sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Massacre em Estocolmo

Título: Massacre em Estocolmo
Autor: Sjowall & Wahloo
Páginas: 228

Em Estocolmo, numa noite fria e chuvosa, um ônibus é metralhado e ninguém escapa com vida. Diante dessa situação bizarra se encontram os policiais que, sem pistas à primeira vista, tentam descobrir o responsável. Após muita investigação descobre-se que a causa pode ter se originado num crime cometido há dezesseis anos.

Como era de se esperar em livros desse tipo, a narrativa é lenta e muitas vezes maçante. Todo trabalho investigativo leva tempo e tem que ser construído peça por peça e, muitas vezes, um pequeno detalhe é que faz a diferença. É um bom livro, mas nada de especial.

Trechos interessantes:

"...por que, diabo, as pessoas não iam para casa. Na categoria 'pessoas', ele incluía o chefe de polícia, o subchefe, e vários superintendentes e inspetores que, em consequência dos tumultos, felizmente desfeitos, estavam se cruzando nos corredores. Tão logo essas pessoas decidissem dar o dia por acabado e saíssem, ele o faria também, e o mais depressa possível." (pág. 15)

"Os laços entre os dois tinham se enfraquecido ao longo dos anos, e era um alívio não ter que compartilhar de uma cama com ela. Tal impressão muitas vezes lhe doía na consciência, mas, depois de dezessete anos de casado, não lhe parecia possível fazer algo a respeito, e já há longo tempo ele deixara de se preocupar com quem seria o culpado." (pág. 18/19)

"'Por que você está sempre procurando em mim os defeitos de uma criança?'
Kollberg respondera: 'Para quebrar sua casca de autoconfiança. Para lhe dar uma chance de reconstruí-la novamente. Para transformá-lo em um bom policial, um dia. Para ensinar-lhe a bater às portas'." (pág. 60)

"-Li em algum lugar - lembrou Kollberg - , que, em cada mil americanos, um ou dois são potencialmente assassinos de massa. Mas, por favor, não me perguntem agora como chegaram a essa conclusão." (pág. 100)

"-Há um latente desprezo por policiais em todas as classes da sociedade - comentou Melander -,e só é preciso uma oportunidade para que isso se manifeste.
-Oh - exclamou Kollberg, num desinteresse total -, e qual o motivo disso?
-A razão é que toda polícia é um mal necessário - explicou Melander -, e todos sabem, inclusive criminosos profissionais, que podem ver-se de repente em situações nas quais só a polícia pode ajudá-los." (pág. 108)

"-O nó da questão é, logicamente - proseguiu Melander, despreocupado -, o paradoxo de que a profissão de policial exige de quem a abraça as mais excepcionais qualidades físicas, morais, mentais e de inteligência, mas não tem nada que atraia as pessoas que as possuam." (pág. 108/109)

"Inga tinha uma fraqueza pelos clichês. Seria possível fazer uma coleção das expressões que usava e vendê-la como manual para jornalistas principiantes: 'Se Pode Falar, Pode Escrever', seria o título, pensou Martin Beck." (pág. 164)

"-Vou contar-lhe uma coisa que nunca disse a ninguém - revelou ele. - É que eu lamento por quase todo sujeito que temos de prender. Eles são apenas um monte de merda, que jamais deveriam ter nascido. Não é culpa deles se tudo vai para o inferno e eles não compreendem por quê. São tipos como este que acabam com a vida. Porco pão-duro que só pensa em seu dinheiro e em suas casas e na família e em seu chamado status social. Que pensam que podem dar ordens só porque estão por cima." (pág. 225/226)

sábado, 29 de setembro de 2012

O mapa dos ossos

Título: O mapa dos ossos
Autor: James Rollins
Páginas: 492

Se você gosta de suspense e emoção, vai achar de sobra neste livro. Desde as primeiras páginas a ação já se desenrola freneticamente e continua no mesmo ritmo por todo o livro. Um romance baseado em fatos históricos que consegue agradar a maioria dos fãs do gênero.

Uma seita procura roubar conhecimentos antigos que, supostamente estão bem guardados desde os primórdios. Para frustrar os planos desta seita entra em ação um grupo especial chamado Sigma que, juntamente com representantes do Vaticano, percorrem as maravilhas do mundo antigo tentando evitar uma catástrofe mundial.

Trechos interessantes:

"-Ars longa, vita brevis - sussurrou, uma citação de Hipócrates. Uma de suas prediletas. A arte é longa, a vida é breve."(pág. 60)

"Ele era apenas um broto insignificante numa organização muito maior, tão amplamente difundida e entranhada que jamais poderia ser extirpada por completo. O máximo que Rachel poderia esperar era continuar arrancando as ervas daninhas." (Pág. 62)

"-Por que você se dá o trabalho de vir aqui?
Porque eu não sei até quando você vai se lembrar de mim, pensou, mas não ousou dizê-lo em voz alta." (pág. 93)

"Seu pai uma vez lhe dissera que representar o papel era meio caminho andado para se transformar no papel. [...] O conselho de seu pai ainda soava em sua cabeça. Para ser um homem, você primeiro tem de agir como um homem." (pág. 118)

"Eu não tenho todas as respostas. Como disse Jesus, 'Procura e acharás'." (pág. 170)

"-Sempre pragmática, Kat. Mas você, entre todas as pessoas, deveria saber que às vezes a própria vida é menos importante do que a causa. Todos nós temos uma doença terminal. Nós não podemos escapar da morte. Mas, assim como as boas obras na nossa vida celebram o nosso tempo aqui, a nossa morte também pode fazê-lo. Oferecer a própria vida em sacrifício deveria ser honrado e lembrado." (pág. 221)

"-[...]Você sabe por que a sexta-feira 13 é considerada azarenta?
Kat olhou de relance para ele e sacudiu a cabeça.
-Treze de outubro de 1307. Uma sexta-feira. O rei da França, junto com o papa, declarou os templários hereges, condenando-os à morte e crucificando e queimando o líder deles. Acredita-se amplamente que o verdadeiro motivo por que os templários foram proscritos era destituí-los de poder e assumir o controle de sua riqueza, incluindo o conhecimento secreto que eles possuíam. O rei da França torturou milhares deles, mas o local onde eles escondiam suas riquezas jamais foi descoberto. No entanto, isso assinalou o fim deles." (pág. 393)

sábado, 22 de setembro de 2012

Meu querido Christopher

Título: Meu querido Christopher
Autor: Sy Montgomery
Páginas: 204

Não acho que seja comum ter um porco como animal de estimação mas, imagino que, pra quem gosta, seja a mesma sensação de ter um cachorro, ou um cavalo, ou um hamster. O importante é que o animal cumpra a finalidade de dar alegria e satisfação ao seu proprietário. E isso, pelo relato, o porco da história faz.

