira que poderia soltar-se facilmente e desaparecer. Ela havia lido sobre pessoas - também não se lembrava onde - que se recusavam a dar nome aos filhos durante várias semanas por acharem que eles ainda não faziam parte da Terra, ainda estavam suspensos entre dois mundos." (pág. 43)

"-Você tem razão, Norah, tudo pode acontecer, a qualquer momento. Mas as coisas que correm mal não são culpa sua. Você não pode passar o resto da vida pisando em ovos, tentando evitar os desastres. Não funciona. Você só acabará perdendo a vida que tem." (pág. 76)

"-Meus pais tinham grandes sonhos para mim - disse. - Mas eles não combinavam com meus próprios sonhos." (pág. 108)

"Paul também havia adorado aquilo quando pequeno, não tanto pelo ritual da pesca,  mas pela chance de passar algum tempo com o pai. À medida que ficara mais velho, porém, as pescarias tinham passado a parecer cada vez mais obrigatórias, como uma coisa que seu pai planejava por não conseguir pensar em mais nada para fazer." (pág. 189)

"Quando eu tinha mais ou menos a sua idade, arranjei um emprego, para poder frequentar o colégio na cidade. E aí a June morreu, e eu fiz uma promessa a mim mesmo: ia sair e consertar o mundo - disse, e abanou a cabeça. - Bem, é claro que não foi o que fiz, na verdade. Mas nós estamos aqui, Paul. Temos tudo em abundância. Nunca nos preocupamos em saber se teremos o bastante para comer. Você irá para a faculdade que quiser. E, no entanto, só consegue pensar em se drogar com seus amigos e jogar tudo fora." (pág. 200)

"O que mais posso lhe dizer? Você se poupou muitas dores de cabeça, com certeza. Mas, David, também perdeu muitas alegrias." (pág. 225)

"David tinha tentado proteger o filho das coisas que sofrera quando criança: pobreza, preocupações, tristezas. Mas seus próprios esforços haviam criado perdas que ele nunca tinha previsto. A mentira crescera entre eles como uma rocha, obrigando-os a também crescerem de forma estranha, como árvores retorcidas em volta de um pedregulho." (pág. 233)

"Nas montanhas, e talvez no mundo em geral, havia uma teoria da compensação que dizia que, para tudo que era dado, outra coisa se perdia, de maneira imediata e visível. Bom, você herdou a cabeça, mesmo que sua prima tenha herdado a beleza. Elogios sedutores como flores, mas espinhosos com seus opostos: É, você pode ser esperto, mas é feio como o diabo; você pode ser bonito, mas não tem cérebro. Compensação, equilíbrio do universo." (pág. 237)

"A família de David tinha sido muito pobre; todos os seus conhecidos eram pobres. Não era crime, mas bem que poderia ser. Era por isso que se guardavam coisas, motores velhos, latas de conserva e garrafas de leite, espalhados pelos gramados e pelas encostas: uma defesa contra a necessidade, uma precaução contra a carência." (pág. 238/239)

"Preocupara-se com a responsabilidade que teria de assumir, com o modo como sua vida se modificaria com o fardo de uma irmã retardada, e ficara surpreso - atônito, na verdade - ao ouvir essa própria irmã dizer Não, eu gosto da minha vida como está, não, obrigada." (pág. 356)

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

A jogadora de xadrez

Título: A jogadora de xadrez
Autor: Bertina Henrichs
Páginas: 160

Eleni é casada, mãe de dois filhos e trabalha de camareira num hotel de uma pequena ilha grega. Ao arrumar o quarto de um casal francês, depara com um jogo de xadrez (que não conhecia) e fica impressionada, tentando descobrir como funciona. Compra um jogo para dar de presente ao marido, que não dá a mínima, e ela passa então a aprender o jogo, com a ajuda de um professor da cidade.

O que achei realmente de interessante no livro é o fato de usar uma mulher como personagem principal, já que, em geral, as mulheres não são muito adeptas do xadrez. Há exceções, claro, mas a grande maioria de aficcionados por xadrez é homem. Livro pequeno, história interessante e agradável de se ler.

Trechos interessantes:

"Atingira aquele ponto da vida que, na falta de algo melhor ou para efeito de encorajamento, costuma se chamar de a força da idade; a idade espremida entre a dos pais que envelhecem e a dos filhos adolescentes; idade vaga, em que os homens já não torcem o pescoço à sua passagem e em que as outras mulheres já não invejam nada em você." (pág. 10)

"Mesmo que tivesse mais facilidade para falar, jamais conseguiria convencer Katherina, que não conseguia ver nada além da aparência das coisas: um tabuleiro com 64 casas, peças brancas e pretas, e duas pessoas caladas a movê-las com a maior seriedade depois de uma reflexão que poderia levar horas." (pág. 65)

"'O que você quer...', comentavam as pessoas ao vê-lo passar perdido em seus pensamentos, 'ele também envelhece. Está se desligando do mundo exterior. É da natureza das coisas'." (pág. 77)

"No caso dele, a leitura chegara a ocupar um lugar jamais outorgado a nenhum ser humano. Por que perder tempo em inúteis conversações cotidianas quando podemos estar sempre em contato com os melhores e os mais instigantes pensadores de todos os tempos? Por que permitir que a vida seja ocupada por seres medíocres - atraentes, é verdade, mas de raciocínio fraco -, quando temos a possibilidade de visitar Platão, Sêneca e Proust?" (pág. 78)

"Numa de suas noites de combate, deu-se conta, subitamente, de que todos os grandes teóricos eram homens. Nunca ouvira falar de alguma grande jogadora de xadrez. O talento para o tabuleiro parecia residir em algum lugar dentro dos testículos." (pág.94)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A linguagem das flores

Título: A linguagem das flores
Autor: Vanessa Diffenbaugh
Páginas: 294

Victória é uma jovem que cresceu passando de um orfanato para outro. Isso a tornava cada vez mais revoltada e indiferente a tudo. Ao completar os 18 anos ela tem que sair do orfanato e cuidar de sua própria vida. O que acontecerá já que ela tem um desprezo total por todas as pessoas e pela vida de maneira geral?

O livro apresenta uma grande lição de vida, baseada numa frase simples: você tem que querer. Se a mudança partir de você, muitas coisas podem de fato acontecer. Além da história de vida de Victoria outro ponto agradável no livro é a informação do significado de vários tipos de flores. Curioso, mas interessante.

