domingo, 27 de setembro de 2015

Tio Petros e a Conjectura de Goldbach

Título: Tio Petros e a Conjectura de Goldbach
Autor: Apostolos Doxiadis
Páginas: 163

Todo número par maior que 2 é igual à soma de dois números primos. Esta é a conjectura de Goldbach, um dos mais intrigantes desafios da matemática, justamente pelo seu enunciado simples e de fácil entendimento, mesmo pelos leigos. Apesar de já ter sido testada além da casa dos trilhões, ainda não foi possível demonstrá-la.

O livro - escrito por um matemático - conta a história de um homem (Tio Petros) que passou a vida inteira tentando demonstrar a conjectura. O livro é narrado pelo sobrinho - cujo nome não é citado - que, ao saber da história do tio se entusiasma e ao mesmo tempo se decepciona ao saber que o tio não teve o reconhecimento que deveria.

Trechos interessantes:

"O Segredo da Vida é traçar sempre metas alcançáveis. Elas podem ser fáceis ou difíceis, dependendo das circunstâncias, da personalidade e da capacidade de cada um, mas têm sempre que ser al-can-çá-veis!" (pág. 22)

"O que me fascinava era que meu tio, bondoso, reservado e aparentemente despretensioso, era, na realidade,um homem que, por escolha própria, lutara anos a fio nos limites mais extremos da ambição humana. Aquele homem que eu conhecia desde sempre, que era, na verdade, um parente bastante próximo, dedicara toda sua vida à resolução de Um dos Mais Difíceis Problemas da História da Matemática! Enquanto os irmãos estudavam e se casavam, criavam os filhos e administravam o negócio da família, consumindo suas vidas, junto com o restante da humanidade anônima, na rotina diária da subsistência, da procriação e do ócio, ele, tal como Prometeu, empenhava-se para iluminar o mais escuro e inacessível canto do conhecimento." (pág. 22/23)

"Por fim compreendi o significado do dizer na entrada da Academia de Platão: oudeis ageometretos eiseto, ou seja, 'Que não entrem os ignorantes em geometria'. A moral daquela noite surgiu cristalina: a matemática era algo muito mais interessante que a simples resolução de equações de segundo grau ou o cálculo de volume dos sólidos, tarefas menores que realizávamos na escola. Seus profissionais viviam em um verdadeiro paraíso conceitual, um reino poético e majestoso totalmente inacessível aos hoi polloi não matemáticos." (pág. 25)

"Grandes amores muitas vezes nascem da solidão, o que parece ter sido totalmente verdade no caso de meu tio e sua relação com os números durante toda vida. Descobriu seu talento particular para o cálculo muito cedo e não tardou para que este, na falta de outras diversões emocionais, se transformasse em uma verdadeira paixão." (pág. 53)

"[...]E eu consegui resultados intermediários, resultados maravilhosos e importantes, mas não os publiquei quando devia e outros acabaram chegando lá na minha frente. Infelizmente, na matemática não existe medalha de prata. O primeiro a anunciar e a publicar fica com toda a glória. Não sobra nada para mais ninguém." (pág. 89)

"O pré-requisito necessário - mas não suficiente, fique você sabendo - para a realização suprema é a devoção obstinada. Se você possuísse mesmo o dom que gostaria de ter, meu caro rapaz, você não teria vindo pedir a minha bênção para estudar matemática." (pág.120)

"Embora minha educação tenha sido escassa, embora eu tenha molhado apenas as pontas dos pés no imenso oceano da matemática, ela marcou para sempre a minha vida, dando-me o gostinho de um mundo superior. Sim, ela tornou a existência do Ideal um pouco mais plausível, até mesmo tangível." (pág. 130)

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Aquele estranho dia que nunca chega

Título: Aquele estranho dia que nunca chega
Autor: Luis Fernando Veríssimo
Páginas: 238

As crônicas de Luis Fernando Veríssimo são simplesmente fantásticas. Ele consegue escrever como se estivesse conversando e contando uma história pra você, assim, lado a lado. Não é à toa que é um dos mais conceituados escritores brasileiros, agradando a diferentes gerações.

Neste volume ele nos apresenta algumas crônicas sobre os bastidores da política brasileira. Interessante ver textos da época do Éfe Agá e do Lula como se fossem dos dias atuais. Por aí se vê que passam pessoas e partidos e a nossa política continua a mesma...

Trechos interessantes:

"Simpatizo com os intelectuais, talvez porque já tenham me confundido com um (devem ser os óculos). Os intelectuais têm efeitos contraditórios nas pessoas. Ou são tratados com uma certa reverência brasileira ao doutorismo - ou apenas a quem fala difícil - ou são tratados como "poetas" inocentes e desligados do mundo." (pág. 11)

"Tem um velho provérbio chinês que diz: sempre que estiver em dificuldade para começar uma crônica, apele para um velho provérbio chinês. E tem outro provérbio chinês, que acabei de inventar, que diz: quando não existir nenhum velho provérbio chinês apropriado para começar uma crônica, invente um." (pág. 22)

"Dizem que, no velório do Kennedy, uma senhora da sociedade de Washington viu-se ao lado da viúva e, querendo puxar conversa para distraí-la e não sabendo como começar, indicou com o queixo o caixão do presidente assassinado e perguntou:
-Fora isso, Mrs. Kennedy, o que a senhora achou de Dallas?" (pág. 46)

"Que grande observador do mundo teria bolado a frase 'pra baixo todo santo ajuda'? É o comentário mais devastadoramente irônico jamais feito sobre a circunstância humana, a fé religiosa e a intervenção da metafísica em nossas vidas, sem falar no abjeto oportunismo dos santos que só nos acodem nas boas." (pág. 54)

"Dizem que a gente vive para a frente mas compreende para trás, e é impossível alguém fazer e, ao mesmo tempo, saber o que está fazendo, dentro de um contexto amplo, numa perspectiva histórica, do ponto de vista da eternidade." (pág. 56)

"Ninguém, claro, pode ser refém, da sua própria retórica por toda a vida, ainda mais retórica de pátio de fábrica. Mas mais de um trabalhador, ouvindo o Éfe Agá e o Lula daqueles tempos, deve ter pensado, 'Ah, quando um cara desses for presidente...'. Um já é e não adiantou." (pág. 112)

"Mais uma vez os adversários pinçam, maliciosamente, uma frase do presidente para criticar. No caso, a sua observação de que é chato ser rico. Pois eu entendi a intenção do presidente. Ele estava falando para pobres e preocupado em prepará-los para o fato de que não vão ficar menos pobres e podem até ficar mais, no seu governo, e que isso não é tão ruim assim." (pág. 115)

"A melhor definição dos Bálcãs que já li é a de um lugar onde a geografia se move e a História fica parada. Esse século começou com uma guerra que nasceu com a inconstância geográfica dos Bálcãs e está terminando com as fronteiras ainda indefinidas e a repetição da mesma velha história - só que, desta vez, com mísseis e computadores." (pág. 170)

"O Guy de Maupassant gostava de almoçar na Torre Eiffel porque dizia que era o único lugar em Paris em que você podia olhar todo o horizonte sem o perigo de ver a Torre Eiffel." (pág. 174)

"Antigamente, nos formulários para pedir visto de entrada nos Estados Unidos, você tinha que responder se pretendia matar o presidente deles. Ninguém entendia a ingenuidade da pergunta e alguns não resistiam à tentação de responder com uma piada ('Não, e não adianta insistir' ou 'Eu nem conheço o cara!'). Mas havia uma lógica maluca na pergunta. Aparentemente, se você tentasse mesmo matar o presidente dos Estados Unidos, o fato de não ter declarado sua intenção no pedido de visto seria um peso legal quase equivalente ao do rifle fumegante nas suas mãos. Além de tudo, mentiroso!" (pág. 188)

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Filho das sombras

Título: Filho das sombras
Autor: Juliet Marillier
Páginas: 610

Este segundo livro da trilogia tem como personagens principais os descendentes de Sorcha, a personagem central do primeiro volume. Sorcha tem três filhos: Sean, Niamh e Liadan, tendo esta última herdado da mãe o gosto e a habilidade de manipular ervas medicinais. Quando todos pensavam que sua vida seria bem pacata, preocupando-se apenas em cuidar dos enfermos, eis que de repente dá uma guinada ao conhecer o mais temível dos bandidos da região.
A história segue o mesmo padrão do livro anterior (o que era de se esperar, é claro) contando com riqueza de detalhes sobre os mistérios e a magia do povo celta. Suas histórias, suas crenças e seus heróis são narrados com tanta intensidade que você se sente fazendo parte da história.