Christopher não poderia ter escolhido um lar melhor. Encontrou uma pessoa que, além de gostar de animais mais do que de gente, transformou-o numa atração para todos que com ele conviveram. Os relatos das travessuras do porquinho são ternos e ao mesmo tempo engraçados...

Mesmo assim eu não teria um porco como animal de estimação.

Trechos interessantes:

"Depois de terem comprado um porco de George, muitas pessoas faziam questão de voltar para lhe contar que grande porco era aquele. Embora quase todos os filhotes se destinassem ao freezer, as pessoas que os compravam raramente comentavam que gosto tinha o pernil ou as costelas ou a linguiça. Não, as pessoas sempre falavam que os porcos de George eram particularmente adoráveis." (pág. 17)

"Enquanto outras pessoas estão pensando a respeito de uma nova cozinha, ou de uma viagem pelo Caribe, ou se o filho vai ganhar a partida de futebol, ou o que vestir para ir a uma festa, eu fico pensando qual é a sensação causada pela cauda de um gambá ao agarrar um galho. Ou se a tartaruga que tentou pôr seus ovos em nosso jardim no ano passado, vai voltar neste outono." (pág. 20)

"Não era incomum borboletas, libélulas e passarinhos pousarem no meu ombro. Besouros e aranhas tinham licença para andar à vontade sobre a minha pele. Eu preferia a companhia deles à de outras crianças, que, para mim, pareciam muito barulhentas e instáveis." (pág. 26)

"Christopher Hogwood era uma criatura com convicções. Quando queria uma coisa, ele ia, bem, até o fim. E o que ele queria - fosse estar conosco, uma cerveja ou simplesmente a liberdade - estava do outro lado daquela cerca." (pág. 48)

"-O seu porquinho é inteligente? - As pessoas perguntavam.
-É mais inteligente do que nós - admitíamos prontamente. - Ele descobriu como fazer com que uma equipe formada por duas pessoas com ensino superior trabalhe para ele de graça em período integral." (pág. 60)

"Em Sundarbans, os tigres matam aproximadamente trezentas pessoas por ano. E, mesmo assim, a população perseguida por esses predadores não quer exterminar os tigres. Pelo contrário, eles são venerados. Eu queria descobrir o motivo." (pág. 102)

"Eu nunca teria admitido, mas o mais difícil de qualquer viagem era deixar minha casa." (pág. 109)

"Eu não faria com que ela amasse o homem com quem eu havia me casado, mas eu poderia aceitar o amor que ela tinha para me dar, e amá-la também. Teríamos dias bons, que passaríamos conversando, recordando, olhando os álbuns de fotografias." (pág. 163)

"Frequentemente, apesar dos remédios e das orações, apesar da fé e da força, aqueles que amamos são arrancados de nós, às vezes violentamente, por razões que não conseguimos imaginar. Mas às vezes, Deus, ou a sorte, ou o próprio Universo, nos dá uma oportunidade rara. Foi isso o que a escuridão nos deu: o conhecimento de que às vezes você realmente pode trazer alguém de volta à vida com seu amor." (pág. 171)

"A palavra compaixão quer dizer 'com sofrimento'. Ter compaixão é juntar-se no sofrimento, mostrar àqueles que amamos que não deixaremos que sofram sozinhos. E isso é o máximo que podemos fazer: oferecer nossa presença." (pág. 178)

"Grandes pessoas e grandes professores estão em toda parte. É tarefa de vocês reconhecê-los." (pág. 186)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Um bom tricô

Título: Um bom tricô
Autor: Debbie Macomber
Páginas: 414

Lydia é uma jovem que venceu o câncer por duas vezes e, em razão disse, vive afastada de todos temendo uma nova recaída. Após a morte do pai resolve abrir uma loja de tricô (algo que a fascina) e oferecer aulas para os interessados. A sua turma inicial tem 3 alunas, com temperamentos e estilos diferentes, mas à medida em que as aulas vão se sucedendo, os relacionamentos vão surgindo e, de repente, todas as vidas estão entrelaçadas de maneira maravilhosa.

O livro é terno e agradável de se ler. As discussões sobre o câncer e suas implicações acaba fomentando novas expectativas e relacionamentos. Apesar da história ser estilo "água com açúcar", o leitor se envolve de tal maneira que deseja que o livro não acabe. É aconselhável preparar um bom estoque de lenços... você vai precisar.

Trechos interessantes:

"Minha experiência com o câncer significa que não conto com nada como garantido, muito menos com a vida em si. Não encaro mais cada dia como uma aceitação descuidada. Mas aprendi que há compensações para o sofrimento. Sei que seria uma pessoa completamente diferente não fosse o câncer." (pág. 16)

"Esperança para uma pessoa com câncer, ou para uma pessoa que teve câncer, é mais potente do que qualquer droga. Nós vivemos dela, vivemos por ela. É um vício para aqueles de nós que aprenderam a viver um dia de cada vez." (pág. 19)

"Uma vez perguntei a meu pai por que Deus não nos permite saber o dia de amanhã. Ele me disse que não conhecer o futuro é, na verdade, um presente, porque, se soubéssemos, não assumiríamos responsabilidades por nossas próprias vidas, por nossa própria felicidade." (pág. 21/22)

"Como o conquistador viking que chegou à praia e queimou seus navios atrás de si, eu tinha traçado minha meta consciente de que poderia ter sucesso ou fracassar.
Como meu pai diria, eu estava assumindo a responsabilidade por um futuro que não podia prever." (pág. 23/24)

"Se vou mergulhar em autopiedade, quero me certificar de ter um CD do Eric Clapton tocando e um ou dois filmes tristes de reserva. Sorvete sempre ajuda, mas apenas se for um caso realmente grave." (pág. 55)

"Nunca recuperei o que o câncer me tirou. A questão é que não tenho amigos próximos, e agora que tenho 30 anos, tenho medo de ter perdido a habilidade de fazer amigos." (pág. 56)

"O fato de eu ter chegado tão perto da morte me faz sentir que, embora não gostássemos uma da outra, precisávamos uma da outra." (pág. 117)

"20 de maio de 1940 - 20 de dezembro de 2003.
Do nascimento à morte. Tudo que aparecia entre aqueles dois eventos era um traço. E o traço silencioso não dizia nada sobre as duas vezes que ele estivera no Vietnã a serviço, ou sobre seu amor incondicional pela esposa e pelas filhas. Aquele traço jamais poderia revelar as horas incontáveis que aquele homem maravilhoso tinha passado à cabeceira de minha cama, confortando-me, lendo para mim, fazendo tudo que podia para me ajudar. Não há palavras para descrever a profundidade do amor de meu pai." (pág. 121)

"Ela virou-se para estudar o homem com quem tinha passado a maior parte de sua vida. Conhecia-o tão bem, entretanto, não o conhecia nem um pouco." (pág. 159)