Trechos interessantes:

"-Acredito que você também pode provar que todos estão errados, Victoria. Seu comportamento é uma escolha, não quem você é de verdade." (pág. 45)

"Lembrei-me das palavras que Meredith me dissera na Gathering House e outras centenas de vezes antes: Você tem que querer. Você tem que querer ser uma filha, uma irmã, uma amiga, uma estudante, repetira ela à exaustão. Eu nunca quisera nenhuma dessas coisas e as promessas, ameaças ou subornos de Meredith nunca haviam mudado minha convicção. Mas, de repente, eu soube que queria ser florista. Queria passar minha vida escolhendo flores para desconhecidos, meus dias oscilando entre o frio da câmara frigorífica e o barulho da gaveta da registradora." (pág. 55)

"Ela colocava uvas em sua boca e depois na minha, falando números que correspondiam ao grau de maturação: 74/6, 73/7 e 75/6. Isto, dizia quando localizávamos um cacho maduro, é o que você precisa ter em mente. Este exato sabor - açúcar 75 e tanino 7. Essa é uma uva perfeitamente madura, algo que nem uma máquina nem um amador conseguem identificar." (pág. 117/118)

"Eu começaria a chorar antes de terminar de falar, mas mesmo assim ela entenderia. E iria querer. O brilho em seus olhos seria a prova de sua devoção ao nosso filho, enquanto minhas lágrimas seriam a prova da minha incapacidade de ser mãe. A certeza de que eu iria decepcioná-lo (e a incerteza de como ou quando isso iria acontecer) me impediria de compartilhar do seu entusiasmo, me manteria isolada de suas declarações de amor." (pág. 172/173)

"O mundo seguia seu ritmo frenético, indiferente à bebê que chorava a seis quarteirões dali, à bebê que eu tinha dado à luz mas cujos gritos já não ouvia mais. O bairro continuava existindo como na semana anterior e na quinzena antes dela, como se absolutamente nada tivesse mudado. O fato de minha vida ter virado de cabeça para baixo não importava a ninguém e, ali fora, naquela calçada, longe da fonte do tumulto, meu pânico pareceu injustificável."(pág. 218)

"Queria recomeçar minha vida, tomar um rumo que não me levasse àquele momento, a acordar sozinha em um parque municipal, com minha filha largada num apartamento vazio. Cada decisão que eu havia tomado me conduzira até ali e eu queria mudar tudo: o ódio, a culpa e a violência. Queria almoçar com a menina revoltada que tinha sido aos 10 anos para alertá-la sobre essa manhã e dar-lhe as flores que a conduziriam por um caminho diferente." (pág. 230)

"Se fosse verdade que o musgo não tinha raízes e que o amor materno poderia crescer espontaneamente, vindo do nada, talvez eu tivesse me enganado ao me julgar incapaz de criar minha filha. Talvez os indiferentes, os rejeitados, os mal-amados pudessem aprender a dar amor com tanta abundância quanto qualquer outra pessoa." (pág. 282)

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Histórias de futebol

Título: Histórias de Futebol
Autor: Luiz Vilela / Fernando Bonassi / Bruno Zeni / Marcelino Freire / João Antônio / Henrique Félix / JoaÃnzanello Carrascoza / Edy Lima / Antônio de Alcântara Machado
Páginas: 96

Livro escolar, da coleção 'O prazer da prosa', para uma leitura rápida enquanto aguardava na sala de espera.

É um livro de contos onde a temática, como o próprio título diz, é o futebol. Aqui há histórias dos mais variados tipos e gostos. Com certeza alguma irá lhe agradar. Livro pequeno, de leitura fácil, mas nem por isso, menos interessante.

Trechos interessantes:

"Meu Deus! Gritou ele. Meu filho vai ser bicha. Credo! Ficou a noite todinha olhando a alma pregada no teto. Não pode ser. Rezou. Chorou. O menino é menina. Ah! Isso não vai ficar assim. Vou treinar o condenado. Vou salvar o moleque." (pág. 38/39)

"Eu estava ali, em grupo, mas por dentro estava era sozinho, me isolava de tudo. Era um sentimento novo que me pegava, me embalava. Eu nunca disse a ninguém, que não me parecia coisa máscula, dura de homem." (pág. 46)

"Já pelo nosso lado, eu era tão-somente um médio-volante mediano, pra não dizer esforçado; Aquiles era apenas um lateral-direito esforçado, pra não dizer grosso; e Lula, por fim, era um jogador grosso, sem posição, pra não dizer uma nulidade. A bem da verdade, nós três estávamos mais para cê-dê-efes do que para cê-dê-bês, isto é, craques de bola." (pág. 61)

"É preciso saber perder, filho, há chutes indefensáveis, a bola às vezes sabe quando será da rede e não do goleiro." (pág. 74)

"-A senhora já viveu muito, não é tia?
-Isso não vem ao caso, afinal, como digo sempre, 'quando acordo de manhã, já estou com o dia ganho'." (pág. 80)

domingo, 14 de dezembro de 2014

Nas arquibancadas

Título: Nas arquibancadas
Autor: John Grisham
Páginas: 186

A cidade de Messina está recebendo a visita de grandes astros do futebol americano. Mas não se trata de nenhum jogo ou apresentação. O treinador Rake, o mais notável e aclamado treinador de Messina, está à beira da morte e todos querem prestar suas homenagens.

Durante a vigília os astros se sentam nas arquibancadas e relembram os momentos que ficaram marcados para sempre, incluindo o treinador Rake, amado e odiado por todos. Os jogadores aproveitam também para rever suas vidas e atitudes pessoais e a maneira como o treinador teve importância para influenciar e modificar essas atitudes.

Trechos interessantes:

"Por causa da maratona, todos se apresentavam em ótima forma. Não era raro jogadores pesados perderem dez ou quinze quilos durante o verão, não pela namorada nem para melhorar seu físico. O peso era perdido para sobreviver à maratona dos Spartans." (pág. 34)

"Não havia nenhuma condição preexistente, nenhum problema físico. Um garoto de quinze anos perfeitamente saudável sai de casa às sete e meia de certa manhã de domingo para uma sessão de duas horas de tortura e não volta para casa. Pela primeira vez na história desta cidade, o povo perguntou: 'Por que exatamente você faz os garotos correrem numa sauna até começarem a vomitar?'" (pág. 66)

"-Qual foi a reação dele?
-Rake disse que não sabia muita coisa sobre os gays, mas se eu sabia quem eu era, então que todo mundo fosse à merda. 'Vá viver sua vida, filho', ele disse. 'Alguns vão odiar você, outros vão te amar, a maioria não resolveu ainda. Depende de você'." (pág. 79)

"'Volte dentro de alguns anos, grandalhão, e eles nem reconhecerão seu nome', Neely pensou. 'Sua carreira fabulosa será uma nota de rodapé. Todas as meninas interessantes serão mães. A jaqueta verde será uma fonte de grande orgulho pessoal, mas você não poderá usá-la. Coisa de colégio. Coisa de criança.'
Por que era tão importante no passado?" (pág. 85)

"-Eu não tinha ideia do quanto é doloroso um coração partido até minha mulher ir embora. Foi um pesadelo. Pela primeira vez compreendi o que você tinha sofrido. Compreendi o quanto eu fui cruel." (pág. 157)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Vá de bike

Título: Vá de bike
Autor: Grant Petersen
Páginas: 230

O livro foi escrito como um manual para os apaixonados por ciclismo, com tópicos relacionados a segurança, equipamentos, orientações, etc. Mas eu achei mais parecido com um relato pessoal e suas preferências sobre isto ou aquilo.