Trechos interessantes:

"Niamh e eu seríamos boas esposas. Sabíamos mesmo como administrar uma casa. Afinal, como se pode administrar o trabalho dos empregados se não se conhece o ofício deles?" (pág. 60)

"A melhor maneira de se iniciar uma luta com um homem é tirar dele o que lhe é importante: seu cavalo ou sua esposa. E de começar uma guerra, é tirar de um povo o que lhe é mais sagrado: suas heranças e seus mistérios." (pág. 64)

"Mas meu pai havia me dito certa vez que o medo não vence batalhas. Arregacei as mangas e decidi que não havia tempo para temores ou superficialidade." (pág. 127)

"-Você vê minha morte? Isso a preocupa? Não, não tenha medo disso. Às vezes, eu mesmo penso que seria bom se eu morresse.
-Pois você deveria se preocupar - eu disse, agora em voz mais calma. -Morrer sem conhecer a si mesmo é a pior coisa que pode acontecer." (pág. 174/175)

"Não é por acaso que dizem que as mulheres têm uma paciência muito maior que a dos homens. Passamos boa parte de nosso tempo esperando. Esperamos as crianças nascerem, esperamos os homens voltarem do trabalho, do mar e das batalhas. E esperamos notícias. Essa é a pior parte, pois o medo atravessa o coração e nos faz sofrer muito. A mente fica imaginando coisas terríveis enquanto se espera." (pág. 361)

"É como você mesmo me disse, certa vez. As maiores histórias, se bem contadas, despertam os medos e os desejos dos ouvintes. Cada um houve uma história diferente. Cada um é tocado por algo em especial. As palavras chegam aos ouvidos, mas a mensagem cai direto ao espírito." (pág. 388)

"A questão agora não é se eles confiavam em mim, e sim se eu confiava neles. Bran certa vez havia dito que confiança é um conceito sem sentido. Mas quem não consegue confiar nas pessoas vive sozinho, pois não existe família ou aliança sem o conceito de confiança. Sem ela todos viveriam afastados uns dos outros, perdidos e à mercê dos ventos, sem ter onde se segurar." (pág. 394)

"-Você faz isso parecer tão simples.
-Mas acho que o mundo é simples, em sua essência. Vida, morte. Amor, ódio. Desejo, realização. Magia. Talvez só esta última seja mais complicada." (pág. 575)

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O enigma do trem perdido

Título: O enigma do trem perdido
Autor: Sir Arthur Conan Doyle
Páginas: 170

O livro é uma reunião de contos de Conan Doyle, sendo 'O enigma do trem perdido' apenas um deles e, de acordo com meu gosto pessoal, nem o mais interessante. São treze histórias no total e todas elas com algum elemento de mistério, fantasia ou alguma outra coisa que foge à realidade convencional.

Das histórias que fazem parte da coleção, me interessaram particularmente "O terror das alturas", "A caixa de Charão" e "O gato do Brasil". Na verdade há vários contos bons, com os citados apenas tive uma certa afinidade.

Trechos interessantes:

"Um visitante poderia descer neste planeta mil vezes e nunca ver um tigre. No entanto os tigres existem, e se calhasse descer numa selva ele poderia ser devorado. Existem selvas no ar superior, e existem coisas piores do que tigres que as habitam. Acredito que com o tempo essas selvas venham a ser precisamente mapeadas." (pág. 4)

"O charlatão é sempre um pioneiro. Do astrólogo veio o astrônomo, do alquimista o químico, do mesmerita o psicólogo experimental. O curandeiro de ontem é o médico de amanhã. Mesmo coisas sutis e impalpáveis como os sonhos serão no devido tempo reduzidas ao sistema e à ordem. Quando esse tempo chegar, as pesquisas dos nossos amigos naquela estante já não serão divertimentos do místico, mas os fundamentos da ciência." pág. 17)

"É uma infelicidade para um jovem ter gostos dispendiosos, grandes esperanças e relações elegantes, sem ter dinheiro no bolso, nem profissão que o habilite a ganhar algum." (pág. 62)

"É mais fácil afrontar um perigo quando se sabe ter feito tudo o que era possível fazer. Então resta somente ficar quieto e aguardar o resultado." (pág. 73)

"'É um princípio elementar de raciocínio prático', argumentava ele, 'que quando o impossível tenha sido eliminado, o resíduo, por improvável que seja, deve conter a verdade'." (pág. 85)

"O homem teme o fracasso quando corre o risco de pagar por ele, mas no caso não havia pena que a Fortuna pudesse cobrar-me. Eu era como um jogador de bolsos vazios, a quem ainda se permite arriscar a sorte com os outros." (pág. 95)

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Dr. Libério - o homem duplo

Título: Dr. Libério - o homem duplo
Autor: Bariani Ortencio
Páginas: 138

Dr. Libério é um médico altamente conceituado que está se preparando para executar o primeiro transplante de cérebro da história. Ao descobrir que era traído pela esposa, mata o amante e, resolvendo aproveitar a situação, resolve que sua equipe faça o transplante do cérebro da vítima para seu próprio corpo.

A partir daí surge uma situação inusitada: a vítima passa a estar no corpo do assassino, com consciência da situação sui generis. Dr. Libério é julgado três vezes pelo crime cometido, e cada uma delas apresentando debates interessantes. Ótima leitura.

Trechos interessantes:

"Lucinda, alta e loura, rosto bonito e simpático, condizia perfeitamente com o corpo de proporções bem distribuídas. Era uma fruta que passava, um encanto a explorar, o Doutor só tendo olhos para os crânios abertos, para as folhas brilhantes dos livros científicos. Acostumado com os seres mortos, a indiferença da morte e o gelo dos corpos eram preferidos ao tato do corpo quente e viçoso, do sorriso de hálito também quente e perfumado nos lábios da jovem esposa." (pág. 13)

"Que ironia, que brincadeira sem graça, essa do Destino, fazendo com que se transformasse em vítima e assassino de um mesmo crime, num corpo só. No espelho ficava muito tempo analisando o seu novo corpo, um corpo muito pior que o dele. Um corpo alquebrado, cansado, desgastado pelo trabalho intelectual. E agora, ficaria com a sua esposa de corpo, ou com a de cérebro? Em qualquer um dos casos estaria prostituindo uma e outra." (pág. 24)

"Homem é assim mesmo, não gosta que a mulher sequer converse com desconhecidos, mas fica por aí em aventuras amorosas." (pág. 36)

quinta-feira, 30 de julho de 2015

A cidade e as estrelas

Título: A cidade e as estrelas
Autor: Arthur C. Clarke
Páginas: 266

Estamos a um bilhão de anos à frente. A cidade chama-se Diaspar. É uma espécie de bolha, onde todos se sentem confortáveis ali e não têm a mínima preocupação e  interesse em saber se existe alguma coisa lá fora. As pessoas vivem mil anos e, quando estão saturadas, "doam" suas memórias ao computador central e poderão renascer novamente daqui a milhares de anos.

Alvin é um cidadão diferente dos demais, sempre preocupado com o que existe fora da cidade e procura de todas as formas uma maneira de sair e explorar o ambiente externo. Quando consegue, muita coisa muda e a vida não será mais a mesma em Diaspar. Este sim, um verdadeiro livro de ficção que dá prazer de ler.