"Todo mundo tinha problemas, percebia Alix agora, mesmo os que moravam em apartamentos fantásticos com uma paisagem de 1 milhão de dólares." (pág. 252)

"O velho provérbio estava certo: 'Deus nunca fecha uma porta sem abrir uma janela.' Aquela janela estava escancarada. Apenas tinha de parar diante dela por alguns momentos para sentir as mudanças do vento." (pág. 296)

"Vocês estavam fazendo uma grande aposta, não estavam? - Rick exigiu saber. - Esta é a minha vida. Não sou obrigado a resolver os problemas de vocês." (pág. 318)

"Sempre olhava novelos de lã como promessas não realizadas... o modo como algumas pessoas, escritores e artistas, olham para uma página em branco. O potencial está ali e depende de você fazer alguma coisa com a lã, ou escrever algo naquela página. É o senso da possibilidade que acho tão excitante." (pág. 358)

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A caixa vermelha

Título: A caixa vermelha
Autor: Rex Stout
Páginas: 224

Nero Wolfe é um detetive particular, deveras inteligente e obeso, apaixonado por orquídeas e com total desprezo pela vida social. Mas é um grande detetive e vive assediado por todos para a resolução de enigmas, como a da caixa vermelha citada no livro.

Gosto de livros policiais, detetives, mistérios, suspense, etc, mas achei o livro muito monótono. Não há nada que prenda o leitor e que o leve a tentar solucionar a trama. E mesmo a solução me pareceu bem simplista, descaracterizando o suspense que o livro pretendeu transmitir. No fundo me pareceu que Nero Wolfe nada mais é que uma tentativa de se comparar a Sherlock Holmes. Tentativa frustrada, na minha opinião.

Trechos interessantes:

"-Compreenda isto, Srta. Frost: eu sou um detetive. Por isso mesmo, conquanto possa ser acusado de incompetência ou estupidez, não poderei ser acusado de impertinência. Por mais absurdas ou irrelevantes minhas perguntas lhe pareçam, elas podem estar repletas da maior significação e das mais sinistras implicações." (pág. 21)

"-Há três coisas que me agradam no senhor, cavalheiro, mas o senhor tem diversos maus hábitos. Um deles, a suposição de que palavras são tijolos a serem lançados contra as pessoas num esforço para desnorteá-las. O senhor precisa aprender a acabar com isso." (pág. 36/37)

"-Peço-lhe, cavalheiro. Esta sala esteve cheia de idiotas esta tarde e, para variar, eu gostaria de alguma sanidade." (pág. 92)

"-Antipatizo com os ultimatos, até mesmo com os meus. Mas isto já foi longe demais." (pág. 93)

"A Polícia passou aqui a maior parte do dia e compreendi na ocasião quão pouco realmente sabia de Boyd, embora o conhecesse há mais de vinte anos." (pág. 141)

"De qualquer maneira, tenho um encontro no centro da cidade, para arrancar sangue de uma pedra o que será facílimo." (pág. 150)

"Alguns grandes homens, quando morrem, deixam o cérebro para um laboratório científico. Wolfe devia deixar o estômago." (pág. 182)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A cruzada do ouro

Título: A cruzada do ouro
Autor: David Gibbins
Páginas: 376

Achei o livro um tanto confuso. Pra começar, a história demora a engrenar, somente chegando à página 200 é que a história começa a fazer sentido. Mesmo assim faz pouco sentido.
Também, o que se pode esperar quando se mistura vikings, nazistas, maias, arqueologia, religião e um monte de outras coisas? É muito pra minha cabeça! Pelo que entendi o livro é uma espécie de continuação de "Atlantis", talvez por isso eu tenha ficado um tanto deslocado.
Penso que são muitas páginas pra pouca história, mas mesmo assim li até o final.

Trechos interessantes:

"'Lembre o que o professor Dillen sempre insistia conosco em Cambridge', murmurou Hiebermeyer. 'Que os maiores crimes contra a cristandade sempre foram causados pelos próprios cristãos'". (pág. 34)

"'Foi desse lugar que saiu o iceberg que afundou o Titanic', disse Macleod; seu pesado sotaque irlandês ficava mais acentuado no interfone. 'Essa é uma das correntes glaciais que se movem mais rapidamente no mundo'". (pág. 88)

"'Os groenlandeses ainda usam trenós de cachorros no inverno', disse Macleod, agora com o capuz puxado para trás. 'Grande parte do terreno é muito desigual para ser percorrido por um snow-mobile, e a calota polar fica muito afastada de uma estação de combustível. Eles mantêm os cachorros presos durante todo o verão e atiram neles quando ficam muito velhos para trabalhar. Não são animais aos quais eles se apegam, não são animais de estimação'". (pág. 116)

"'A Santa Sé não se limita apenas à orientação espiritual', disse O'Connor. 'Durante séculos nossa sobrevivência dependia de força no mundo dos homens, de poder para persuadir o relutante a submeter-se a Deus'". (pág. 206)

"Atrás de cada mito há alguma realidade". (pág. 211)

domingo, 19 de agosto de 2012

Mito em chamas

Título: Mito em chamas
Autor: José Louzeiro
Páginas: 224

Mão Branca foi um justiceiro que apareceu no Rio de Janeiro na década de 80. Pelo menos essa era a versão que foi transmitida à população. Na verdade, o justiceiro que acabava com os bandidos que a polícia não conseguia, foi imaginado por um jornalista da época, com o intuito de aumentar as vendas do jornal.

O livro - com o subtítulo "A lenda do justiceiro Mão Branca" - faz uma espécie de caso-verdade, mostrando as artimanhas de Carlão, o criador do mito, para que todos se convençam de que a figura é real. No meio da história, os próprios bandidos se beneficiam da situação e passam a endossar a criação da personagem.

A história é bem desenvolvida, mostrando que a polícia é conivente com muitas ações perpretadas pelos bandidos, importando-se apenas pelo jogo do poder. O final da história é meio vago, dando a impressão de que não acabou...

Trechos interessantes:

"...o repórter tem que ser um criador. De uma notinha assim faz uma epopeia. É o que vai acontecer." (pág. 20)

"-O mais importante nisso tudo é que o Mão Branca saiu das trevas para as chamas. É a libertação do mito! Se não fosse você, apodreceria no anonimato." (pág. 27)

"-Sabe o que tô fazendo, sem-vergonha?
-O bilhete de despedida. Todo suicida cuida desse detalhe antes de pular no abismo." (pág. 38)

"A cada dez crimes registrados na cidade, a PM tá metida em onze!" (pág. 74)

"O momento faz o heroi. A história tá cheia de exemplos." (pág. 82)

"-Tenho uma proposta para que você não afunde no ridículo. Afinal, se sua teimosia me irrita, admiro-lhe o talento." (pág. 125)

"-E se ele morre?
-Cumpre-se a vontade do Altíssimo. Nossas intenções, o senhor bem sabe, eram as melhores possíveis. Ocorre que o cinesíforo foi com muita sede ao pote.
-Cine... o quê, chefia? Não captei!
-O motorista se precipitou. Sectarizou. Em vez de disparar no pé, como fizeram ilustres poetas do romantismo, foi direto à clavícula, sem entender patavina de anatomia. E o senhor, de certa forma, é cúmplice do ato insano." (pág. 138)

domingo, 12 de agosto de 2012

Histórias de fantasmas

Título: Histórias de fantasmas
Autor: Charles Dickens
Páginas: 192

Pequeno livro de contos de Dickens, contendo treze histórias, nas quais sempre aparecem, de uma forma ou de outra, fantasmas, assombrações, mistérios, coisas estranhas e por aí vai.

