Autor: Josh
Malerman
Páginas: 268
Terror não está entre os
meus estilos favoritos de livros. Gosto de suspense, mas não de terror. Mas
mesmo assim, li a Caixa de pássaros e
achei-o um terror bem light. Faz parte do terror psicológico já que as partes
mais horrendas são apenas imaginadas.
Num futuro não muito
distante uma criatura (?) aterroriza quem a vê, levando a pessoa a praticar
ações impensáveis, contra ela própria e contra os outros. A solução encontrada
pela população remanescente é viver de olhos fechados, para não correr o risco
de se defrontar com o que possa estar causando o terror. Malorie tem dois
filhos e vive nesse mundo de trevas (numa casa com mais alguns amigos) e
procura uma saída para que seus filhos possam ter uma vida normal.
Trechos interessantes:
“Já tinha vinte e quatro
anos quando conseguiu perceber, usando apenas a audição, a diferença entre uma
gota de chuva e uma batida na janela. Malorie fora criada com foco na visão. Será que isso fazia dela a
professora errada? Quando carregava folhas para dentro de casa e dizia às
crianças, vendadas, para identificarem a diferença entre pisar em uma e amassar
outra com uma das mãos, será que essas eram as lições certas a ensinar? “ (pág.
23)
“—Tenho que explicar
algumas coisas a você — começa Tom. — Em primeiro lugar, esta casa não pertence
a nenhum de nós. O proprietário morreu. Conto essa história para você depois.
Não temos internet. Não funciona desde que chegamos aqui. Temos quase certeza
de que as pessoas que controlam as torres de transmissão pararam de trabalhar.
Ou estão mortas. Não recebemos mais cartas nem jornais. Você conferiu seu
celular nos últimos dias? Os nossos pifaram umas três semanas atrás. Mas temos
um telefone fixo funcionando, o que é uma tremenda sorte. Só não sei para quem
poderíamos ligar. “ (pág. 46)
“Ela lembra que o livro
sobre bebês de Olympia lhe ensinou muitas coisas. Mas havia uma frase em Enfim... um Bebê! que causava mais
impacto:
Seu bebe é mais inteligente do
que você pensa. “ (pág. 85)
“Mais gravetos se
quebram. A coisa se move devagar. Malorie pensa na casa que abandonaram.
Estavam seguros lá. Por que saíram? Será que o lugar para onde estão indo é
mais seguro? Como poderia ser? Num mundo onde não podemos abrir os olhos, uma venda
não é tudo que temos para nos defender?
Saímos de lá porque algumas pessoas decidem esperar as notícias
chegarem e outras correm atrás delas.” (pág. 93)
“—Vocês devem cegar os bebês
— disse. — No instante em que nascerem.
Parecia que ele tinha
pensado naquilo por muito tempo e decidido contar a decisão a elas.
Ele se sentou com as
duas à mesa e se justificou. Enquanto Don falava, Olympia ia ficando mais
distante. Achou que era maluquice. E, pior, considerou uma crueldade.
No entanto, Malorie não
pensou o mesmo. No fundo, entendia o que Don queria dizer. Cada momento do seu
futuro papel de mãe seria centrado em proteger os olhos do filho. Quanto mais
poderia ser feito se aquela preocupação tivesse um fim? A seriedade que Don
manteve ao dizer aquilo transmitia algo mais do que crueldade para Malorie.
Isso abria a porta para todo um reino de possibilidades assustadoras, coisas
que talvez tivessem de ser feitas, decisões que ela talvez precisasse tomar,
mas que ninguém do velho mundo poderia estar realmente preparado para suportar.
E a sugestão, por mais horrível que fosse nunca desapareceu por completo da
mente dela.” (pág. 113)
“Jules tira um pouco de
carne da mochila de lona, arranca um pedaço e joga para o cachorro. De início,
o animal se aproxima devagar. Então o devora.
—Será que é manso? — pergunta Tom,
baixinho.
—Descobri — responde Jules — que um cachorro
rapidamente se torna amigo das pessoas que o alimentam.” (pág. 130)
“Esta casa se revelou mais frutífera do que a
anterior. Os dois recolheram algumas latas, papel, dois pares de botas de
criança, duas jaquetas pequenas e um resistente balde de plástico antes de cair
no sono. Mas não encontraram uma lista telefônica. Nos tempos modernos em que
todo mundo tem um celular no bolso, a lista telefônica, pelo que parece, entrou
em extinção. “ (pág. 135)
“Enquanto os outros se dispersam em silêncio
pela casa, ela entender a severidade do que fizeram.
Parece que Gary está em todos os cantos lá fora.
Ele foi banido. Excluído.
Expulso.
O que
é pior?, pergunta a si mesma. Tê-lo aqui,
onde poderíamos ficar de olho nele, ou tê-lo lá fora, onde não temos como fazer
isso?” (pág. 208)
Um comentário:
Me parece ser bom este livro, vou anotar para procurar em breve.
Arthur Claro
http://www.arthur-claro.blogspot.com
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