Para quem gosta de ciclismo de fato, não acho que o livro seja de muita ajuda. E se a ideia for atrair novos adeptos aí que o livro falha mesmo: não há nada que possa ser realmente atrativo para o novo ciclista. Enfim, alguns tópicos relevantes, mas não chega a fazer a diferença.

Trechos interessantes:

"Existem pelo menos dois tipos de segurança: ativa e passiva. A segurança passiva é sua capacidade de sobreviver a um acidente; e a segurança ativa é sua capacidade de evitar um." (pág. 39)

"Você está mais seguro quando está usando um capacete e superestimando a proteção deste ou quando está sem capacete e pedalando com mais cuidado? Talvez a resposta seja usar o capacete e esquecer que está com ele, mas é mais fácil falar do que fazer. A maioria das pessoas sabe muito bem quando está com algo na cabeça." (pág. 52)

"Uma bicicleta na chuva, sem para-lama, é como um carro na chuva com a janela aberta." (pág. 111)

"Afirmarei o óbvio: os profissionais a usam [bicicleta de corrida] porque são pagos para isso. Ser pago para usá-la é a única boa razão que consigo pensar para andar nesse tipo de bicicleta." (pág. 189)

"Sou totalmente a favor das instituições beneficentes, mas pedir a pessoas comuns, ou mesmo a empresas, que deem dinheiro para você poder andar de bicicleta, como se você estivesse 'arrecadando fundos',é um pouco demais." (pág. 198)

"Todo mundo que convive com ciclistas conhece casais que dão certo pedalando juntos, mas eles dariam certo pedalando juntos ou não, portanto, não pense que andar de bicicleta faz bem a um relacionamento. Há muitas coisas que podem dar errado se você tentar convencer uma parceira, ou parceiro, relutante a participar de sua paixão." (pág. 204)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Eu sou o mensageiro

Título: Eu sou o mensageiro
Autor: Markus Zusak
Páginas:

Ed é um garoto de 19 anos, sem nenhuma perspectiva na vida, sem nenhum talento especial, ou seja, uma pessoa perfeitamente comum. De repente aparece em sua caixa de correio uma carta de baralho com 3 endereços e ele pressupõe que sejam pessoas que precisam de sua ajuda. Depois de resolver estes casos, mais cartas continuam aparecendo e ele se considera um mensageiro com uma tarefa a cumprir.

A história acaba conquistando o leitor, que fica sempre curioso sobre o conteúdo das próximas cartas que virão e a forma como Ed vai se desembaraçar da tarefa. Como curiosidade, os capítulos do livro são numerados na sequência das cartas do baralho. No resumo, é uma boa leitura e quem já leu e gostou de 'A menina que roubava livros' não vai se decepcionar.

Trechos interessantes:

"Eu estou sempre me perguntando: 'E aí, Ed, o que você fez de útil nesses 19 anos de vida?' A resposta é simples.
Porra nenhuma." (pág. 20)

"'Tu é um homem morto,' ouço aquela voz de novo, e vejo as palavras na minha cara quando entro no táxi e olho no espelho retrovisor.
Isso me faz pensar sobre minha vida, minhas realizações inexistentes e minhas habilidades gerais de incompetência.
Quando estou tirando o carro do estacionamento, penso: Um homem morto. Ele tem razão." (pág. 39)

"-Você é meu melhor amigo, Ed.
-Eu sei.
Essas palavras podem matar um homem.
Não precisa nem de arma.
Nem de balas.
Só das palavras e de uma garota." (pág. 109)

"Padre O'Reilly volta pra mesa agora, reprovando com a cabeça.
-Esses são os Parkinsons. Cambada de inúteis.
Fico chocado com o comentário. Nunca ouvi um padre falar assim. Na verdade, nunca falei com nenhum padre, mas duvido muito que seja assim.
-Isso acontece sempre? - pergunto.
-Duas vezes por semana. Pelo menos.
-Como o senhor consegue aguentar uma coisa dessas?
Ele simplesmente estica os braços e bate na batina.
-É para isso que estou aqui." (pág. 129)

"-O que é, padre?
-Sabe, dizem que há inúmeros santos que não têm nada a ver com a Igreja e praticamente não têm nenhum conhecimento de Deus. Mas dizem que Deus anda com essas pessoas sem que elas se deem conta disso - os olhos dele estão dentro de mim agora, acompanhados pelas palavras. - Você é uma dessas pessoas, Ed. É uma honra conhecê-lo." (pág. 140)

"Tem sangue nas minhas mãos e no final da rua. Por um instante, fico torcendo para que entendam o que estão fazendo e o que estão enfrentando.
Tenho vontade de dizer pra eles, mas percebo que só estou aqui como mensageiro. Não estou aqui pra decifrar nem mostrar o sentido da mensagem. Isso eles têm que fazer sozinhos." (pág. 157)

"Não é nada demais, coisa pequena, mas acho que é verdade o que se diz por aí, tipo que as grandes coisas são sempre coisas pequenas que percebemos." (pág. 195)

"Às vezes as pessoas são bonitas.
Não pela aparência física.
Nem pelo que dizem.
Só pelo que são." (pág. 199)

"Ela conclui:
-Você tá melhor.
É com estas palavras que vejo as coisas do ponto de vista da Audrey. Ela gostava quando eu era simplesmente Ed. Era mais seguro assim. Estável. Agora, ando mudando as coisas. Deixei minhas digitais no mundo, mesmo que pequenas, e isso mexeu no equilíbrio entre nós dois. Talvez ela tenha medo de eu não querê-la, já que não posso tê-la." (pág. 207)

"-Eu só quero que você seja alguém na vida - aos poucos, bem devagar, ela se aproxima das escadas da frente. -Você tem que entender uma coisa, Ed.
-O quê?
Com cuidado, ela diz:
-Acredite ou não, é preciso muito amor pra te odiar desta forma." (pág. 219)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Histórias que não me deixaram fazer na TV

Título: Histórias que não me deixaram fazer na TV
Autor: Alfred Hitchcock
Páginas: 196

Não sei se é porque já li uma porção de coletâneas desse tipo e tudo começa a parecer repetitivo, mas o fato é que de todas as treze histórias, pouquíssimas me chamaram a atenção.