Usando um linguajar rebuscado e característico da época, as histórias transmitem uma sensação de "coisas do além", impregnando no leitor o clima sombrio e tétrico desejado pelo autor.

Trechos interessantes:

"...ele fizera bobagens, não aproveitara as oportunidades, decaíra; e nunca mais se levantou. Não tinha nenhuma reclamação a fazer. Havia feito sua própria cama e nela se deitado. Era tarde demais para fazer outra." (pág. 12)

"Há muitos lugares, mesmo neste mundo sombrio, mais prazerosos do que Malborough Downs quando venta forte; e se você juntar um anoitecer melancólico de inverno, uma estrada lamacenta e molhada, tudo debaixo de fortes pancadas de chuva, e experimentar o efeito disso na própria pele, você terá ideia de toda a força dessa observação." (pág. 36/37)

"Cavalheiros, há uma história antiga - mas nem por isso menos verdadeira - sobre um jovem e elegante cavalheiro irlandês que, ao ser perguntado se era capaz de tocar a rabeca, respondeu claro que sim, mas não podia afirmar com certeza, pois nunca havia tentado." (pág. 87)

"...um homem não sabe do que é capaz até tentar, cavalheiros." (pág. 87)

"...e então, irrompendo no átrio, chutou os dois sarjas-verdes mais acostumados a levar pontapés e, amaldiçoando os outros à volta, mandou-lhes que fossem à... não interessa onde. Não sei como se diz em alemão. Se soubesse, eu diria... delicadamente, é claro." (pág. 99)

sábado, 4 de agosto de 2012

Você está sendo vigiado

Título: Você está sendo vigiado
Autor: Gregg Hurwitz
Páginas: 262

Livro para ser lido de um só fôlego, tal é o ritmo alucinante da história. Patrick Davis é um roteirista de um filme intitulado justamente "Você está sendo vigiado" e, de repente, descobre que ele próprio está sendo vigiado. Inicia aí uma situação surrealista, cheia de reviravoltas, surpresas e mistérios que permeiam os dramas policiais.
Paralelamente à história da espionagem há os problemas de relacionamento de Patrick e Ariana, acrescentando um novo ingrediente à trama. Seguramente, para os amantes do gênero é um livro excelente pois a leitura prende a atenção, apesar da história mirabolante. A leitura é agradável e isso é o que interessa.

Trechos interessantes:

"Nunca desista, é o que dizem.
Siga seus sonhos.
Mas há outro provérbio que talvez seja mais adequado.
Cuidado com o que deseja." (pág. 16)

"Siga seus sonhos. Mas ninguém fala no que precisamos deixar pelo caminho. Os sacrifícios. As inúmeras maneiras pelas quais a vida pode ir pelo ralo enquanto esperamos o sol nascer." (pág. 18)

"Não consegui me lembrar da última vez que me senti tão bem-disposto. Em vez de Vidas em jogo, eu era protagonista de A corrente do bem." (pág. 107)

"-Antigamente você precisava ser famoso para ser famoso. Mas agora? O real é falso e o falso é real! Que atração é essa por monitorar tudo e colocar uma câmera em todos os lugares?" (pág. 128)

"-Você sabe como se cozinha um sapo, Patrick?
-Sei - respondi. - Se jogar o animal na água quente, ele pula para fora. Então você coloca o sapo dentro da água fria e cozinha em fogo baixo. Ele não percebe que está sendo cozido." (pág. 202)

"Eu tinha lido em algum lugar que um elefante pode ficar preso por um barbante sem saber que pode se desvencilhar dele. Isso acontece porque o animal simplesmente acredita que está preso." (pág. 207)

"Falam do amor como se ele se resumisse a dançar de rosto colado, fazer amor até de manhã e dar joias de presente. Mas esse sentimento pode muito bem significar ver a esposa sentada no chão da cozinha em posição de lótus depois de uma corrida, procurando uma frigideira dentro do armário." (pág. 210)

"Minha vida já não é mais como um filme. Minha vida é... minha!" (pág. 260)

terça-feira, 31 de julho de 2012

13 histórias de vida ou morte

Título: 13 histórias de vida ou morte
Autor: Alfred Hitchcock
Páginas: 222

Fechando o mês com a leitura de mais uma coletânea de Hitchcock. São 13 histórias seguindo o padrão habitual: mortes, mistérios, suspense e mais tantos itens similares.

Depois da leitura de várias dessas coletâneas, fica difícil achar alguma história com algum toque de originalidade. Mas, como aprecio o gênero, isso não me desestimula. Deste livro destaco as seguintes: "Pelo dinheiro recebido", "Quem irá sentir a falta de Arthur?" e "Amor com amor se paga".

Trechos interessantes:

"Era um caso típico, pensei, amargurado. Era o tipo de precipitação que leva a polícia a encarar os assaltantes armados como os mais perigosos de todos os criminosos. Todos eles são assassinos em potencial." (pág. 14)

"Há sempre algumas pessoas mórbidas, em cada multidão, que ficam à espreita até o último momento, na esperança de ver um cadáver." (pág. 20)

"Ficaria surpresa se descobrisse como os homens de coração mole podem se transformar em tigres, quando seus entes queridos são ameaçados." (pág. 29)

"-Acontece que o solteiro é um homem encantador. Ele pode se dar a esse luxo. Não tem qualquer compromisso. Está a salvo das pequenas e constantes brigas, que são parte integrante até dos casamentos mais firmes. Sempre se apresenta no melhor de sua forma. Quando está cansado ou entediado, ele simplesmente se retira. Tem condições de comprar flores para a anfitriã, porque não precisa pagar pela carne e batatas. Pode desculpar os pequenos defeitos dela, porque não precisa aturá-los durante todos os dias da semana..." (pág. 40)

"Brady pegou o chapéu e meteu-o na cabeça, um veterano calejado de muitos anos. Se a observação é ambígua, escolham a que melhor lhes aprouver." (pág. 96)

"-Quando a gente sente que há um animal perigoso escondido nas moitas, não se manda uma matilha de cães a ladrarem para cercá-lo." (pág. 133)

"Cerca de dois meses antes, Sam Hammond errara ao fazer uma curva, na estrada antiga. O velho carvalho com o qual o carro se chocara havia sobrevivido. Mas, Sam não tivera a mesma sorte." (pág. 178)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A alma de Anna Klane

Título: A alma de Anna Klane
Autor: Terrel Miedaner
Páginas: 212

Anatol Klane é um físico e inventor que tem, além da filha Anna - dotada de extrema inteligência - , um supremo desejo: provar a existência da alma humana. Para tanto, ele recorre a um procedimento que contraria toda a ordem lógica das coisas.
O livro é, no mínimo, perturbador. Questões filosóficas, éticas e religiosas são discutidas em suas diversas variantes. A ideia do livro não é criticar nem apoiar a atitude de Anatol, mas deixar a questão para que cada um a interprete a seu modo.