Trechos interessantes:

"Se o artista não sabia qual era seu objetivo, nem mesmo o mais milagroso dos instrumentos seria capaz de encontrá-lo para ele." (pág. 15)

"A lenda diz (e trata-se apenas de uma lenda, veja) que celebramos um pacto com os Invasores. Poderiam ficar com o Universo que tanto desejavam, e nós nos contentaríamos com o mundo em que havíamos nascido." (pág. 28)

"Havia-se descoberto, há muito tempo, que sem um pouco de crime e desordem a Utopia logo se tornaria insuportavelmente monótona. Contudo, devido à natureza das coisas, não se poderia garantir que o crime permanecesse no nível ideal exigido pelas equações sociais. Uma vez liberado e regulamentado, deixaria de ser crime." (pág. 51)

"Alvin pôs esses problemas de lado. Um dia, depois de ter aprendido muito mais coisas, poderia vir ter oportunidade de elucidá-los. Era ocioso especular, construir pirâmides de conjecturas sobre alicerces de ignorância." (pág. 101)

"Na juventude, fora obrigado a abandonar seu mundo nativo, do qual trazia ainda enorme saudade. Atribuía a expulsão a inimigos vingativos, mas a realidade é que sofria de um mal que, dentre todas as raças inteligentes do Universo, aparentemente só acometia o Homo Sapiens: a mania religiosa." (pág. 135)

"Para sua própria paz de espírito, devia voltar ao mundo minúsculo e familiar de Diaspar, ali buscando refúgio, enquanto ponderava seus sonhos e sua ambição. Havia uma ironia nisso: aquele que acicatara a cidade a se aventurar por entre as estrelas voltava para casa como uma criança assustada volta correndo para a mãe." (pág. 236)

"Hilvar, contudo, conhecia melhor a verdade. Percebera, instintivamente, desde o começo, que Alvin era um explorador, e todos os exploradores estão à procura de alguma coisa que perderam. Raramente a encontram, e mais raramente ainda a descoberta lhes proporciona mais alegria do que a procura."(pág. 242)

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Eleanor & Park

Título: Eleanor & Park
Autor: Rainbow Rowell
Páginas: 326

Park é um descendente de coreano, que usa roupas escuras, gosta de gibis e música e não tem muitos amigos na escola. Eleanor tem cabelo ruivo, usa roupas desleixadas e mora com a mãe, o padrasto e quatro irmãos. Os dois se conhecem no ônibus escolar e, como seria de se esperar, cada um acha o outro totalmente estranho.

Aos poucos nasce uma simpatia, uma amizade, um amor entre os dois e, mesmo sendo estranho para os demais, cada um tem o outro como a pessoa mais importante de sua vida. Mas todos têm seus problemas e as coisas nem sempre são tão simples. É um livro de romance adolescente, mas alegre, comovente e agradável de se ler.

Trechos interessantes:

"Depois de cinco filhos, a mãe ainda tinha seios e quadris de modelo de propaganda de cigarro. Aos dezesseis Eleanor já estava com a silhueta de uma gerente de uma taverna medieval." (pág. 22)

"Estava ficando velho demais para aquilo, carrinhos e parquinhos, já com onze anos. Os meninos da idade dele jogavam basquete a noite toda ou ficavam em turmas conversando à beira do parquinho. Eleanor torcia para que Ben demorasse a crescer. Não havia espaço naquela casa para ser adolescente." (pág. 39)

"-Eles vão continuar tirando sarro de mim - ela soltou. - A briga não muda nada. Você não pode sair batendo nas pessoas toda vez que alguém me achar estranha ou feia... Promete que não vai acontecer de novo? Promete que vai tentar não se importar?
Ele puxou a mão dela de novo, e balançou a cabeça devagar.
-Porque não importa pra mim, Park. Se você gostar de mim - ela disse -, eu juro por Deus, nada mais importa." (pág. 139)

"O livro de álgebra estava coberto com a letra dela, a letra de uma música retorcida feito um embrulho sobre o título de outra. Viu o nome dele escrito numa pequena letra cursiva, escondido por entre o refrão de uma canção dos Smiths: o nome da gente sempre se destaca." (pág. 176)

"Tina chamou Park para sair e ele disse sim, porque todo mundo sabia que Tina era a menina mais popular da turma. Sair com ela fora uma moeda de troca social tão poderosa que Park ainda estava gastando." (pág. 179)

"Se Eleanor pudesse ter relacionamentos normais com meninos, não acharia que tinha de marcar um golaço na primeira vez em que foi parar no banco traseiro de um carro. Não pensaria que essa seria sua única vez em campo. (E não usaria essas metáforas idiotas de futebol.)" (pág. 278)

"Ele tentou se lembrar novamente do que pensara na primeira vez em que a vira. Tentou se lembrar de como acontecera, de como ela passou de alguém que ele não conhecia para a única pessoa que lhe importava." (pág. 300)

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Ideias geniais na matemática

Título: Ideias geniais na matemática
Autor: Surendra Verma
Páginas: 176

O objetivo da obra é fantástico: mostrar os principais teoremas, conceitos e explanações gerais da matemática, de forma simples, de maneira que todos possam entender. Claro que em poucas linhas é impossível esgotar completamente um assunto, por isso são apresentadas apenas pinceladas de cada tópico.

Acho que o principal objetivo é despertar a curiosidade de quem lê e mostrar que a matemática pode ser interessante e não aquele monstro que sempre nos disseram. Se você gosta de matemática, vai achar interessante; se não gosta, quem sabe aqui está a chance de vê-la com outros olhos.

Trechos interessantes:

"'O problema do zero é que nós não precisamos dele para as operações da nossa vida cotidiana', diz o filósofo e matemático britânico Alfred North Whitehead (1861-1947). 'Ninguém sai para comprar zero peixes'." (pág.9)

"A história da trágica morte de Arquimedes é menos conhecida. Quando o general romano Marcellus conquistou Siracusa, uma cidade grega na Sicília, ele deu ordens rígidas para que nenhum mal fosse feito a Arquimedes. Contudo, essas ordens nunca chegaram ao destacamento de soldados romanos que o encontraram em seu quintal desenhando algumas figuras geométricas complexas na areia. Ao ver os soldados Arquimedes gritou: 'Não toquem nos meus desenhos!'. Um dos soldados atravessou uma lança no corpo do grande pensador, quando este poderia bem estar ruminando qualquer coisa a respeito do futuro da humanidade." (pág. 23)

"Andrew Wiles,professor de matemática na Universidade de Princeton, finalmente resolveu o teorema [de Fermat] em 1993. Quando ele estudava no Reino Unido, Wiles viu o teorema em um livro de matemática da biblioteca pública. 'Parecia tão simples, e mesmo assim todos os grandes matemáticos da história não conseguiam resolvê-lo', ele lembra-se. 'Havia um problema, que eu, um garoto de dez anos de idade, conseguia entender, e eu soube naquele momento que eu nunca conseguiria me livrar dele. Eu tinha que resolvê-lo.' E ele de fato o fez, depois de vários anos de trabalho duro. A prova final tem 130 páginas." (pág. 57)

"Se compararmos dois pacotes de cartas de baralho (uma delas bem embaralhada), tirando carta por carta, qual a probabilidade de que passemos por ambos os baralhos sem encontrar uma coincidência sequer? A resposta é 1/e (com uma margem de erro de menos de 10-69, para baralhos de 52 cartas)" (pág. 65)

"Se você odeia equações, você não está sozinho. Stephen Hawking escreve em Uma breve história do tempo (1988): 'Alguém me disse que cada equação que eu incluísse no livro faria as vendas caírem pela metade. Portanto eu resolvi não colocar nenhuma equação na obra. No final, entretanto, eu cheguei a inserir uma equação, a mais famosa de Einstein, E = mc2. Espero que isso não assuste meus leitores em potencial'." (pág. 82)

"Cinco em cada quatro pessoas não entendem frações" (pág. 83)

"Certa vez, Babbage mandou uma carta ao poeta inglês Lorde Alfred Tennyson (1809-1892), sobre dois versos de The Vision of Sin, de 1869:

A cada minuto morre um homem,
A cada minuto nasce outro.

 
Ele escreveu:
Eu acredito que não precise mostrar ao senhor que este cálculo tenderia a manter a soma da população mundial em um estado de total equilíbrio, ao passo que é de conhecimento geral que a soma total cresce constantemente. Portanto, eu tomaria a liberdade de sugerir que na próxima edição de seu excelente poema, o cálculo errôneo ao qual me refiro fosse corrigido da seguinte forma:

A cada minuto morre um homem,
Nascendo então um e um sexto.