Minha escolha fica entre as histórias "A casa do homicídio" e "Daqui a dez minutos". As duas são boas. Quanto às demais, cumprem o papel e dão volume ao livro, mas não se destacam tanto quanto as citadas.

Trechos interessantes:

"-Somente um epicurista, um verdadeiro gourmet como Jerome Steeks, ficaria chocado ao me ver pondo gelo num Chambertin. Somente um homem que conhece a fundo como comer e beber aprecia vinhos o bastante para compreender que o buquê do Chambertin seria destruído, congelado pelo frio. Steeks sabe que vinho tinto deve ser sempre bebido na temperatura da sala." (pág. 44)

"-Já devia saber que ninguém mais escreve cartas atualmente, mamãe. Não vai demorar muito para que deixem de ensinar a escrever na escola e tudo passe a ser feito pelo telefone ou por computador." (pág. 56)

"Ali estava um médico, que prestara o juramento de Hipócrates para preservar a vida, acenando com os braços como um diretor de TV, para mostrar ao cara na cadeira a melhor maneira de morrer.
Prenda a respiração, depois respire fundo: não vai sentir nada. Claro que o ácido cianídrico vai derreter as suas entranhas, transformá-las numa massa quente, vai queimar todas as fibras nos seus pulmões, enquanto se sacode freneticamente. Mas não estará realmente sentindo coisa alguma. O corpo estará se sacudindo apenas como uma reação dos terminais nervosos." (pág. 78)

"O rosto rechonchudo de Sarah, inchado de vinho e de raiva, os cabelos pintados caindo desordenadamente, o corpo protuberante onde não deveria e carecendo de curvas nos lugares necessários, a última de suas ilusões desaparecidas, ela era a caricatura grotesca de todas as mulheres do mundo enganadas e envelhecidas." (pág. 103)

"Ser casado com Squeakie é um trabalho de tempo integral. O nome dela é na verdade Desdemona, mas faço todo o possível para esquecê-lo. O pai era um cavalheiro da velha guarda, que gostava de citar Shakespeare a todo instante. Squeakie saiu a ele. Não que isso torne as coisas tão difíceis assim. Um pouco de Shakespeare de vez em quando é maravilhoso. Mas é que às vezes eu me sinto como o camarada que estava montado no tigre: simplesmente não podia desmontar." (pág. 135)

domingo, 30 de novembro de 2014

Contato visual

Título: Contato visual
Autor: Cammie McGovern
Páginas: 304

Uma criança é morta num parque da escola e todos estão à cata do assassino. O problema é que a única pessoa que pode auxiliar na busca é um aluno autista. Como fazê-lo perceber a importância do que estão procurando e como extrair essa informação? Esse é o ponto.

A autora consegue elaborar uma boa trama onde o ponto principal é trazer à tona a discussão sobre os autistas. Embora muita gente diga que não, cada pessoa é especial. Resta descobrir a maneira de aproveitar o que todos têm de bom, mas que alguns não conseguem demonstrar. Grande tema, ótima leitura, bom livro.

Trechos interessantes:

"Aos quatro anos, ele era capaz de identificar um clarinete, um oboé, um fagote, mas não conseguia, nem sob pressão, apontar para uma calça. Essa é a peculiaridade de um cérebro autista, a maneira como alguns caminhos funcionam, e outros não." (pág. 19/20)

"Ela só consegue pensar: é estranho que alguém que não o conhece, que só viu Adam eu seu pior momento, com a aparência mais autista que ele teve em anos, pode ter mais esperança de um avanço que ela." (pág. 36)

"De uma coisa Cara tem certeza: quando seu filho é autista, a família toda quer poder fazer algo por você." (pág. 99)

"Muitas crianças são testemunhas ruins. Isso acontece sempre, uma criança fica a dez metros de um assassinato, e você quer saber o que ela geralmente diz? A cor da calça do assassino? Elas ficam com medo demais para olhar para cima. Rostos dão medo. Na maioria das vezes, uma criança que presenciou um assassinato não sabe dizer que arma foi usada. Elas não veem esse tipo de coisa. O cérebro delas não processa isso." (pág. 109)

"Em algumas situações da vida só uma coisa importa. Ou você preenche os requisitos ou não." (pág. 146)

"Amizade significa que você ajuda a outra pessoa. Fica ao lado dela." (pág. 211)

"'Escute', a mulher finalmente disse, 'você pode fazer como quiser. Não vou dizer a você como viver sua vida porque nem nos conhecemos. Mas todos os livros que você ler, todos os estudos, vão dizer que uma criança que sabe quem é seu pai é mais equilibrada, mais saudável. Um nome na certidão de nascimento é muito melhor que nada'." (pág. 236)

terça-feira, 25 de novembro de 2014

O amor pode ter asas

Título: O amor pode ter asas
Autor: Bianca Rocha
Páginas: 432

Mais um livro típico para adolescentes. A história, o enfoque, os personagens, a maneira de contar e tudo mais demonstra que o público alvo é o adolescente. Também, pelo que li na contracapa, a autora tem apenas 16 anos, portanto é natural que seja esse o direcionamento.

A história retrata o amor de dois jovens: Jasmim e Daniel. Até aí nada de mais a não ser o fato de que Jasmim é uma... fada, com asas e tudo mais. E Daniel, é claro, não sabe disso. Mas o que mais me chamou a atenção não foi a história em si, mas um número elevado de erros na impressão. Tina no lugar de tinha (pág. 305), afundo ao invés de a fundo (pág. 338), concertar ao invés de consertar (pág. 65) e inúmeras outras. Não sei se por tratar de primeira edição, mas acho que o revisor estava cochilando quando foi impresso.