Trechos interessantes:

"...o problema é que uma operação pode salvar a vida do meu corpo, mas comprometer a minha própria vida interior." (pág. 9)

"O doutor abanou a cabeça de um lado para o outro, espantado de ver um homem aparentemente inteligente e educado ter um receio medieval." (pág. 13)

"-Qualquer sistema social que confere aos pais o poder de decidir sobre a vida e a morte de seus próprios filhos é francamente medieval. Inteiramente saído da idade das trevas!" (pág. 27)

"-O senhor teme a morte porque o senhor acredita em sua finalidade. Eu, que não tenho as suas convicções religiosas, não compartilho seu medo." (pág. 38)

"Ele sentou-se diante da moça e esperou que o extraordinário conforto de sua sala exercesse algum efeito relaxante em sua visitante inesperada." (pág. 64)

"-Pensar não é função de cérebro nenhum. Seu, meu, de animais, o que queira." (pág. 66)

"Seu subconsciente é um mecanismo automático que também não liga nem um pouco para quem o dirige. Uma pessoa hipnotizada é simplesmente alguém que deu as chaves do seu subconsciente a outro motorista. De um ponto de vista ideal, esse motorista é um bom mecânico, um profissional como eu, que correrá apenas pelos caminhos certos. Mas infelizmente, nem sempre é assim. Há motoristas de todos os tipos." (pág. 97)

"Obviamente a inteligência não pode ser tomada como critério único na nossa sociedade, para decidir se alguém possui ou não um legítimo direito à vida." (pág. 117)

"Na realidade, você só não gosta de matar porque o animal resiste à morte. Ele grita, luta, parece triste, e como que lhe pede que não o mate. E é na realidade a sua mente e não o seu corpo biológico que ouve a súplica do animal." (pág. 185)

sábado, 21 de julho de 2012

O rei branco

Título: O rei branco
Autor: Gyorgy Dragomán
Páginas: 256

O regime totalitário na visão de um menino de 12 anos. Dzsáta vê a polícia do Estado levar seu pai, mas não sabe para onde nem o motivo. Com o passar do tempo vai tomando consciência da situação e, em meio a problemas na escola, com a mãe, com o avô e tudo mais, aguarda ansioso pelo dia em que o pai vai retornar.

A história é interessante, mesmo sendo povoada de nomes impronunciáveis, mas... o que não me agradou foi o fato do livro ser todo narrado em primeira pessoa. Não há um diálogo no livro inteiro, os trechos são do tipo "eu disse isso, então ele disse aquilo e aí eu falei assim...". Isso, sem dúvida, pode ter o seu valor literário, mas torna a leitura muito enfadonha.

Trechos interessantes:

"...fiquei lá sentado martelando o canivete e pensando em como deveria ser ruim ser cego, viver em uma escuridão permanente, enxergar apenas por meio de uma bengala, e no instante em que eu estava pensando isso alguém tapou meus olhos por trás." (pág. 52)

"Eu acenei com a cabeça, mas não disse nada, o importante é que enquanto não nos fazem perguntas não devemos dizer nada porque isso só cria problemas..." (pág. 77)

"...e então a comandante dos Pioneiros fez que sim e disse que meus pensamentos eram patrióticos e faziam o Estado progredir no caminho da paz..." (pág. 86)

"...e disse que eu deveria ser um bom rapaz e deveria esperar pela minha mãe e não deveria tocar em nada, e, principalamente, não deveria tentar roubar nada, pois pagaria por isso, em seguida disse de novo que conhecia bem as crianças, sabia que eram todas pequenas ladras em quem não se podia confiar por um instante sequer, de modo que era para eu me cuidar, pois no lugar de onde aqueles objetos vinham se costumava furar os olhos dos ladrões." (pág. 143)

"...fiquei ali sentando olhando uma coisa atrás da outra, e tentei imaginar como seria se não a tivesse, se eu a procuraria ou se desejaria brincar com ela, os Matchbox, por exemplo, há um ano pelo menos não os tirava da gaveta, tirar pó eu também não tirava havia muito tempo, conhecia de cor a maioria das histórias em quadrinhos e só as olhava muito raramente, mas não conseguia imaginar o que sentiria se, digamos, abrisse a gaveta dos Matchbox e a visse completamente vazia ou se olhasse para a estante e visse que não havia nela nenhuma história em quadrinhos." (pág. 151)

"Máriusz olhou diretamente para o túnel de castanha na prateleira, apontou para ele com a mão, perguntou o que era aquilo, e aí eu não aguentei, não consegui ficar calado, disse que não era nada, não era do interesse dele, mas ao falar tive certeza de que não adiantaria, pois minha mãe olhou para mim e sorriu um sorriso severo, frio, e disse filhinho parece que você recebeu um convidado..." (pág. 180)

"...minha mãe ia saber que tinha brigado de novo, embora tivesse lhe prometido que nunca mais brigaria. Picareta disse que no mundo de hoje não poderíamos prometer uma coisa dessas." (pág. 211)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Germinal

Título: Germinal
Autor: Émile Zola
Páginas: 254

A vida cruel e sofredora dos trabalhadores das minas de carvão da França no século XIX é o principal tema abordado no livro. Trabalhando em condições sub-humanas e ganhando o que mal dá para a sobrevivência, os mineiros são forçados (após ameaça de reduzirem ainda mais os salários) a iniciarem uma greve. Mas a greve se prolonga mais que o planejado e a fome e o desespero se instalam de vez na vida dos trabalhadores.

A história em si é interessante, ainda mais quando a tradução usa de vocabulário simples, facilitando o entendimento. O autor viveu na pele a dura realidade dos mineiros e conseguiu transmitir isso aos leitores. Um livro amplamente recomendado.