Devo acrescentar que os dados exatos são de 1,167, mas algo deve, obviamente, ser concedido às leis da métrica." (pág.88)

"Em matemática, um paradoxo é uma afirmação ou proposição que soa razoável, mas leva a uma conclusão contraditória. Uma falácia matemática, por outro lado, é uma afirmação ou proposição que leva a um resultado falso ou absurdo, devido a um raciocínio inadequado." (pág. 96/97)

"Não existem sistemas lotéricos ou estratégias de sucesso que possam te ajudar com a aposta. Se houvesse um sistema como esse, todos os matemáticos seriam pessoas muito ricas, e não lecionariam em escolas ou faculdades." (pág. 144)

"Mahatma Gandhi (1869-1948) certa vez disse: 'Deve-se cuidar do mundo que não se verá'." (pág. 151)

"Quanto mais claro o professor deixar tudo pra você, pior será. Você deve enxergar as coisas por si e criar suas próprias ideias.
William F. Osgood, The American Mathematical Monthly (dezembro de 1984)" (pág. 155)

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Eu amo bike

Título: Eu amo bike
Autor: Roberta Faria (org)
Páginas: 100

Livro pequeno, mas muito interessante. Trata-se do relato de 50 pessoas que usam a bicicleta, seja no trabalho, no esporte, no lazer, ou seja, pessoas que de fato amam a bicicleta.Se você, assim como eu, é fã de bicicleta, certamente vai se identificar com alguma das histórias ou, quem sabe, vai querer incluir a sua.

Gostei no livro, além das histórias, das dicas e macetes que são enxertados em algumas páginas. Além disso, no editorial, cada pessoa mencionada tem uma frase ou menção a alguma coisa relacionada à bicicleta. Achei genial.

Trechos interessantes:

"Devo à bicicleta minha excelente qualidade de vida. Os problemas que tenho certamente seriam maiores se eu fosse sedentário." (pág. 20)

"'Nunca peguei vale-transporte. Fiz questão de pôr no contrato de trabalho que meu meio de locomoção é a bicicleta', orgulha-se. E garante que o condicionamento físico obtido com as pedaladas faz toda a diferença no serviço: 'Vejo moças mais novas que eu que não têm a minha agilidade'." (pág. 21)

"Em Barcelona, eu usava bicicleta, metrô e trem. Vi que o carro não é uma necessidade." (pág. 29)

"Quando estamos no trânsito, não vemos veículos, mas, sim, seres humanos. A bicicleta nos torna mais conscientes do mundo ao nosso redor." (pág. 72)

"Além de bom exemplo e exercício físico, a bicicleta funciona como ferramenta de meditação. 'Quando você presta atenção só no seu caminho, no que tem de fazer naquele trajeto, você se desliga dos problemas'." (pág. 77)

sábado, 11 de julho de 2015

Valis

Título: Valis
Autor: Philip K. Dick
Páginas:

Aqui está um livro totalmente estranho. Tudo bem que é uma ficção, mas chega às raias do absurdo. Uma história que não tem o menor sentido. Discussões filosóficas, religiosas e tudo o mais, simplesmente intragáveis. O livro não tem história,é um amontoado de frases e divagações sem fundamento.

O autor e narrador (que se refere a si mesmo na terceira pessoa) é uma pessoa obsessiva que acredita ter uma revelação de que uma entidade divina, que já foi Buda e Cristo, irá retornar. Essa entidade ele a chama de Valis e passa o livro todo tentando justificar essa obsessão.

Trechos interessantes:

"Embora não houvesse nada que eu pudesse ter feito para ajudar Horselover Fat, ele conseguiu escapar da morte. A primeira coisa que apareceu para salvá-lo tomou a forma de uma colegial de dezoito anos que morava na mesma rua que ele, mais abaixo, e a segunda foi Deus. Dos dois, a garota fez o melhor serviço." (pág. 21)

"Não acontece muita coisa em uma ala psiquiátrica, ao contrário do que os romancistas míticos relatam. Pacientes não têm o poder de dominar a equipe, e a equipe não chega a assassinar os pacientes." (pág. 64)

"-Vou perguntar a Larry se esta é uma das partes corruptas da Bíblia - disse Sherri.
Emputecido, Fat disse:
-Sherri, por que é que você não recorta todas as partes da Bíblia com as quais concorda e as cola juntas? E não precisa lidar com o restante." (pág. 90)

"Certa vez, quando eu dava uma palestra na Universidade da Califórnia em Fullerton, um aluno me pediu uma definição simples e curta de realidade. Eu pensei bem e respondi: 'Realidade é aquela coisa que não desaparece quando você deixa de acreditar nela'." (pág. 93)

"-Será que ele pode criar uma pessoa tão otária que acredite que nada existe? Porque, se nada existe, o que significa a palavra 'nada'? Como é que um 'nada' que existe é definido em comparação com outro 'nada' que não existe?" (pág. 194)

"Lembro-me de uma coisa que o grande médico da Renascença havia descoberto. Venenos, em doses medidas, são remédios; Paracelso foi o primeiro a usar metais como o mercúrio como medicação. Por essa descoberta - o uso medido de metais venenosos como medicamentos -, Paracelso havia entrado para nossos livros de História. Entretanto, a vida do grande médico teve um fim trágico.
Ele morreu por envenenamento de metal.
Então, reformulando a afirmação, medicamentos podem ser venenosos, podem matar. E isso pode acontecer a qualquer momento." (pág. 215)

"É incrível que, quando mais alguém começa a botar pra fora as besteiras em que você próprio acredita, você consegue perceber imediatamente como elas não fazem o menor sentido." (pág. 253)
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domingo, 5 de julho de 2015

Eu sou Malala

Título: Eu sou Malala
Autor: Malala Yousafzai / Christina Lamb
Páginas: 342

É difícil acreditar que em pleno século XXI ainda existam coisas como as mencionadas no livro. Para nós, ocidentais, palavras como educação, liberdade e conhecimento podem não ser vivenciadas em sua plenitude por todos, mas ao menos são discutidas e almejadas. Porém, em alguns países, não é isso que acontece.

Malala é uma jovem paquistanesa que sempre desejou estudar. Apoiada por seu pai, foi se destacando na escola e incentivando outras garotas a fazerem o mesmo. Os discursos da garota acabaram incomodando o Talibã que acha que as garotas não devem se educar. Malala se recusa a abandonar a escola, sofre um atentado num ônibus escolar e fica à beira da morte. E isso tudo porque ela só queria estudar!

Trechos interessantes:

"Em nossa cultura, todo homem é 'irmão' e toda mulher é 'irmã'. É esse o modo como consideramos um ao outro. Quando meu pai levou minha mãe à escola pela primeira vez, todos os professores se referiram a ela como 'esposa de meu irmão', ou bhabi. O apelido carinhoso pegou, e agora todas a chamamos de Bhabi." (pág. 13/14)

"Nasci menina num lugar onde rifles são disparados em comemoração a um filho, ao passo que as filhas são escondidas atrás de cortinas, sendo seu papel na vida apenas fazer comida e procriar." (pág. 21)

"Enquanto os homens e os meninos podem andar livremente pela cidade, minha mãe não tinha autorização para sair de casa sem que um parente do sexo masculino a acompanhasse, mesmo que esse parente fosse um garotinho de cinco anos de idade. É a tradição." (pág. 34)

"Temos um costume chamado swara, segundo o qual uma menina pode ser dada a outra tribo para resolver uma desavença. Oficialmente, foi banido, mas na prática ainda existe. Em nossa aldeia havia uma viúva, Soraya, casada com um viúvo de um clã que tinha um desavença com a família dela. Ninguém pode se casar com um viúvo sem a permissão da própria família. Quando os parentes de Soraya souberam da união, ficaram furiosos. Ameaçaram a família do viúvo até que uma jirga de anciãos da aldeia foi convocada para resolver a disputa. A jirga decidiu que a família do viúvo devia ser punida, entregando sua moça mais bela para se casar com o homem menos aceitável do clã rival. O rapaz era um joão-ninguém, tão pobre que o pai da moça teve de pagar todas as despesas. Por que a vida de uma menina tem de ser arruinada para resolver uma desavença com a qual ela nada tem a ver?" (pág. 76/77)