Trechos interessantes:

"Em horas que você não sabe o que fazer, não há nada melhor do que ter uma mãe do lado para te dar apoio. As mães, por incrível que pareça, sempre têm uma resposta para nossas perguntas." (pág. 19)

"-O que é mais chato para você?- perguntei, esquecendo-me completamente de que estávamos sendo observados.
-Ah, o fato de que, se você der um passo, todo mundo fica sabendo. Eu tenho dó das pessoas famosas, como cantores e atores, que frequentemente veem em jornais e revistas notícias do tipo: 'Artista tal foi visto na praia tomando banho de Sol. Ele tomou uma água de coco e duas Cocas de 200 ml'. Deve ser insuportável." (pág. 67)

"O futuro não passa de uma caixa fechada. Você não pode abri-la, porque ela se abre sozinha. E quando isso acontece, o mundo muda. Para melhor ou para pior, mas ele muda. E você não pode fazer nada a não ser aceitar." (pág. 89)

"-Ser diferente é a coisa mais normal do mundo. Não é o que você consegue fazer que vai dizer quem você é." (pág. 133)

"[...] perdoar é divino. E se você percebe que seu maior inimigo está caindo, não é certo cantar vitória e esfregar a derrota na cara dele. Para que colocar mais lenha na fogueira? Por que você não simplesmente o ajuda a aceitar a derrota e a encarar outras batalhas? E se você pensar comigo, vai perceber que, se seu inimigo desistir de travar batalhas com você, você também não poderá batalhar." (pág. 156)

"-Tenho medo de descer do salto e descobrir que eu não sou perfeita.
-Mais cedo ou mais tarde isso vai ter de acontecer - eu disse. - E você vai ver que ser perfeita não é tão legal assim. Ser normal é bem melhor." (pág. 285)

"-O que você sente não é amor. É paixão. A diferença é que no amor sincero e real você só busca a felicidade da outra pessoa, esteja ela com você ou não. Eu cresci ouvindo isso. Só se ama uma pessoa se o que você deseja não for tê-la, e sim vê-la feliz. 'Se você ama alguém, deixe ir! Se voltar, é seu, se não voltar, nunca foi seu'." (pág. 305)

"-Um homem só pode ter certeza que está acordado se já tiver tido um sonho." (pág. 429)

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Private

Título: Private
Autor: James Patterson
Páginas: 208

Mais um romance policial e, mesmo sendo um livro do renomado autor James Patterson, não conseguiu me fazer entrar no clima. É assim mesmo: alguns livros conseguem prender o leitor e outros, nem tanto. Tem lá suas vantagens, mas eu esperava mais.

O livro conta a história de uma agência de detetives (a tal Private) com uma super equipe de investigadores e que possui uma grande reputação entre a alta sociedade. De repente, estão três casos a serem resolvidos simultaneamente e, mesmo assim, não consegui perceber a conexão entre eles que justificasse toda a propaganda do livro.

Trechos interessantes:

"Não existe dinheiro bom e dinheiro ruim. É tudo igual. Não passa de um instrumento de troca." (pág. 11)

"Esses assassinatos são todos diferentes. É uma loucura. Nunca vi nada assim antes. - Ela fez uma pausa aturdida. - Atirar em alguém demonstra distanciamento. Atear fogo é um crime sexual. Estrangular é pessoal. Temos esses três métodos e alguns outros. Esse mistério não se desenrola e ainda não consigo imaginar o assassino. Ele não se encaixa em nenhum perfil que eu conheça." (pág. 32/33)

"Apostadores jogam pela adrenalina. Passam da compulsão à dependência. Ganham e apostam novamente. Perdem, o que é mais provável, e a euforia se transforma em desânimo. Então apostam novamente para tentar recuperar o prejuízo. Não importa o que aconteça, continuam apostando." (pág. 62)

"-Você nunca tem dor de cabeça? Essa auréola apertando suas orelhas o tempo todo..." (pág. 113)

"-Não existe um jeito fácil de fazer isso. Podemos escolher entre o difícil e o mais difícil." (pág. 162)

"O fato é que Los Angeles é um lugar mais seguro por causa da dedicação de vocês. Obrigado.
Aquele agradecimento dava uma sensação boa. Qualquer que seja a substância química liberada pelo cérebro em decorrência desse momento, ela fazia meu corpo inteiro se sentir satisfeito. Dinheiro nenhum pagava a sensação inebriante de levar o lixo para fora e vê-lo ir embora, sabendo que não voltará." (pág. 193)

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Montanha-russa

Título: Montanha-russa
Autor: Martha Medeiros
Páginas: 216

As crônicas sempre me fascinaram. Essa coisa de histórias curtas, onde o autor tem que entreter o leitor, usando apenas uma ou duas páginas, e geralmente de assuntos banais, consegue me cativar a fundo. São os livros que, teoricamente, podem ser lidos rapidamente, e são os que demoro mais tempo, querendo saborear cada frase, cada parágrafo.

Nunca havia lido nenhum livro de Martha Medeiros mas, depois deste, já fiz a minha lista de exemplares desta autora. Pena que, como tenho o hábito de manter a minha lista de leituras, ainda há de demorar um tempo até chegar aos mesmos.

Trechos interessantes:

"Nosso corpo é a casa da verdade, lá de dentro vêm todas as informações que passarão por uma triagem particular: algumas verdades a gente deixa sair, outras a gente aprisiona. Mas a verdade é só uma: ninguém tem dúvida sobre si mesmo." (pág. 17)

"Poucas pessoas chegam numa etapa da vida com tantos serviços prestados como ele ( - falando de Caetano Veloso - ). Poucos podem abrir mão de submeter-se aos índices de audiência, ao gosto padrão, às exigências de mercado, à opinião pública. São meia dúzia de seres acima do bem e do mal, que já deram seu recado e podem fazer unicamente o que estão a fim, na hora e da maneira que bem entenderem. Quem não celebra isso?" (pág. 20)

"A gente vive numa sociedade que não quer saciar nada, quer justamente o contrário: criar mais e mais necessidades estapafúrdias para que o sujeito nunca fique contente com o que tem e parta para aventuras quanto mais insanas, melhor. [...] São os viciados em novidade." (pág. 29)

"Livro nos dá conhecimento, uma visão mais aberta da vida e nos ensina a escrever melhor. Não nos torna chatos nem nos salva de sê-los. Chato é quem não nos faz rir." (pág. 37)

"Não existe nada mais triste, mais sem graça que a coisa realizada." (pág. 49)

"O que me trouxe para este assunto é que ficou claro para mim que a arte é sempre superior ao artista, e que a angústia deste é igualar-se à imagem que projeta, um desafio desumano e inalcançável. A arte é soberana, o artista é um reles mortal. A arte emociona, o artista resmunga. A arte é única, e o artista tem os mesmos defeitos que a gente." (pág. 77)

"Um dia desses uma leitora me escreveu um e-mail simpático, dizendo que havia lido ou escutado em algum lugar uma coisa que ela achava que fazia sentido: 'O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções'." (pág. 108)

"Quando nossos olhos ficam embaçados, nada como usar os olhos dos outros para voltar a valorizar o que é nosso." (pág. 144)

"Já fiz citações demais por hoje, mas não há como esquecer a frase de Katherine Mansfield: 'A vida não pode ser apenas um hábito'." (pág. 163)

domingo, 19 de outubro de 2014

O falcão maltês

Título: O falcão maltês
Autor: Dashiell Hammett
Páginas: 190

Trata-se de um clássico do policial de investigação, mas, mesmo com toda essa pompa, o livro não prende a atenção, tornando a leitura muito cansativa.