Trechos interessantes:

"Apague a vela, não preciso ver a cor dos meus pensamentos." (pág. 21)

"Mas os mineiros, no fundo de suas tocas de toupeira, sob o peso da terra, sem o ar nos pulmões, continuavam a cavar." (pág. 29)

"Por que ele iria interferir? Quando as moças dizem não, é porque gostam de apanhar antes." (pág. 45)

"Se o salário cai, os operários morrem, e a procura de novos trabalhadores faz aumentar o salário. Se o salário sobe muito, a oferta de mão-de-obra faz o salário baixar... É o equilíbrio das barrigas vazias, a condenação à fome eterna." (pág. 52)

"Com o passar do tempo Étienne começou a entender melhor as novas ideias que fervilhavam em sua mente. Havia uma série de perguntas a ser respondidas: por que alguns eram tão pobres e outros tão ricos? Por que os ricos exploravam os pobres, que nunca tinham vez? A primeira etapa foi tentar compreender sua própria ignorância." (pág. 57/58)

"Mais quinze dias de greve e estaria falido. E, na certeza do seu desastre, não sentia mais raiva dos grevistas de Montsou; a culpa era geral, secular. Eram brutos, sim, mas brutos que não sabiam ler e morriam de fome." (pág. 131)

"Quem era o idiota que punha a felicidade do mundo na distribuição da riqueza? Não, o único bem era não ser, ou, sendo, ser a árvore, ser a pedra, menos ainda, ser o grão de areia que não sangra ao ser pisoteado." (pág. 140)

"Como seria fácil a revolução triunfar se o exército passasse para o lado do povo! Bastava que o operário e o camponês, nas casernas, se lembrassem da sua origem. Esse era o perigo supremo, que fazia os burgueses tremerem de medo, só de imaginar que os soldados pudessem aderir à luta do povo." (pág. 151)

"Enquanto tiverem alguma posse, nunca serão dignos de felicidade; seu ódio aos burgueses é apenas o desejo de ser como eles." (pág. 159)

"...e aqueles dois homens que se desprezavam, o operário revoltado e o chefe cético, se atiraram nos braços um do outro e choraram e soluçaram muito, resumindo a emoção profunda de toda a humanidade." (pág. 228)

domingo, 15 de julho de 2012

O outro lado da meia-noite

Título: O outro lado da meia-noite
Autor: Sidney Sheldon
Páginas: 416

O livro - um misto de romance, aventura e policial - discorre sobre o triângulo amoroso formado por Noelle Page, Larry Douglas e Catherine Alexander, passando por vários lugares, mas principalmente a França, os Estados Unidos e a Grécia. Noelle nasceu pobre mas, logo cedo, descobriu que, através de certos favores, pode-se conseguir qualquer coisa dos homens e, de galho em galho, chega a amante do maior magnata grego.

Catherine teve uma vida, digamos, mais recatada, até casar-se com Larry achando que seu sonho está realizado. Já Larry é o famoso garanhão que só quer saber de se dar bem com as mulheres. Antes de se casar, Larry envolve-se com Noelle, sendo este o estopim para a corrida de gato e rato que consome boa parte do livro.

Como os demais livros de Sheldon, a história é agradável e prende a leitura, fazendo com que tenhamos pressa em chegar ao final do livro.

Trechos interessantes:

"Os jovens são jovens demais para enfrentar a adolescência." (pág. 25)

"Ele falou sem parar durante a meia hora seguinte, discutindo, ameaçando, bajulando, mas, quando Noelle terminou de arrumar as coisas e partiu, Sorel ainda não compreendia por que a perdera, pois não sabia que jamais a possuíra realmente." (pág. 98)

"Parecia-lhe estúpido que, numa época esclarecida como aquela, as pessoas ainda acreditassem poder resolver suas desavenças, assassinando-se umas às outras." (pág. 119)

"É interessante, pensou ela, como as coisas que os outros fazem parecem tão horríveis, e no entanto, quando somos nós que as fazemos,parecem tão certas." (pág. 150)

"-Os britânicos são uma raça estranha - disse ele. - Em tempo de paz, são impossíveis de se lidar, mas em crise são magníficos. Um marinheiro inglês só é verdadeiramente feliz quando seu navio está afundando." (pág. 197)

"Você é inteligente, educada, bondosa e sexy, disse a si própria. Por que razão um macho normal, de sangue nas veias, haveria de estar morrendo de vontade de abandoná-la para poder ir à guerra e ver se consegue levar um tiro?" (pág. 206)

"Catherine tinha vontade de gritar: Diga-me qual é a surpresa, diga-me o que estamos comemorando. Mas nada falou, lembrando-se de um velho ditado húngaro: 'Só um idiota apressa as más notícias'." (pág. 207)

"Para ter sucesso, precisa-se de amigos. Para ter muito sucesso, precisa-se de inimigos." (pág. 215)

"Em qualquer outra cidade, pensou Catherine, um lugar como este seria favela. Aqui é um monumento." (pág. 276)

"A Grécia era uma maravilha de ineficiência organizada, tinha-se de relaxar e divertir-se. Ninguém tinha pressa, e se se perguntava a alguém onde ficava um lugar, era provável que a pessoa fosse levá-la para lá." (pág. 282)

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Jogando por pizza

Título: Jogando por pizza
Autor: John Grisham
Páginas: 288

O livro narra a história de Rick Dockery, um jogador de futebol americano que, após diversas trapalhadas jogando nos Estados Unidos e sem chances nos times americanos, resolve se aventurar pelo continente europeu. Defendendo a equipe do Parma e tentando se adaptar à língua, aos costumes e à cultura de maneira geral, luta para que sua equipe chegue ao "Super Bowl" do campeonato italiano.

História simples, sem muita variação e sem nenhuma pretensão. Para mim foi bastante cansativo devido ao excesso de termos específicos do futebol americano, do qual sou um completo ignorante.

Trechos interessantes:

"Os americanos sempre passavam por um breve período de choque cultural. A língua, os carros, as ruas estreitas, apartamentos pequenos, o confinamento das cidades." (pág. 44)

"As arquibancadas comportam três mil pessoas, mas quase nunca todos os ingressos são vendidos. Na verdade, isso nunca acontece. A entrada é franca." (pág. 47)

"-O que um garoto negro da Colorado State está fazendo em Parma, Itália?
-Jogando futebol americano, à espera de um telefonema. A mesma coisa que você." (pág. 51)

"Os italianos ao seu redor falavam mais do que comiam. Um burburinho suave dominava a trattoria. O ato de jantar sem dúvida envolvia comida saborosa, mas também era um evento social." (pág. 64)

"-A filosofia do supermercado não se aplica por aqui - comentou Sam. - As donas de casa planejam seu dia a partir da compra de alimentos frescos." (pág. 80)

"Não era mais um pistoleiro de aluguel, um atirador trazido do Velho Oeste para dirigir o ataque e ganhar os jogos." (pág. 221)

"E, com isso, eles passaram por outro pequeno marco, deram mais um passo em direção à vida comum. Do flerte a sexo sem compromisso, depois um estágio mais intenso. De rápidos e-mails a conversas longas pelo telefone. De um romance a distância a brincarem de casinha. De um futuro próximo incerto a uma posteridade que poderia ser partilhada. E, agora, um acordo de exclusividade. Monogamia. Tudo sacramentado com um gelato de pistache." (pág. 251)

domingo, 1 de julho de 2012

Guia politicamente incorreto da América Latina

Título: Guia politicamente incorreto da América Latina
Autor: Leandro Narloch e Duda Teixeira
Páginas: 336

Esqueça tudo o que você aprendeu nos livros de História. A realidade é bem mais sutil e instigante. Várias personalidades históricas são abordadas neste livro, mostrando que muita coisa acontece (e não é mostrada) para que se passem por "mocinhos" à luz da História. Fidel Castro, Che Guevara, Perón, Allende, Bolívar e outros são aqui desmascarados e expostos ao crivo popular.