"Meu pai me consolou citando os erros cometidos por alguns de nossos heróis quando estes eram crianças. Ele me contou que Mahatma Gandhi disse: 'Não se é digno de desfrutar a liberdade se isso não inclui a liberdade de cometer erros'." (pág. 81)

"Somos um povo de muitos ditados. Um deles é o seguinte: 'A pedra de um pachtum não deve enferrujar na água'. Isto é, não devemos esquecer nem perdoar. É por isso que raramente usamos a palavra manana, 'obrigado'. Acreditamos que um pachtum nunca haverá de esquecer um favor que lhe fizeram e é obrigado a retribuir, do mesmo modo como se vingará do mal que lhe impuserem. A gentileza só pode ser retribuída com gentileza e não deve ser paga com um simples 'obrigado'." (pág. 82)

"É assim que esses militantes agem. Querem ganhar os corações e as mentes do povo. Por isso, primeiro analisam os problemas locais e atacam os responsáveis por eles. Desse modo conseguem o apoio da maioria silenciosa. Foi o que fizeram no Waziristão, onde perseguiram bandidos e sequestradores. Depois, quando tomaram o poder, comportaram-se como os criminosos que um dia caçaram." (pág. 125)

"Embora amássemos estudar, só nos demos conta de quanto a educação é importante quando o Talibã tentou nos roubar esse direito. Frequentar a escola, ler, fazer nossos deveres de casa, não era apenas um modo de passar o tempo. Era nosso futuro." (pág. 156)

"O diário de Gul Makai chamou muita atenção. Alguns jornalistas o reproduziram. Então a BBC o colocou no ar usando a voz de outra menina. Comecei a entender que a caneta e as palavras podem ser muito mais poderosas do que metralhadoras, tanques ou helicópteros. Estávamos aprendendo a lutar. E a perceber como somos poderosos quando nos manifestamos." (pág. 167)

"O Talibã é contra a educação porque pensa que quando uma criança lê livros ou aprende inglês ou estuda ciência ele ou ela vai se ocidentalizar.
Mas eu disse:'Educação é educação. Deveríamos aprender tudo e então escolher qual caminho seguir'. Educação não é oriental nem ocidental, é humana." (pág. 172)

"Quando cruzamos o desfiladeiro Malakand, vi uma mocinha vendendo laranjas. Para cada laranja que vendia, ela fazia uma marquinha com lápis num pedaço de papel, pois não sabia ler nem escrever. Tirei uma foto e jurei que faria tudo o que estivesse a meu alcance para ajudar a educar garotas como ela. Era essa a guerra que eu iria travar." (pág. 228)

"O médico pôs a mão no ombro dele, garantiu que eu seria bem cuidada e que a família podia confiar nele. 'Não é um milagre que todos vocês estivessem aqui quando Malala foi baleada?', meu pai perguntou.
'É minha crença que Deus manda primeiro a solução e depois o problema', respondeu o medico." (pág. 281)

"Não senti nada de especial, talvez só um pouquinho de satisfação. 'Então eles conseguiram'. Só lamentei não haver tido a chance de falar com eles antes de me atingirem. Agora, os talibãs nunca ouviriam o que eu queria lhes dizer. Não tive um único pensamento ruim em relação ao homem que me baleou - não tive ideias de vingança. Só queria voltar para o Swat. Queria ir para casa." (pág. 295)

"Garanti a mamãe que a mim não importava que meu rosto não tivesse simetria. Logo eu, que sempre dera importância à minha aparência, ao aspecto do meu cabelo! Mas quando você vê a morte, as coisas mudam. 'Não importa se eu não puder sorrir ou piscar direito', eu disse a ela. 'Continuo sendo eu, Malala. O importante é que Deus me deu a vida'." (pág. 305)

domingo, 28 de junho de 2015

O homem sem rosto

Título: O homem sem rosto
Autor: Hugh Pentecost
Páginas: 144

Jeremy Trail é o homem mais rico do mundo. Só há um problema: é difícil encontrar uma pessoa que o tenha visto. Um coronel aposentado desafia Julian Quist (proprietário da mais conceituada empresa de relações públicas) a encontrar alguém que tenha encontrado Trail pessoalmente. Por incrível que pareça, não será uma tarefa fácil.

Este é um dos poucos exemplares da coleção "Mistério" que ainda possuo. Quando a coleção foi lançada, eu possuía todos os exemplares mas, com o tempo, eles foram aos poucos desaparecendo... Geralmente são histórias
pequenas, do gênero policial com alguns toques de mistério ou suspense.

Trechos interessantes:

"-E por que o senhor acha que Trail iria utilizar o Alexandria para fins criminosos? - perguntou Quist.
-Ora, ninguém pode ser assim tão rico e ser honesto ao mesmo tempo - respondeu o coronel." (pág. 9)

"-Você já está comigo há bastante tempo, Dan, para saber que a curiosidade que sinto pelas pessoas é quase como uma doença em mim. Desde que me tornei um relações-públicas, tenho passado o tempo todo elaborando fachadas para pessoas e negociações, na maior parte das vezes falsas. E o que há por trás dessas fachadas é que me fascina, quer tenham sido criadas por mim ou não." (pág. 15/16)

"-Acho que foi Stephen Leacock quem descreveu um herói, como aquele que ataca em todas as direções ao mesmo tempo..." (pág. 51)

"Quist não pôde deixar de pensar que coisa extraordinária é o sistema nervoso humano. Quando se está dormindo e chega alguém conhecido a pessoa não acorda, mas se um estranho der um passo a metros de distância, a pessoa acorda imediatamente e se põe em alerta." (pág. 56)

"-Só uma taça de champanhe e cinco minutos de conversa... - insistiu ele. - Meus pensamentos são desrespeitosos, mas minha atitude será impecável e respeitadora, se você quiser." (pág. 89)

"Não adianta lutar contra um adversário que é mais forte; que você sabe que pode liquidar você. Por melhor que você seja, as categorias são diferentes e não pode haver luta." (pág. 138)

segunda-feira, 22 de junho de 2015

A incrível viagem de Shackleton

Título: A incrível viagem de Shackleton
Autor: Alfred Lansing
Páginas: 346

Em abril de 1914, Ernest Shackleton conduz um barco pelo Atlântico Sul, com o objetivo de cruzar o continente antártico. O barco fica preso num banco de gelo e acaba sendo destruído pelo gelo. 28 pessoas ficam, de repente, isoladas no meio do gelo.

O livro narra a aventura desse grupo de pessoas, sob o comando de Shackleton, em sobreviver em meio às tempestades, ausência de luz, isolamentos e, principalmente, as temperaturas absurdamente baixas. Após quase dois anos no mar, ninguém mais acreditava que algum deles retornasse vivo.