Um detetive que se acha o máximo, uma estatueta que não se mostra, um bando de policiais desinteressados e uma cliente que é tudo, menos inocente, formam o esqueleto do livro. Tudo bem, clássico é clássico, mas não me empolgou como eu imaginava.

Trechos interessantes:

"-Ou você conta agora, ou vai contar no tribunal - disse Dundy com violência. - Não se esqueça que isto é um assassinato.
-Talvez. E aqui está uma coisa que você não deve esquecer,meu amor. Contarei ou não, como me agradar. Já vai longe o tempo em que eu chorava porque os polícias não gostavam de mim." (pág. 19)

"Ficou bastante assustado, disse-me, mas mais chocado que realmente amedrontado. Sentia-se como se alguém tivesse tirado a tampa da vida, e o deixasse ver o seu funcionamento." (pág. 57)

"-Vamos a algum lugar onde possamos conversar - propôs Spade.
Cairo levantou o queixo. -Queira desculpar-me. Nossas conversações em particular não tem sido de tal ordem que eu esteja ansioso por continuá-las. Perdoe a minha grosseria, mas é a verdade." (pág. 84)

"-Começamos bem, senhor - ronronou o homem gordo, virando-se com um copo de bebida na mão. -Desconfio do homem que diz chega. Se precisa ter cautela para não beber demais, é porque não se pode confiar nele, quando bebe." (pág. 92)

"Quanto mais reles o escroque, mais pomposa a arenga." (pág. 104)

"-Quis apenas dizer que você podia ter sido envolvido nisso sem se saber do que se tratava. Isso podia...
-Estou vendo - zombou Spade. - O senhor não acha que sou mau. Acha apenas que sou burro." (pág. 128)

"Bem, as melhores despedidas são as mais curtas." (pág. 179)

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Sacramento

Título: Sacramento
Autor: Felipe Cangussu
Páginas: 400

A história é, no mínimo, surreal. Pela sinopse e pelas páginas iniciais não se nota mas, ao se aprofundar na leitura, as coisa começam a sair dos trilhos: pessoas que morrem e voltam à vida; habilidade para ler pensamentos; vingadores da morte e por aí vai.

Essa é a história de três amigos, com características diferentes, que se reencontram após o suicídio e retorno de um deles. Eles passam o livro todo fugindo da morte que está cobrando vingança pois o suicidado retornou. Confuso? É verdade, mas a história é assim mesmo. Se você gosta de 'A volta dos mortos vivos' vai se interessar pela história. Não é o meu caso.

Trechos interessantes:

"Eu quero viver! Suicídio é uma coisa muito complicada. Você tenta, tenta e, quando finalmente dá certo você morre. - Ninguém riu da piada" (pág. 70)

"Em casa, Maria reza. Na estrada, Mercedes benze." (pág. 88)

"Johnny não conseguia acreditar que dera de cara com aqueles mesmos policiais.
O planeta Terra é redondo, e, quando estamos em uma roda que gira, acabamos nos reencontrando com lugares ou pessoas que nunca imaginávamos rever." (pág. 177)

"-Meu avô sempre dizia: 'O que é pouco não se economiza, logo se acaba e a gente tranquiliza'. O ditado é mais ou menos assim." (pág. 182)

"Sabia que aquele jovem de cabelo liso estava passando por algum apuro interior. Alguma crise. Com seu olhar de curiosidade, era como se ele dissesse para Deus: 'Eu estou aqui! Fiz minha parte, e aí? Quando você vai começar a fazer a sua?'.
Deus sempre era a única saída de pessoas que fizeram de tudo na vida e estavam a ponto de acabar com ela." (pág. 210)

"Agora é só ir reto e, no final, virar à esquerda. Só isso. Ele tinha medo. Essa sensação de 'quase' sempre o fazia ficar temeroso. Por poucos centímetros, nadadores profissionais perderam campeonatos. Por poucos segundos, pessoas perdiam voos importantes. Por pouco, muitas pessoas quase sobreviviam a acidentes. 'Quase' pode não significar nada. Preciso ficar atento!" (pág. 263)

"Anderson já tinha reparado como as mulheres conseguiam ser sensuais sem nem mesmo perceberem. Isso é uma covardia. Não é porque elas não têm malícia que nós também não temos. A última coisa de que três homens à beira da morte precisam é de uma mulher seminua diante deles." (pág. 307)

"O perdão não é ficar calado e aguentar o rancor. O perdão é você escolher entregar o julgamento nas mãos de Deus e, até lá, deixar que Ele carregue o rancor. Enquanto a justiça não for feita, aja como se ela já tivesse acontecido. Olhe para o seu inimigo como se o crime já estivesse pago. O tempo é algo que limita o ser humano, mas, para Deus, o futuro já está consumado. Nós só precisamos ter paciência." (pág. 312/313)

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A história do alfabeto

Título: A história do alfabeto
Autor: John Man
Páginas: 264

Para nós, hoje, que já estamos fartamente habituados, o alfabeto é uma coisa simples e sem segredo. Mas já pensaram como isso tudo teve início? Quando não havia nada e alguém, pela primeira vez, teve a ideia de que tudo o que acontecia poderia ser preservado para a posteridade?!

Essa é a proposta do livro. Mostrar como uma coisa banal nos dias de hoje - o alfabeto - teve o seu início e a evolução desde então. Numa linguagem agradável e simples o autor mostra que, para se reduzir a 26 caracteres e com isso poder representar tudo o que existe no universo, muita coisa aconteceu.

Trechos interessantes:

"[...]os gregos não teriam exercido tanta influência se não fosse pela invenção que fixou os seus escritos, cujo nome partiu de seus dois primeiros sinais, alfa e beta - ou seja, o alfabeto." (pág. 16)

"A transmissão de informação ao longo deste milênio levou décadas. Com o crescimento da indústria no século XIX, décadas reduziram-se a anos e, posteriormente, com as viagens aéreas, a semanas. Agora que a evolução cultural tornou-se eletrônica, a informação flui para o mundo inteiro em segundos, e o analfabetismo passou a ser sinônimo de atraso." (pág. 19-20)

"Claro que é difícil! Tudo que vale a pena requer esforço! É assim que as coisas acontecem na vida se você quer ter uma boa formação e ser bem-sucedido." (pág. 47)

"Um cético poderia concluir que o deus dos cristãos e dos judeus foi inventado porque surgira uma tecnologia para definir essa crença e implantá-la na sua cultura. Já um crente diria que deus, em sua sabedoria, ensejou a sua própria revelação por meio dessa nova forma de comunicação. De qualquer maneira, parece que tanto o novo deus quanto a nova escrita atuaram juntos para formar uma nova nação e disseminar uma ideia que iria mudar o mundo." (pág. 115)