Muitos são considerados heróis mas, após a leitura do livro, vê-se que para atingir esse ponto, ainda falta muita coisa.

Comprei o livro por acaso e, agora, me veio a curiosidade de ler o guia da História do Brasil. Deve ser igualmente interessante...

Trechos interessantes:


"Eu [Fidel] não concordo com o comunismo.Nós somos democráticos. Somos contra todo tipo de ditadores. É por isso que somos contra o comunismo". (pág. 35)

"Em 1963, [Che] ajudou a aprovar a maior inimiga dos jovens: a lei do serviço militar obrigatório. Ironicamente, o próprio Che tentou escapar do serviço militar da Argentina, em 1946, quando completou 18 anos". (pág. 43)

"Outro traço do comunismo que passa perto dos incas é a prática de mudar a história. Em Cuba, na China do século 21, na União Soviética de Stálin ou em qualquer governo comunista do século 20, o passado foi uma mercadoria política a ser alterada sem hesitação." (pág. 94)

"Na Bolívia, a folha de coca tornou-se objeto de culto oficial. O artigo 384 da Constituição é apoteótico: 'o Estado protege a coca originária e ancestral como patrimônio cultural, recurso natural renovável da biodiversidade da Bolívia, e como fator de coesão social'." (pág. 96)

"É difícil encontrar, entre todos os continentes, entre todas as épocas, uma civilização mais obcecada por cerimoniais de morte que os astecas." (pág. 98)

"É como se a trajetória de um país inteiro ao longo dos séculos pudesse ser resumida à vida de um único homem." (pág. 131)

"...o que Bolívar realmente almejava era erigir toda a América do Sul como uma única república federativa, tendo nele próprio seu ditador." (pág. 141)

"A única coisa a fazer na América é ir embora." (pág. 148)

"...o argentino, individualmente, não é inferior a ninguém, mas, coletivamente, é como se não existisse." (pág. 197)

"...a Argentina é um país com um grande passado pela frente." (pág. 197)

"Quando Perón e sua trupe retornaram a Buenos Aires, nova eleições foram convocadas e - adivinhe? - os argentinos tornaram a votar em peso no homem. Ele ganhou, assim, outra chance para destruir seu país." (pág. 225)

"Eu [Allende] não sou presidente de todos os chilenos, mas apenas dos que apoiam a Unidade Popular." (pág. 270)

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Os Bruzundangas

Título: Os Bruzundangas
Autor: Lima Barreto
Páginas: 128

Os Bruzundangas é uma coleção de crônicas publicadas pelo autor em 1917 e 1918 e que depois, em 1922, se condensaram em um livro. O autor usa estas crônicas para falar de um país imaginário, a Bruzundanga, descrevendo as coisas absurdas e sem sentido que por lá acontecem. É uma sátira mordaz sobre a sociedade brasileira da época.
O interessante é que, ainda hoje, ao lermos as crônicas daquela época, verificamos que muitas coisas ainda continuam sem sentido, não se diferenciando muito da Bruzundanga. Excetuando-se a linguagem rebuscada da época, pode-se dizer que aquelas crônicas se ajustam perfeitamente ao país de hoje.

Alguns trechos interessantes:

"A glória das letras só as tem, quem a elas se dá inteiramente." (pág. 21)

"Um doutor de lá que era até lente da Escola dos Engenheiros, apesar de ter outros empregos rendosos, quis ser inspetor da carteira cambial do banco da Bruzundanga. Conseguiu e, ao dia seguinte de sua nomeação, quando se tratou de afixar a taxa do câmbio, vendo que, na véspera havia sido de 15 3/16, o sábio doutor mandou que o fizesse no valor de 15 3/32. Um empregado objetou:
- Vossa Excelência quer fazer descer o câmbio?
- Como descer? Faça o que estou mandando! Sou doutor em matemática." (pág. 37)

"Os seus políticos são o pessoal mais medíocre que há. Apegam-se a velharias, a coisas estranhas à terra que dirigem, para achar solução às dificuldades do governo.
A primeira coisa que um político de lá pensa, quando se guinda às altas posições, é supor que é de carne e sangue diferente do resto da população." (pág. 42)

"O povo da Bruzundanga é doce e crente,mais supersticioso do que crente, e entre as suas superstições  está esta do ouro. Ele nunca o viu, ele nunca sentiu o seu brilho fascinador; mas todo o bruzundanguense está certo de que possui no seu quintal um filão de ouro." (pág. 46)

"São assim como nós que temos grande admiração pelo Barão do Rio Branco por ter adjudicado ao Brasil não sei quantos milhares de quilômetros quadrados de terras, embora, em geral, nenhum de nós, tenha de seu nem os sete palmos de terra para deitarmos o cadáver." (pág. 54)

"Na Bruzundanga não existe absolutamente força armada. Há, porém, cento e setenta e cinco generais e oitenta e sete almirantes. Além disto, há quatro ou cinco milheiros de oficiais, tanto de terra como de mar, que se ocupam em fazer ofícios nas repartições." (pág. 62)

"Um senhor que conheci, fez-se uma celebridade em astronomia, com auxílio dos saraus que lhe eram oferecidos pelos amigos. Ele tinha em casa um óculo de bordo, montado sobre uma tripeça, que, por sua vez, se alcandorava em um mangrulho erguido na sua chácara." (pág. 83)

sábado, 7 de abril de 2012

O diário de Nina

Título: O diário de Nina
Autor: Nina Lugovskaia
Páginas: 414

Considerei o livro uma propaganda enganosa: o destaque da capa ("o terror stalinista nos cadernos de uma menina soviética") está presente em, se muito, dez páginas do livro. O restante é apenas o conteúdo normal do diário de uma adolescente: garotos, escola, namoro, problemas familiares, etc.
Achei também que, ser detida, processa e encaminhada a um campo de prisioneiro, somente por algumas frases escritas contra o regime é, no mínimo, um absurdo. Mas, claro, estou analisando isso do ponto de vista de hoje, naquela época as coisas eram bem diferentes...