Trechos interessantes:

"A Antártida e a segurança financeira acabaram por se tornar mais ou menos sinônimos no pensamento de Shackleton. Ele achava que o sucesso nesse campo - algum maravilhoso rasgo de ousadia, um feito que pudesse conquistar a fantasia de todo mundo - iria abrir-lhe as portas da fama e da riqueza." (pág. 27)

"Apesar de todos os seus pontos cegos e de todas as suas inadequações, Shackleton mereceu esta homenagem:
Para a liderança científica, o melhor é Scott; para viajar depressa e com eficiência, Amundsen; mas quando você está numa situação perdida, quando parece que não há mais saída, ponha-se de joelhos e peça a Deus que seu chefe seja Shackleton." (pág. 28)

"Em todo o mundo não há desolação mais completa que a da noite polar. É uma volta à Idade do Gelo - sem calor, sem vida, sem movimento. Só quem já passou por isso pode avaliar plenamente o que significa ficar sem o sol dias e semanas a fio. Poucos homens desacostumados são capazes de combater os efeitos dessa provação, e ela já levou muitas pessoas à loucura." (pág. 58)

"Cada noite de sábado, antes que os homens se recolhessem, uma ração de grogue era distribuída a todos os tripulantes, seguida do brinde: 'Às nossas namoradas e mulheres.' Invariavelmente um coro de vozes acrescentava: 'E que elas nunca se encontrem'." (pág. 64)

"A adaptabilidade da criatura humana é tamanha que na verdade às vezes eles precisavam lembrar a si mesmos que estavam vivendo em circunstâncias desesperadas." (pág. 97)

"Li em algum lugar que um homem só precisa estar aquecido e com a barriga cheia para ser feliz, e estou começando a achar que é quase verdade. Sem preocupações, sem trens, sem cartas para responder, sem usar colarinho - mas eu não sei qual de nós deixaria de sair correndo se tivesse a oportunidade de voltar amanhã!" (pág. 116)

"O melhor que podiam esperar era que a dor nos pés continuasse, porque se a dor parasse, por mais que o desejassem, isso significaria que os pés estavam ficando congelados. Depois de algum tempo, eles precisavam de uma concentração extrema para continuar a mexer os dedos dos pés - seria tão fácil parar!" (pág. 208)

"Por menores que sejam as chances, ninguém aposta sua última possibilidade de sobrevivência em alguma coisa e depois fica acreditando que não vai dar certo." (pág. 246)

"Ao contrário da terra, onde a coragem e a simples vontade de resistir são muitas vezes decisivas para a sobrevivência, a luta contra o mar é um ato de combate físico, e não há como furtar-se a ele. É uma batalha que se trava contra um inimigo incansável, em que o homem nunca chega a ser o vencedor; o máximo que pode ambicionar é simplesmente não sair derrotado." (pág. 275)

"Quatro veteranos comandantes noruegueses, de cabelos brancos, se adiantaram. Seu porta-voz, falando norueguês, traduzido por Sorlle, disse que navegavam pelo Atlântico havia 40 anos e que queriam apertar as mãos dos homens que conseguiram trazer um barco aberto de 22 pés da ilha Elephant até a Geórgia do Sul, através da passagem de Drake.
[...]
Não houve nenhuma formalidade nem discursos. Não tinham medalhas ou condecorações a entregar - só sua sincera admiração por um feito que talvez só eles fossem capazes de apreciar plenamente. E sua sinceridade deu à cena uma solenidade simples, mas profundamente comovente." (pág. 338)

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Um pouco de seu sangue e outras histórias

Título: Um pouco de seu sangue e outras histórias
Autor: Alfred Hitchcock
Páginas: 216

A primeira história (Um pouco de seu sangue) ocupa a metade do livro e é um misto de narrativa e excertos de correspondências. Achei muito longa para o tipo de história constante nas demais coletâneas do autor. Também não a achei das mais interessantes.

A outra metade do livro é composta por oito histórias, estas sim, fiéis ao estilo consagrado. Particularmente gostei de duas delas: 'Os veranistas' e 'Refém'. Mas há outras também, agradáveis de se ler.

Trechos interessantes:

"Provavelmente só casou com ela porque era a única moça das suas conhecidas que podia conversar com ele. Não havia mesmo nada mais entre os dois que valesse a pena de casar. Solidão. As pessoas se sentem sozinhas e por isso se enforcam e vão viver sozinhas uma com a outra." (pág. 9)

"A coisa mais atilada que já se disse sobre a mentira é esta que o melhor de tudo é dizer a verdade porque quem diz a verdade nunca precisa se lembrar do que disse." (pág. 26)

"Eu já disse isto e vou dizer de novo, no fim das contas o que um homem precisa mesmo é só encher a barriga e deixar que os outros pensem por ele, ninguém precisa pensar se não quer. E se isso não é o retrato escarrado do exército não sei o que seja." (pág. 47)

"Dei graças por poder falar com ela longe daquela ruína sombria e barulhenta que eles chamam casa. A palavra 'mesquinho' tem vários matizes de sentido; tudo naquela casa, nos seus habitantes e nas imediações corresponde a cada um desses matizes." (pág. 99)

"-Bem o cremos, Sr.Cochrane - retrucou o garoto de olhos de coruja, sem abandonar as suas maneiras corteses. -Sabemos que o senhor não é responsável, diretamente. Mas indiretamente, é responsável, e foi por isso que o tomamos como refém. Acontece, Sr.Cochrane, que o senhor agora é rico, goza a sua vida em segurança e a lei nada pode contra o senhor. São exemplos como o seu que inspiram os novatos no crime a raptar gente e o mais que segue." (pág. 178)

quinta-feira, 11 de junho de 2015

101 lugares para não conhecer antes de morrer

Título: 101 lugares para não conhecer antes de morrer
Autor: Catherine Price
Páginas: 286

Embalado na onda de lista de coisas a fazer, filmes a ver, livros a ler, lugares a conhecer, resolvi partir para o outro lado: lugares para não conhecer. Imaginei que seria uma relação de locais que, por um motivo ou outro, não valeria a pena visitar.

Tudo bem, alguns até que são. Mas há alguns 'locais' que são ridículos, como o local onde são criados os spams ou o quarto do seu chefe ou ainda Roma antiga em 64 d.C. Tudo bem que era para ter uma pitada de humor, mas aí também já é demais. Dos 101 lugares eu diria que quase a metade são 'sem noção' como os já citados.

Trechos interessantes:

"Uma viagem deve ser encarada como uma aventura, não uma tarefa a cumprir. Afinal, se for para passar as férias se preocupando com listas de afazeres, não faz nenhum sentido sair de casa." (pág. 19)

"Criado em 2002 pela Ordem Jogye de Budismo Coreano - a maior ordem budista da Coreia -, o programa [passar a noite em um templo coreano] tem como objetivo permitir que os visitantes 'conheçam um estilo de vida rígido e passem pelo treinamento mental e a experiência cultural da milenar tradição budista coreana'. Em outras palavras, é uma chance para fazer um test-drive da vida monacal." (pág. 51)

"Certas coisas me levam a indagar como a humanidade conseguiu sobreviver tanto tempo. Vejam a Corrida do Queijo, por exemplo, um festival anual onde centenas de pessoas se reúnem no Cooper's Hill, perto de Gloucester, na Inglaterra, só para correr atrás de um queijo colina abaixo. Ossos são quebrados. Articulações são deslocadas. Competidores são levados embora de maca. Isso seria até compreensível se houvesse algum grande prêmio em jogo, mas, nesta competição em particular, os participantes arriscam suas próprias vidas e membros apenas pela glória de levar para casa um queijo redondo Double Gloucester de três quilos." (pág. 59)

"A sua opinião sobre os ônibus de Samoa provavelmente irá depender de uma variável muito importante: se você se incomoda ou não com a proximidade de estranhos. E, quando eu digo proximidade, não estou falando de ficar com a sua cara enfiada no sovaco de alguém na hora do rush, estou falando de sentar no colo dos outros mesmo." (pág. 76)

"Se os gafanhotos são como psicopatas vorazes, as cigarras lembram mais um bando de universitários - desleixados, barulhentos e doidos por sexo." (pág. 80)

"Construído em vários estágios entre os anos 3000 e 1600 a.C., Stonehenge é um dos grandes mistérios do mundo antigo. Seria um templo? Um observatório astrológico? Um túmulo? Ninguém sabe ao certo, mas sabemos o seguinte: as pedras do monumento pesam mais de 50 toneladas cada e algumas vieram de lugares a quase 400 quilômetros de distância. E tudo isso foi erguido em uma época onde uma pá feita com a omoplata de uma vaca era a tecnologia de ponta. Então, seja lá qual fosse o objetivo original de Stonehenge, deveria ser algo bem importante." (pág. 174)

domingo, 7 de junho de 2015

A síndrome E

Título: A síndrome E
Autor: Franck Thilliez
Páginas: 368

Ao assistir a um filme antigo, Ludovic fica cego e liga para sua ex-namorada e detetive de polícia, Lucie. Ela envia o filme para especialistas e descobre que, dentro do filme, há outro filme oculto, com mensagens subliminares. A partir daí segue uma trama de espionagem que percorre a França, o Canadá e o Egito.