"[...]a literatura ugarítica baseada no alfabeto passou a fazer parte de uma tradição literária comum, e finalmente, 300 ou 400 anos mais tarde, passou a influenciar a dos hebreus. Talvez isso não deva causar surpresa, pois o ugarítico e o hebraico eram línguas intimamente ligadas, embora ainda possa parecer uma afronta, para alguns, vislumbrar as raízes do Velho Testamento em uma cultura rival, principalmente tratando-se de uma tão declaradamente pagã como aquela." (pág. 147)

"Como poderia ali haver uma cultura rica, se os seus pobres coitados não sabiam nem ler nem escrever? Como uma cultura poderia desabrochar inteiramente a partir de uma 'não-cultura'? Essa questão está por trás de um debate acadêmico que vem se estendendo desde 1795, quando o classicista alemão Friedrich Wolf sugeriu que Homero era iletrado." (pág. 177)

"No início do século V, os cidadãos atenienses tiveram uma oportunidade de escrever quando foram levados a votar a respeito do exílio de uma pessoa notoriamente perigosa. Os votos eram dados rabiscando-se um nome em um óstraco, aqueles fragmentos de cerâmica onipresentes que serviam de blocos de anotações. As pessoas que eram expulsas da cidade dessa maneira eram condenadas ao 'ostracismo'." (pág. 194)

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Desenganos

Título: Desenganos
Autor: Judith Michael
Páginas: 482

Sabrina e Stephanie são duas gêmeas, perfeitamente idênticas, porém, cada uma com personalidade própria. Desde pequenas estiveram sempre juntas e, com o passar dos anos, se tornaram cada vez mais unidas. Stephanie casa-se com um professor e constrói uma família enquanto Sabrina vive nas altas rodas da sociedade.
Mas ambas gostariam de viver a vida da outra. Num determinado momento decidem trocar de lugar para viver uma nova experiência. Mas as coisas nem sempre são tão fáceis quanto se imagina... Poderão as duas enganar suas famílias e amigos? Por quanto tempo?

Trechos interessantes:

"Em todas as conversas de fim de noite com as amigas sobre sexo, horas eram gastas sobre a maneira de dizer sim ou não, mas nem um único minuto sobre como tomar a iniciativa." (pág. 35)

"-Fale alguma coisa sobre a exposição de antiguidades. Sabe de uma coisa? Sempre tive o desejo secreto de acariciar uma estátua nua. Será que posso ter agora minha oportunidade? Têm algumas estátuas nuas?
Stephanie riu. Que dia maravilhoso iam ter.
-Temos estátuas de nus. Se quiser estátuas nuas, você terá que despi-las." (pág. 49)

"Você conhece a velha superstição chinesa, de que se olharmos diretamente para alguma coisa bela ela desaparece? Podemos lançar um olhar de lado, mas nunca de frente, porque coisas belas são frágeis e passageiras e um olhar duro poderia destruí-las. Sinto-me assim a respeito de minha vida. Se falar sobre ela, ou olhá-la de perto demais, tudo pode desmoronar." (pág. 100)

"Por que alguém não notava que havia alguma coisa de errado?
Porque as pessoas veem o que esperam ver. Ninguém tem razão alguma para esperar que eu não seja Stephanie. O que quer que eu faça, descobrirão uma maneira de explicá-la porque, a não ser assim, a coisa não teria sentido. Quando pessoas acreditam que alguma coisa é verdadeira, esforçam-se para fazê-la parecer assim." (pág. 162)

"Um homem precisava falar sobre seu trabalho, compartilhá-lo com a família. Se não podia, por mais importante o trabalho pudesse ser para o resto do mundo, de alguma maneira tornava-se insignificante - uma parte de sua vida que lhe consumia horas todos os dias, mas que não conseguia despertar o interesse das pessoas mais importantes em sua vida." (pág. 218)

"-[...]Por que você não quer o emprego?
-Porque os únicos assuntos que meus anfitriões abordaram hoje foram o mercado, o consumidor, o dólar por hora de pesquisa, o retorno do investimento. Porque, para eles, a fusão de genes significa um produto, como se eu estivesse dirigindo uma equipe de chefes de cozinha que elaboram um novo cereal para o desjejum. Porque o que querem fazer é o que se acha que devem: ganhar dinheiro. Porque o que eu quero fazer é o que a universidade espera que eu faça: pesquisa e ensino. Porque não quero ter que explicar o motivo por que estou seguindo uma nova pista promissora em pesquisa, mesmo que ela não venha a resultar, durante anos, num produto... se algum dia vier a ser isso. Porque não posso estudar os problemas de genética e ao mesmo tempo ver a linha de lucros e perdas num balancete contábil. Porque, droga, este não é o meu lugar." (pág. 329)

"Os brasileiros dizem que o amor é a última coisa, não a primeira. Ele cresce devagar com o compartilhamento e a criação. Quando se vive junto e se constrói uma família, o amor vem." (pág. 381)

sábado, 13 de setembro de 2014

O homem que via o trem passar

Título: O homem que via o trem passar
Autor: Georges Simenon
Páginas: 182

Kees Popinga é um holandês que trabalha numa das empresas do porto de Amsterdã. Mas, apesar de gostar do mar, ele tem uma paixão obsessiva por trens. Certa noite descobre que a empresa em que trabalha sofreu um desfalque e, diante da falta de perspectiva, resolve sair pelo mundo afora, abandonando a família e tudo mais, para viver uma vida cheia de aventuras.
Vai para Paris e se diverte fugindo da polícia e cometendo crimes enquanto todos o tomam por um maníaco descontrolado.

Trechos interessantes:

"Curioso que ninguém suspeitava que estivesse gagá. Instalavam-no todo dia numa poltrona, como uma múmia, ou como o símbolo vivo da empresa. Não deixavam que o vissem mais do que alguns instantes, e os fregueses tomavam por concentração o olhar perdido, e por sabedoria a ausência total de inteligência!" (pág. 30)

"-Todos os estrangeiros são estranhos. Talvez porque a gente não os entende." (pág. 75)

"Dizem que minha filha é uma menina inteligente, porque não fala, ou fala raramente. Mas é que não tem nada a dizer! [...] Quanto ao menino, não tem nenhum dos defeitos dos garotos da sua idade. E isso me alarma: provavelmente não fará nada na vida!" (pág. 118)

"Então, e de uma vez por todas: não sou louco nem maníaco. Apenas, aos quarenta anos, tomei a decisão de viver como me agrada, sem fazer mais caso das convenções ou das leis. Descobri - um pouco tarde, convenho - que ninguém as observa e que até agora eu vinha me deixando iludir." (pág. 121)

"Aborreci-me durante quarenta anos. Durante quarenta anos vi a vida como um pobre miserável que cola o nariz à vidraça de uma confeitaria e vê as pessoas comerem bolo.
Aprendi que os bolos são de quem os pega." (pág. 121)

"Que procurassem por ele o quanto quisessem! Que olhassem todo transeunte bem no rosto. O homem é sempre mais forte que a massa, desde que não perca o sangue-frio." (pág. 151)

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Morte de um dissidente

Título: Morte de um dissidente
Autor: Alex Goldfarb e Marina Litvinenko
Páginas: 454

O livro narra os bastidores da política russa que, apesar de não apresentar a mesma força da época da guerra fria, ainda desperta grandes interesses.