Trechos interessantes:

"Fico amargurada e ofendida ao constatar que meu ídolo começa a cair do trono sobre o qual foi colocado pela minha imaginação, unida à sua beleza." (pág. 49)

"Aquilo que habitualmente me tormenta, contudo, isso eu não digo a ninguém. Para quê? Alguns têm o péssimo hábito de espalhar tudo o que sabem." (pág. 54)

"'É próprio do homem ter esperança.' Penso que é verdade, não há homem que viva sem ter esperança, ela não nos abandona nem mesmo nos momentos mais terríveis da vida." (pág. 66)

"De início sofria terrivelmente, acontecia-me ter vontade de contar muitas coisas e de vez em quando eu o fazia, mas ninguém me escutava com atenção. Pelo contrário, com frequência eu percebia que aquilo que mais me importava não interessava nem um pouco aos outros." (pág. 80)

"Como é cruel a natureza, e como escarnece de nós! Ela me dotou de paixão, constância, uma rara e extraordinária paciência e até de uma certa força de vontade, mas depois se esqueceu de me dar o essencial: talento." (pág. 91)

"Os homens jamais verão o tempo em que no mundo todos serão iguais, quando um não terá o direito de coagir e ofender o outro, quando não existirão fortes que decidem tudo e fracos que não têm direitos." (pág. 95/96)

"Aquele sonho era belo justamente por ser sonho, eu me habituara a ele, gostava dele, mas... quando surgiu a possibilidade concreta de realizá-lo, eu me apavorei, sentia que isso não devia acontecer." (pág. 115)

"...até a beleza comporta sofrimentos, mas o que são eles comparados à felicidade que a beleza traz?" (pág. 135)

"...a vida fica tão aborrecida quando não há emoções!" (pág. 192)

"...mas em toda pessoa existem lados positivos, e ela também os tinha. Estava alegre, conversadeira, e com ela não me senti embaraçada. Em geral, nesse tipo de situação as pessoas se tornam melhores e mais solidárias, já que o mal nasce do ócio." (pág. 302)

"Aprendi a considerar com serenidade os meus defeitos, portanto aprendi a não me dar por vencida, porque me enfurecer e virar bicho significa admitir que a luta é desigual." (pág. 308)

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Rebuliço no pomar de goiabeiras

Título: Rebuliço no pomar de goiabeiras
Autor: Kiran Desai
Páginas: 220

Um olhar sobre a Índia e seus costumes, esta é a tônica deste livro. Assistir a um filme ou ler um livro de uma cultura diferente sempre é um pouco estranho. Apesar da evidente diferença, instintivamente fico tentado a comparar os hábitos e costumes aos quais estou acostumado.
A história em si é, no mínimo, curiosa: Sampath é um jovem que, na família e no trabalho, não tem muito futuro. Vai mal na escola, não para em nenhum emprego e em casa é um desajustado. Quando todos pensam que ele está fadado a ser um transtorno, eis que ele sobre numa goiabeira e, de repente, passa a ser um guru famoso adorado por todos. E quando tudo está indo bem surge um bando de macacos para tumultuar o "templo" do jovem guru.

Trechos interessantes:

"Boletins com tantos F vermelhos que a letra parecia ter-se multiplicado com abandono, desregradamente, pela ausência de competição do resto do alfabeto." (pág. 28/29)

"-Mas o mundo é redondo - disse Ammaji, satisfeita com sua própria inteligência - Espere e verá! Mesmo que pareça que está indo para baixo, ele sairá do outro lado. Sim, no topo do mundo. Está apenas tomando a estrada mais longa." (pág. 31)

"Macacos subiam em árvores. Besouros viviam em árvores. [...] Mas para alguém viajar uma longa distância simplesmente para se sentar em uma árvore era absurdo. Permanecer sentado ali por alguns dias era ainda mais ridículo." (pág. 60)

"A garota deveria ter passado em todos os exames no primeiro grau, mas esvutaria respeitosamente as preleções dos futuros parentes sobre diversos temas em que eles próprios haviam sido reprovados na escola secundária." (pág. 62)

"Refratário aos encantos de Pinky como sempre, ele havia prosseguido seu caminho, a sua vida sólida como uma rocha e não perturbada pelo amor. Quando a hora certa chegasse, encontraria a garota certa sem a dilaceração do romance." (pág. 117)

"Gostava muito de teorias. Bastava alguma coisa chamar a sua atenção e, independentemente de ser ou não um problema, ele elaborava imediatamente uma hipótese, complementada pelos passos a serem dados e as conclusões possíveis." (pág. 141/142)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Nada de novo no front

Título: Nada de novo no front
Autor: Erich Maria Remarque
Páginas: 232

Magnífico livro que nos mostra o quão sem sentido é a guerra. Narrado em primeira pessoa, mostra a I Guerra Mundial sob o ponto de vista de um jovem de 19 anos, que deixa para trás família, amigos e tudo o futuro que sonhava para ingressar na linha de frente da batalha, onde não vê o menor propósito.
Paul Baumer vê os companheiros de regimento como sua nova família e sofre ao ver o que a guerra faz com cada um deles. Um livro franco, sincero e honesto, apresentando a guerra não como um ato heróico e cheio de bravuras, mas como uma estupidez sem sentidos.

Trechos interessantes:

"A guerra não seria tão insuportável se a gente pudesse dormir mais." (pág. 8)

"Com o passar do tempo, acostumamo-nos a muitas coisas..." (pág. 12)

"Aprendemos que um botão bem polido é mais importante do que quatro livros de Schopenhauer." (pág. 24)

"Se ele ao menos abrisse a boca e gritasse! Mas chora apenas, com a cabeça virada para o lado. Não fala de sua mãe, nem dos irmãos; não diz nada; agora, tudo ficou para trás: está só, com a sua pequena vida de dezenove anos, e chora porque ela o abandona." (pág. 31)

"-Ouçam o que eu digo: vamos perder a guerra porque batemos continência bem demais." (pág. 38)

"De toda aquela arenga, pouco ou quase nada sabemos. Também não nos serviu para nada. Mas na escola ninguém nos ensinou a acender um cigarro na chuva ou na tempestade de vento, nem a preparar uma fogueira com madeira molhada, nem que é melhor enfiar uma baioneta na barriga, porque lá ela não fica presa como nas costelas." (pág. 74)

"Há alguns anos, ter-nos-íamos desprezado terrivelmente. Agora, estamos bastante satisfeitos. É tudo uma questão de hábito, até mesmo o front." (pág. 115)

"Nunca fomos dados a grandes demonstrações de carinho na nossa família; isso não é comum entre gente pobre, que tem de trabalhar muito, sempre sob o peso das preocupações. Não gostam de repetir o que já sabem. Quando minha mãe me chama de 'meu garoto', isto significa tanto quanto as expressões mais efusivas ditas por qualquer outra pessoa." (pág. 131)

"-Pensando bem, é curioso. - continua Kropp - Estamos aqui para defender a nossa pátria. Mas os franceses também estão aqui para defender a deles. Quem tem razão?" (pág. 164)