O livro é repleto de ação e típico do gênero, fazendo com que o leitor se interesse cada vez mais pela narrativa. Só uma mente perturbada poderia ser responsável pelas atrocidades mencionadas no livro. Para os amantes do gênero, uma boa leitura.

Trechos interessantes:

"-Tendemos a achar que é o olho que vê, mas ele é apenas uma ferramenta, só isso, um poço de luz. Leia esse texto, compreenderá.
Lucie pegou o cartão impresso que ele lhe estendia:
'Eset txeto etsá auqi para msotrar que nssoo cérbero não tdrauz exatamnte o que nssoo olho vê. Mas que, iflnueciado plea exeprinêcia, ele recohle globalemnte as palavars, sem se perocupar com a ordem das lertas.'" (pág. 41)

"É quando nos afastamos das coisas mais simples que nos damos conta para sempre de que elas não são assim tão sem graça." (pág. 74)

"-Como pode notar, o pedestre é soberano - observou Nahed, recuperando o sorriso. - O pedestre que está dentro de um carro, naturalmente.
Sem buzina, impossível avançar no Cairo. E sem uma boa audição, impossível atravessar." (pág. 108)

"Os assassinos de Claude Poignet não haviam escapado ao princípio de Locard, que dizia: 'Qualquer um, ou qualquer coisa, que esteja presente no local de um crime leva consigo algo desse local e deixa alguma coisa para trás quando parte.' Ninguém é infalível ou invisível, nem mesmo o mais consumado dos canalhas." (pág. 176)

"-Todos passamos por isso. As crianças existem para nos lembrar que nem sempre as prioridades são as que julgamos como tais. Mesmo às vezes sendo difícil, elas reorganizam nossa existência.
-Quantos filhos o senhor tem?
-Mais que o necessário." (pág. 196)

"Perguntaram a três pessoas, um alemão, um francês e um egípcio, qual seria a nacionalidade de Adão e Eva. O alemão respondeu: 'Adão e Eva têm uma saúde boa e levam uma vida higiênica; devem ser alemães!' O francês afirmou: 'Adão e Eva possuem corpos sublimes e eróticos: só podem ser franceses!' Mas foi o egípcio que deu o veredito: 'Adão e Eva andam nus como minhocas, não tem dinheiro sequer para comprar sapatos, e, ainda assim, estão convencidos de que vivem no Paraíso: são egípcios!'" (pág. 198)

"No fundo, ela queria se convencer de que havia esperança, de que todas as terras calcinadas terminam por regenerar-se, um verão ou outro. Aquele homem provavelmente vivera tudo que há de pior, teria, dia após dia, empurrado com seu bastão uma bolha de vida que se destruía incessantemente a cada nova incursão no domínio do Mal." (pág. 352/353)

"Não nos confunda com a ralé que povoa suas ruas. Somos cientistas, pensadores, tomadores de decisão, fazemos o mundo avançar. E todo avanço exige sacrifícios, de todos os tipos. Sempre foi assim, por que teria de mudar?" (pág. 357)

sábado, 30 de maio de 2015

A culpa é da mãe

Título: A culpa é da mãe
Autor: Elizabeth Monteiro
Páginas: 280

Criar filhos nunca foi uma tarefa fácil e muitas das vezes ficamos indecisos em que postura adotar perante uma situação complicada. Claro que não há uma receita de bolo a ser seguida e que funcione igualmente com todos, mas, se desde cedo a família sempre foi unida e todos tratados com respeito e consideração, menos chance de ocorrer estas situações.

O livro mostra isso, através de casos pessoais da autora ou de seus pacientes, que o diálogo e respeito são fundamentais para uma família coesa e 'perfeita'. Muitos casos descritos são hilários e certamente você se identificará com alguns deles. No fim, a culpa é mesmo da mãe (no bom sentido, é claro).

Trechos interessantes:

"É importante pontuar que os filhos dependem muito mais das atitudes dos pais do que de seus sermões ou críticas. É preciso acreditar em seu potencial, em seus esforços, aprender com os erros para poder educar seus filhos. Seguir o modelo dos outros não é bom. Você precisa acreditar em seus valores e crenças. Deixar se guiar por eles. Seja você e deixe que o outro seja ele mesmo." (pág. 14)

"Alguém já disse que 'a maravilha da maternidade não está no fato de as mães gerarem filhos, mas no fato de filhos gerarem mães'. Só depois de muita guerra para crescer, adquirir confiança em si, amadurecer e individuar-se é que a filha deixa de se infantilizar perante a mãe e, nesse momento fabuloso, ela pode ver sua mãe como uma mulher." (pág. 42)

"Algumas mulheres perdem totalmente a identidade quando se tornam mães. Abandonam o que antes faziam e gostavam. Algumas passam a vestir-se de maneira diferente, deixam de ser as companheiras de seus namorados ou maridos, passam a exercer o papel de mãe 36 horas por dia. Chegam a ser mães de seus próprios maridos. O pior é que ficam chatas demais..." (pág. 61)

"As crianças não param, isso é uma verdade, principalmente quando se sentem presas ou percebem que não podemos lhes dar atenção. Elas acham que são as donas do mundo e nasceram para ser admiradas e servidas. O pior, ou o melhor de tudo é que isso é sinal de saúde em uma criança, pois a criança muito quietinha não sinaliza estar saudável. Desistiu de lutar para ser ela mesma." (pág. 79)

"Você não é Deus para julgar nem criticar ninguém. Olhe para si antes de julgar qualquer pessoa. Cultive sempre uma postura receptiva e carinhosa, multiplique os momentos de intimidade e prazer com sua família. Isso promove o equilíbrio emocional e a socialização de todos." (pág. 89/90)

"Quando morremos, ficamos sob a terra. 'O que os olhos não veem o coração não sente.' Mas quando idosos ficamos muitas vezes vagando como mortos entre os vivos e a velhice é muito ameaçadora em um mundo onde só existe lugar para beleza e perfeição. Por isso, a velhice é tão temida e nossos velhinhos são rejeitados." (pág. 94)

"Os filhos mais velhos costumam usar os mais novos de cobaias em suas experiências e ainda como dublê, escudo, arma, álibi... Em contrapartida, os mais novos também manipulam certas situações, porque sabem que os mais velhos são acusados de maltratá-los e, às vezes, os provocam só para que os pais briguem com eles. Por isso é que digo que em briga de filhos não se toma partido, não se mete a colher. Eles brigam para provocar você. Quando você não está, ninguém briga, porque eles sabem que você não está ali para defender e proteger a nenhum deles. É só você chegar e começa a confusão..." (pág. 111)

"É muito difícil julgar briga de filho,porque você acaba tomando partido e geralmente não testemunhou o acontecido. E quando toma partido favorece um filho e desfavorece outro. [...]
O importante é deixar claro que está proibido toda e qualquer agressão física. Aliás, é bom que você também pare de usar esse tipo de recurso para mostrar a sua força e poder. Isso é abuso, uma atitude que só serve para descarregar sua raiva e mostrar sua autoridade. Você é uma autoridade. Não precisa usar de autoritarismo nem de violência para afirmá-la ou autoafirmar-se." (pág. 112)

"Jean-Paul Sartre, filósofo francês, já dizia: 'Não importa o que fizeram a você. O que importa é o que você vai fazer daquilo que lhe fizeram'." (pág. 124)

"O seu filho precisa saber que metade da humanidade morre de fome, não tem onde morar e é totalmente desamparada no que diz respeito à saúde e à educação, enquanto uma pequena parcela da população mundial consome de tudo, esbanja e cultiva o supérfluo. E é exatamente essa minoria, que consome de forma alienada, que leva os nossos jovens a querer ter o status para substituir o vazio do ser." (pág. 146)

"Será que você sabe ouvir? Escuta seus filhos? Ou é do tipo que logo vai falando que já sabe o que aconteceu e que com você a coisa era pior... O fato é que a maioria das pessoas não consegue ter paciência para escutar e compreender. Elas ouvem com a intenção de responder." (pág. 163)