Alexander Litvinenko (Sacha) foi um agente da KGB na época de Boris Ieltsin. Com a ascensão de Putin ao poder, a relação de Sacha com o governo ficou instável,levando este a se exilar em Londres, temendo por sua vida. Apesar de todas as precauções Sacha foi envenenado e o livro descreve sua vida e suas atividades, procurando pistas para descobrir o responsável pela sua morte.

Trechos interessantes:

"Joseph explicou que, para pedir asilo, Sacha deveria primeiro ter entrado nos Estados Unidos. Fora dali, ele só poderia pedir um visto de refugiado, e havia uma cota anual. Teria de esperar meses, talvez anos." (pág. 26)

"Quando penso por que éramos tão felizes, acho que era porque podíamos ser nós mesmos, sem necessidade de fingir, de nos preocupar em ser atraentes, não havia nada a conquistar e nada a provar. Isso ficou óbvio para nós desde o primeiro dia, e era tão natural. Nenhum de nós jamais tinha pensado que algo assim fosse possível, e ficamos atônitos com isso até nosso último dia juntos." (pág. 49)

"O capitalismo na Rússia está apenas começando; afinal, é preciso antes de mais nada ganhar dinheiro, para poder doá-lo. Estou satisfeito de ver que tudo vai bem para vocês e de saber que dão a mesma importância que eu à ciência e à educação." (pág. 77/78)

"'Conheço um homem pelo aperto de mão', disse Sacha a Marina depois do encontro. 'O dele era frio e pegajoso. Eu podia ver em seus olhos que ele me odiava'." (pág. 180)

"Anos depois, numa caminhada por Londres, Sacha parou diante da inscrição na estátua de Oscar Wilde: 'Estamos todos na sarjeta, mas alguns de nós estão olhando para as estrelas'." (pág. 215)

"Uma vez, vi um rato enorme e corri atrás dele, até acuá-lo num canto. [...]Ele se virou e correu para cima de mim. Aquilo foi inesperado, e assustador. De repente o rato me caçava [...], mas fui mais rápido e bati a porta atrás de mim, no focinho dele. Foi assim que ele aprendeu, de uma vez por todas, o significado da palavra 'acuado'." (pág. 230)

"É claro que notei que havia qualquer coisa, que Naltchik era um disfarce. Achei que ele quisesse nos tirar de Moscou para nos proteger de algum perigo. Essas coisas acontecem na profissão, explicou Marina posteriormente. Mas, quando ele ligou, disse que talvez não pudéssemos voltar para a Rússia, nunca mais. Fiquei chocada. Para mim, aquilo era impensável, era como se me dissessem que eu tinha câncer, ou que alguém muito próximo estava envolvido num acidente de carro." (pág. 281)

"Diferentemente das alegações de cumplicidade no assassinato de uma criança inocente no século XVII, a suspeita de envolvimento na morte de 247 inocentes dificilmente derrubará o regime agora, não depois dos milhões de mortes semelhantes na moderna história russa, escreveu Zarakhovitch. Apesar disso, quanto mais as coisas pioram, mais o povo falará. Um dia, a conversa pode mais uma vez evoluir para um rugido." (pág. 317)

"O governo é acusado de matar grande número de cidadãos russos, e metade do povo acredita; para mim isso basta. A presunção de inocência não se aplica aos governos; é um mecanismo para proteger as pessoas contra abusos do governo. Putin tem a obrigação de afastar as suspeitas." (pág. 325)

"[...]a razão que o levara a escolher aquele lugar fora um velho ditado tchetcheno: 'Primeiro conhece o teu vizinho, depois constrói tua casa perto dele'." (pág. 375)

"Na verdade, eu estava começando a conhecer Marina. E recordaria nossa conversa mais tarde, depois da morte de Sacha, quando ela decidiu enfrentar a mídia. E o fez com força e graça, apesar de sua aversão á notoriedade, como um dever para com Sacha, como a mulher do pioneiro, que deixa de lado a roupa por lavar e pega a espingarda do marido morto para defender o lar." (pág. 407)

sábado, 16 de agosto de 2014

Histórias para dar calafrios

Título: Histórias para dar calafrios
Autor: Alfred Hitchcock
Páginas: 224

Coletânea com treze histórias de suspense, com estilos variados, algumas boas, outras nem tanto.

Entre as minhas preferidas estão "A inspiração", "Dedos leves" e "Motivos justos para matar".

Trechos interessantes:

"Como eu disse à minha mulher quando ela voltou das compras na semana passada, não é de admirar que tantos garotos estejam tomando o mau caminho. Voltam para casa da escola e encontram as mães vestidas com um saco amarrado com um cinto. Isso é suficiente para fazer a garotada ganhar as ruas." (pág. 28)

"Gonzales tinha boa mente e olho para detalhes. Possuía também imaginação, o que para uma investigação policial era a mesma coisa que argamassa para um pedreiro." (pág. 29)

"Acho que, depois da malária, a curiosidade é a doença mais demoníaca que pode afligir um corpo humano. E é a coisa mais humanizadora que existe, logo em seguida ao nascimento; e, pelo que sei, tampouco se pode resistir a ela." (pág. 88)

"Uma única palavra. Ódio. Guerras eram iniciadas com ela. Podia-se explodir o mundo com ela." (pág. 117)

"-Estávamos falando sobre vodu, senhor. A cozinheira acredita piamente nisso.
-Esta é obviamente a razão por que ela é uma cozinheira e não uma imperatriz." (pág. 170)

"O presidente Kennedy era protegido pelo FBI, pelo serviço secreto e por metade da força policial de Dallas. Um único homem pegou-o. É um fato lamentável, mas é verdade.
Estamos apenas tentando demonstrar ao senhor que os melhores cães de guarda, guardando cada um de vocês dia e noite, não constituem garantias de segurança." (pág. 201)