"A minha eternidade se dá por meio do meu trabalho, daquilo que deixo para a humanidade, desde as árvores que plantei em meu sítio até os livros que escrevi. Portanto, contemplo este entardecer de minha vida com extrema serenidade. Sei que quando a grande noite chegar cerrarei meus olhos tranquilamente, com um sorriso na alma." (pág. 171)

"Precisamos educar as crianças para a vida: falar da morte é preparar para a vida. Montaigne dizia que, 'como não sabemos onde ela nos espera, é melhor esperá-la em todo lugar'." (pág. 191)

"Como educar financeiramente? Acredito que nós damos a nossos filhos aquilo que temos. Isto é, se temos apenas a visão material da vida, se temos só amarguras, preconceitos, desconfianças, é isso que daremos a nossos filhos. De fato, devemos ensiná-los, desde cedo, a noção do valor e da função do dinheiro, para que cresçam com mais responsabilidade." (pág. 205)

"Amar é admirar o outro, é gostar de fazer coisas junto. Não é desejar ter o outro o tempo inteiro ao nosso lado, à nossa disposição." (pág. 216)

"Antes querer o nada, do que nada querer. (Nietzsche)" (pág. 261)

quarta-feira, 27 de maio de 2015

A matemática nos tribunais

Título: A matemática nos tribunais
Autor: Leila Schneps e Coralie Colmez
Páginas: 286

A matemática sempre me fascinou. Enquanto a maioria detesta problemas, corro atrás deles e, na medida do possível, tento encontrar as soluções. Por isso, ao ver o livro em questão na estante de uma livraria, não tive dúvidas: comprei-o imediatamente na certeza de que desfrutaria de bons momentos.

O livro apresenta dez casos de tribunais onde a matemática teve a sua participação. Geralmente ela não teve uma participação decisiva no resultado em si, mas mostra muitos equívocos na forma como ela é apresentada, notadamente nas áreas de probabilidade e estatística. Há pequenas sutilezas que devem ser observadas e quem gosta de matemática certamente achará o conteúdo relevante.

Trechos interessantes:

"Uma vez que o evento já ocorreu, não se pode calcular retroativamente a probabilidade de ele ter ocorrido, e depois desconfiar que a probabilidade do acontecido é pequena demais." (pág. 29)

"Casada com um homem negro numa época de racismo feroz, Janet, de dezenove anos, deve ter experimentado repetidas vezes a censura da sociedade. Ignorante, pertencente à classe operária e pobre, ela não estava acostumada a lutar por seus direitos. Talvez pressentisse que, culpados ou inocentes, não havia chance alguma de que um julgamento resultasse em absolvição." (pág. 42)

"...se dois eventos são independentes, então a probabilidade de que ambos ocorram é obtida multiplicando-se as probabilidades de cada evento acontecer sozinho." (pág. 45)

"A probabilidade de um homem ter barba e bigode com toda certeza não é igual à probabilidade de um homem ter bigode multiplicada pela probabilidade de um homem ter barba, pois as barbas não acompanhadas de bigode são muito raras." (pág. 50)

"...o paradoxo de Simpson [cada grupo melhorou, contudo o resultado geral é idêntico] pode ser facilmente manipulado de maneira a iludir. Como disse o empregado de uma importante companhia de gás a um matemático amigo nosso: 'Tive de apresentar os resultados econômicos da empresa no ano passado, então perguntei-lhes se queriam uma apresentação mostrando que ganhamos dinheiro ou que perdemos dinheiro'." (pág. 131)

"Por que tão poucas moças optam por estudar matemática e engenharia? Essa questão tem ocupado muitos estudiosos da sociedade, e inúmeros fatores diferentes têm levado a culpa, abrangendo a psicologia do indivíduo, atitudes sociais profundamente arraigadas e até diferenças na fisiologia e nos métodos de educar as crianças." (pág. 146)

"Nossos hábitos diários de trabalho, com quantidade relativamente pequenas, pequenas distâncias e pequenos tamanhos, criam uma espécie de bloqueio mental contra números gigantes. A falta de experiência nos impede de ter um tipo de compreensão realística, não familiar, do significado dos números que medem as grandes quantidades que muitas vezes encontramos. Construímos nossas imagens mentais em torno do que estamos acostumados, e isso pode levar a grandes surpresas ao lidar com coisas ou quantidades extremamente grandes." (pág. 176)

"Cuidado com os investimentos com crescimento exponencial - eles não podem dar certo!" (pág. 198)

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Perfeitos

Título: Perfeitos
Autor: Scott Westerfeld
Páginas: 382

Segundo livro da série. O grande sonho de Tally se realizou: ela agora é perfeita. Agora é só seguir em frente, de festa em festa, curtindo o fato de ser perfeita e estar rodeada de pessoas felizes e perfeitas.

Mas, de repente, tudo parece monótono demais e ela passa a se questionar se a vida antes de tornar perfeita era mesmo ruim. Um 'enfumaçado' entra em cena e ela resolve partir para Nova Fumaça. Mas os Especiais não estão satisfeitos e vão tentar impedi-la.

Trechos interessantes:

"Lembra-te de que as coisas mais belas do mundo são também as mais inúteis. [John Ruskin, As pedras de Veneza, I]" pág. (7)

"Aquele era o ponto mais importante de ser aceito num grupo: saber que tinha amigos, independentemente do que fizesse." (pág. 54)

"Naturalmente, depois que você alcança um objetivo, as coisas nunca são como o imaginado." (pág. 89)

"Largados à própria sorte, os seres humanos são uma praga. Eles se multiplicam sem controle, consomem todos os recursos naturais, destroem tudo em que botam as mãos." (pág. 144)

"-Tally, na cidade, todo mundo é manipulado. A finalidade de tudo que nos ensinam é nos deixar com medo de mudanças. Venho tentando explicar isso ao David: que, desde o dia em que nascemos, vivemos numa máquina que só serve para nos manter sob controle." (pág. 352)

sábado, 16 de maio de 2015

Cinco dias em Paris

Título: Cinco dias em Paris
Autor: Danielle Steel
Páginas: 254

Diretor de um laboratório farmacêutico vai a Paris para acompanhar um medicamento em teste e encontra a esposa de um senador, que sofre com a perda de um filho. O que começou como uma amizade transforma-se em paixão e mudará completamente o rumo de suas vidas.

Um romance estilo água com açúcar, característico do gênero, com um final totalmente previsível. É o tipo de romance que não se deve esperar grandes acontecimentos, mas somente uma história bem desenvolvida.

Trechos interessantes:

"Paris era uma cidade especial para ele, o auge de tudo com o que sempre sonhara e nem ao menos sabia que desejava. Ao longo dos anos ele trabalhara muito duro pelo que tinha, mesmo que uma parte do que conseguira parecesse ter chegado com facilidade a suas mãos. Mas Peter sabia melhor do que ninguém que não fora bem assim. Na vida, nada era de graça. Você trabalhava pelo que desejava ou então terminava de mãos vazias." (pág. 18)

"Sou como aquelas árvores artificiais, que eles levam para o palco. Não é preciso alimentá-las nem regá-las, basta apenas que se dê um jeito nelas para que tenham boa aparência quando for necessário um pequeno detalhe para enfeitar o cenário onde vai se desenrolar o espetáculo." (pág. 80)

"Acho que por fim ele se apaixonou pela política. Essa coisa que chamam de ambição política é feita de material intoxicante e comecei a perceber que ela exige mais de uma pessoa do que uma criança e parece oferecer mais excitação e paixão do que qualquer mulher. A política devora todos aqueles que dela se aproximam e é impossível amá-la e sobreviver. Simplesmente não se consegue. Sei disso. Por fim, ela consome tudo que se tem por dentro, todo amor, bondade e decência, destruindo tudo que se era antes e deixando apenas um político no lugar. Não é mais do que uma troca." (pág. 81)

"Ele não queria que aquilo acontecesse, estivera determinado a voltar e retomar tudo no ponto em que deixara, mas isso simplesmente não aconteceu. Era como abrir uma janela, ver uma paisagem e depois voltar para casa de novo." (pág. 202)